As várias facetas das relíquias dos Santos – As várias facetas das relíquias dos Santos – As várias facetas das relíquias dos Santos

italiano, inglês, espanhol

 

AS DIVERSAS FACETAS DAS RELÍQUIAS DOS SANTOS

Ainda hoje não é difícil deparar-nos com situações em que o corpo do santo, reduzido a um esqueleto exibido em vitrines elaboradas, torna-se objeto de atenção que pode facilmente escorregar para o mórbido ou folclórico, Infelizmente estamos vivenciando isso hoje em dia com a exposição dos ossos de São Francisco de Assis, diante do qual há mais fotos de celular do que orações.

— Ministério litúrgico —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Quando se trata de relíquias, é tocada uma área da vida da Igreja que, mais do que outros, hoje corre o risco de ser mal compreendido: por um lado reduzido à prática devocional superficial, por outro, rejeitado como resíduo de uma mentalidade arcaica ou supersticiosa. Para evitar os dois extremos, é necessário retornar ao fundamento teológico que torna compreensível e justificável a veneração de relíquias na tradição católica.

As relíquias, na sua forma mais adequada, eles são constituídos pelo corpo ou partes do corpo dos santos. Ao lado destes estão as chamadas relíquias de "segunda classe", isto é, objetos pertencentes aos Santos, e aqueles "por contato", isto é, objetos que foram colocados em relação física com seu corpo ou com seu túmulo. Esta distinção, longe de ser uma classificação meramente técnica, reflete uma visão teológica precisa: a santidade não diz respeito apenas à alma, mas envolve toda a pessoa, em sua unidade de corpo e espírito.

O ponto decisivo, muitas vezes esquecido, é que a veneração das relíquias está enraizada na fé na Encarnação e na ressurreição da carne. O corpo do Santo não é um simples vestígio biológico, mas um corpo que foi templo do Espírito Santo e que está destinado à transfiguração definitiva. É por isso que é guardado, honrado e venerado: não como tal, mas como sinal concreto da obra da graça de Deus na história.

Já a Sagrada Escritura atesta que Deus pode operar através da mediação da matéria. Basta pensar na história do Antigo Testamento em que um homem morto volta à vida ao entrar em contato com os ossos do profeta Eliseu. (cf.. 2Ré 13,21), ou aos lenços e aventais que estiveram em contato com o apóstolo Paulo e que foram levados aos enfermos (cf.. No 19,11-12). Não se trata de atribuir poder mágico a objetos, mas reconhecer que a graça divina pode servir-se de mediações concretas.

Já na época medieval não faltaram advertências severas contra as degenerações de certas práticas devocionais. Se a literatura fixou a figura de Frei Cipolla na memória comum, que ficou famoso pela hábil ironia de Giovanni Boccaccio, no plano da verdadeira pregação não menos enérgico foi São Bernardino de Sena, que num sermão bem conhecido condenou em termos inequívocos a proliferação de relíquias duvidosas, como o da ampola contendo o leite da Virgem Maria (cf.. Devoções hipócritas, dentro: Baldi, Romances e exemplos morais de S. Bernardino de Siena, Florença 1916). Este é um tema sobre o qual o Padre Ariel S. escreveu há alguns anos nestas colunas. Levi di Gualdo, que ele assumiu de uma forma deliberadamente colorida - e nem sempre compreendida -, especialmente por aqueles que não querem compreender - a mesma pergunta, destacando como certas tendências devocionais não são de forma alguma uma invenção moderna, mas um risco sempre presente na vida da Igreja (cf.. Who).

Neste contexto nasceu também o uso de relíquias “por contato”, como o chamado brandea, isto é, panos colocados em contato com os túmulos dos mártires, que foram então distribuídos aos fiéis. Esta prática, longe de ser uma invenção arbitrária, expressou o desejo de tornar acessível a memória dos santos sem comprometer a integridade de seus corpos. Porém, é preciso deixar claro que a relíquia não é um fetiche. O fetichismo atribui um poder em si ao objeto, quase automático; Veneração cristã, em vez de, ele reconhece na relíquia um sinal que remete a Deus e sua ação. A graça não reside na matéria como numa força autônoma, mas é sempre um presente de Deus, que também pode usar sinais sensíveis para alcançar o homem.

Ao longo dos séculos, a relação com as relíquias teve desenvolvimentos diferentes, nem sempre isento de ambigüidades. Em algumas épocas houve uma certa espetacularização, com exposições que correm o risco de atrair mais curiosidade do que devoção. Ainda hoje não é difícil deparar-nos com situações em que o corpo do santo, reduzido a um esqueleto exibido em vitrines elaboradas, torna-se objeto de atenção que pode facilmente escorregar para o mórbido ou folclórico, Infelizmente estamos vivenciando isso hoje em dia com a exposição dos ossos de São Francisco de Assis, diante do qual há mais fotos de celular do que orações. E é aqui que é necessário um discernimento sério. Se a relíquia perder a referência à santidade e à vida da graça, se não estiver inserido num contexto de fé e catequese, corre o risco de se tornar um objeto de interesse puramente estético ou cultural. De sinal de glória futura pode ser transformado em uma simples relíquia do passado.

Devemos então nos perguntar que significado pode ter hoje a veneração das relíquias?, especialmente aqueles que consistem em restos corporais. A resposta só pode ser a mesma que a tradição da Igreja sempre deu: fazem sentido na medida em que se referem a Cristo e à sua obra de salvação. O santo não é venerado por si mesmo, mas porque a graça de Deus se manifestou nele. A relíquia, assim, é uma memória concreta de santidade, testemunho da Encarnação e lembrança da ressurreição da carne. Fala ao crente não sobre a morte, mas da vida; não de um passado fechado, mas de um futuro prometido. Por esta razão a Igreja, enquanto guarda cuidadosamente esses testemunhos, é também chamado a educar os fiéis sobre o correto significado. Sem treinamento adequado, o risco de mal-entendido está sempre presente.

Venerar as relíquias Isso significa, em última análise, reconhecer que a salvação realizada por Cristo diz respeito ao homem na sua totalidade e que a própria matéria é chamada a participar na glória de Deus. Neste sentido podem ser entendidos como uma extensão concreta da lógica da Encarnação na história da Igreja. Só nesta condição a sua presença conserva um autêntico valor espiritual.; por outro lado, as relíquias esvaziadas de seu significado e reduzidas a objetos de curiosidade ou devoção incompreendida, correm o risco de dar vida ao desenho correto e realista de Frei Cipolla criado por Giovanni Boccaccio.

Florença, 20 Março 2026

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AS DIVERSAS FACETAS DAS RELÍQUIAS DOS SANTOS

Ainda hoje não é difícil encontrar situações em que o corpo de um santo, reduzido a um esqueleto exibido em elaborados relicários, torna-se objeto de uma atenção que pode facilmente resvalar para o mórbido ou para o folclórico. Infelizmente estamos testemunhando isso nestes dias com a exposição dos ossos de São Francisco de Assis, antes do qual há mais fotografias tiradas com telemóveis do que orações.

— Pastoral Litúrgica —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Ao falar de relíquias, tocamos numa área da vida da Igreja que, mais do que outros, corre hoje o risco de ser mal compreendido: por um lado reduzido a uma prática devocional superficial, por outro lado, rejeitado como resquício de uma mentalidade arcaica ou supersticiosa. Para evitar os dois extremos, é necessário retornar ao fundamento teológico que torna a veneração das relíquias inteligível e justificável dentro da tradição católica.

Relíquias, na sua forma mais adequada, consistem no corpo ou partes do corpo dos santos. Ao lado destes estão as chamadas relíquias de “segunda classe”, isso é, objetos pertencentes aos santos, e aqueles “por contato,”ou seja, objetos que foram colocados em relação física com seu corpo ou sua tumba. Esta distinção, longe de ser uma classificação meramente técnica, reflete uma visão teológica precisa: a santidade não diz respeito apenas à alma, mas envolve toda a pessoa, na unidade do corpo e do espírito.

O ponto decisivo, muitas vezes esquecido, é que a veneração das relíquias está enraizada na fé na Encarnação e na ressurreição da carne. O corpo do Santo não é um mero remanescente biológico, mas um corpo que foi templo do Espírito Santo e que está destinado à transfiguração definitiva. Por esta razão é preservado, honrado e venerado: não em si, mas como sinal concreto da obra da graça de Deus na história.

Sagrada Escritura em si atesta que Deus pode agir através da mediação da matéria. Basta recordar o relato do Antigo Testamento em que um morto volta à vida ao entrar em contato com os ossos do profeta Eliseu. (cf. 2 Kg 13:21), ou os lenços e aventais que estiveram em contato com o apóstolo Paulo e foram levados aos enfermos (cf. Atos 19:11–12). Não se trata de atribuir poder mágico a objetos, mas de reconhecer que a graça divina pode servir-se de mediações concretas.

Já no período medieval não faltaram advertências severas contra a degeneração de certas práticas devocionais. Se a literatura fixou no imaginário comum a figura de Frei Cipolla, que ficou famoso pela ironia refinada de Giovanni Boccaccio, no nível da verdadeira pregação não menos contundente foi São Bernardino de Sena, que num conhecido sermão denunciou duramente a proliferação de relíquias duvidosas, como o frasco que supostamente contém o leite da Virgem Maria (cf. Devoções hipócritase, dentro: Baldi, Romances e exemplos morais de S. Bernardino de Siena, Florença 1916). Sobre este assunto, Padre Ariel S.. Levi di Gualdo escreveu há alguns anos nestas mesmas páginas, abordando a mesma questão em termos deliberadamente vívidos - e nem sempre compreendidos por aqueles que simplesmente não desejam compreender -, mostrando como tais desvios devocionais não são de forma alguma uma invenção moderna, mas um risco perene na vida da Igreja (cf. Aqui).

Neste contexto surgiu também o uso de relíquias “por contato,” como o chamado brandea, isso é, panos colocados em contato com os túmulos dos mártires e depois distribuídos aos fiéis. Esta prática, longe de ser uma invenção arbitrária, expressou o desejo de tornar acessível a memória dos santos sem comprometer a integridade de seus corpos. No entanto, é necessário afirmar claramente que a relíquia não é um fetiche. O fetichismo atribui ao objeto um poder em si, quase automático; Veneração cristã, em vez de, reconhece na relíquia um sinal que remete a Deus e à sua ação. A graça não reside na matéria como uma força autônoma, mas é sempre dom de Deus, que também pode fazer uso de sinais sensíveis para alcançar o homem.

Ao longo dos séculos, a relação com as relíquias sofreu diferentes desenvolvimentos, nem sempre isento de ambigüidades. Em certos períodos houve um certo grau de teatralização, com exibições que correm o risco de atrair mais curiosidade do que devoção. Ainda hoje não é difícil encontrar situações em que o corpo de um santo, reduzido a um esqueleto exibido em casos elaborados, torna-se objeto de uma atenção que pode facilmente resvalar para o mórbido ou para o folclórico. Infelizmente estamos testemunhando isso nestes dias com a exposição dos ossos de São Francisco de Assis, antes do qual há mais fotografias tiradas com telemóveis do que orações. Aqui se torna necessário um sério discernimento. Se a relíquia perde a referência à santidade e à vida da graça, se não estiver inserido num contexto de fé e catequese, corre o risco de se tornar um objeto de interesse puramente estético ou cultural. De sinal de glória futura pode ser reduzido a uma mera relíquia do passado.

Deve-se então perguntar qual o significado da veneração de relíquias pode ter hoje, especialmente aqueles que consistem em restos corporais. A resposta só pode ser a mesma que a tradição da Igreja sempre deu: eles têm significado na medida em que se referem a Cristo e à Sua obra de salvação. O santo não é venerado por si mesmo, mas porque nele se manifestou a graça de Deus. A relíquia, assim sendo, é uma memória concreta de santidade, um testemunho da Encarnação e uma lembrança da ressurreição da carne. Fala ao crente não sobre a morte, mas da vida; não de um passado fechado, mas de um futuro prometido. Por esta razão a Igreja, ao mesmo tempo que salvaguarda cuidadosamente estes testemunhos, também é chamado a educar os fiéis para o próprio significado. Sem formação adequada, o risco de mal-entendido está sempre presente.

Para venerar relíquias significa, em última análise, reconhecer que a salvação realizada por Cristo diz respeito à pessoa humana na sua totalidade e que a própria matéria é chamada a participar na glória de Deus. Neste sentido podem ser entendidos como um prolongamento concreto da lógica da Encarnação na história da Igreja.. Só nesta condição a sua presença conserva um autêntico valor espiritual.; de outra forma, relíquias esvaziadas de sentido e reduzidas a objetos de curiosidade ou de devoção incompreendida correm o risco de dar origem à caricatura muito real e adequada de Frei Cipolla imaginada por Giovanni Boccaccio¹.

Florença, Março 20, 2026

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¹Giovanni Boccaccio (1313–1375) foi um escritor italiano do século XIV e uma figura central da cultura medieval tardia e do início da cultura humanista. Sua obra mais famosa, a Decameron, é uma coleção de cem novelas. Entre eles, a história de Frei Cipolla retrata com humor o abuso de falsas relíquias, oferecendo uma crítica satírica de certas práticas devocionais medievais tardias.

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AS DIVERSAS FACETAS DAS RELÍQUIAS DOS SANTOS

Ainda hoje não é difícil encontrar situações em que o corpo do santo, reduzido a um esqueleto exibido em urnas elaboradas, torna-se objeto de atenção que pode facilmente deslizar para o mórbido ou folclórico. Infelizmente estamos vivenciando isso hoje em dia com a exposição dos ossos de São Francisco de Assis, antes do qual há mais fotografias tiradas com telemóveis do que frases.

— Pastoral litúrgica —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Ao falar sobre relíquias, Aborda uma área da vida da Igreja que, mais do que outros, hoje corre o risco de ser mal compreendido: por um lado reduzido à prática devocional superficial, por outro lado, rejeitado como resíduo de uma mentalidade arcaica ou supersticiosa. Para evitar os dois extremos, É necessário regressar ao fundamento teológico que torna compreensível e justificável a veneração das relíquias na tradição católica..

As relíquias, na sua forma mais adequada, Eles são constituídos pelo corpo ou partes do corpo dos Santos. A estes se somam as chamadas relíquias de “segunda classe”., isto é,, objetos pertencentes aos santos, e “por contato”, isto é,, objetos que foram colocados em relação física com seu corpo ou com seu túmulo. Esta distinção, longe de ser uma classificação meramente técnica, reflete uma visão teológica precisa: a santidade não afeta apenas a alma, mas envolve toda a pessoa, na unidade do corpo e do espírito.

O ponto decisivo, muitas vezes esquecido, é que a veneração das relíquias se baseia na fé na Encarnação e na ressurreição da carne. O corpo do Santo não é um simples vestígio biológico, mas um corpo que foi templo do Espírito Santo e que está destinado à transfiguração definitiva. É por isso que é guardado, honrado e reverenciado: não em si, mas como sinal concreto da obra da graça de Deus na história.

A Sagrada Escritura em si atesta que Deus pode trabalhar através da mediação da matéria. Pense na história do Antigo Testamento em que um homem morto volta à vida quando entra em contato com os ossos do profeta Eliseu. (cf. 2 Ré 13,21), ou nos lenços e aventais que tiveram contato com o apóstolo Paulo e que foram levados aos enfermos (cf. Hch 19,11-12). Não se trata de atribuir poder mágico a objetos, mas reconhecer que a graça divina pode usar mediações concretas.

Já na época medieval Não faltaram advertências severas contra as degenerações de certas práticas devocionais.. Se a literatura fixou a figura do Irmão Cipolla na memória comum, que ficou famoso pela ironia refinada de Giovanni Boccaccio, No plano da pregação real, São Bernardino de Sena não foi menos enérgico., que num famoso sermão denunciou sem rodeios a proliferação de relíquias duvidosas, como o frasco que supostamente continha o leite da Virgem Maria (cf. Devoções hipócritas, em: Baldi, Romances e exemplos morais de S. Bernardino de Siena, Florença 1916). Padre Ariel S. escreveu sobre este tema há alguns anos nestas mesmas páginas.. Levi di Gualdo, abordando a questão em termos deliberadamente vívidos - e nem sempre compreendidos por aqueles que não querem compreender - mostrando como estes desvios devocionais não são de todo uma invenção moderna, mas um risco constante na vida da Igreja (cf. Aquem).

Nesse contexto O uso de relíquias “por contato” também surgiu, como as chamadas brandea, isto é,, panos colocados em contato com os túmulos dos mártires e depois distribuídos aos fiéis. Esta prática, longe de ser uma invenção arbitrária, expressou o desejo de tornar acessível a memória dos santos sem comprometer a integridade de seus corpos. Porém, É preciso deixar claro que a relíquia não é um fetiche. O fetichismo atribui poder em si ao objeto., quase automático; Veneração cristã, em vez de, reconhece na relíquia um sinal que remete a Deus e sua ação. A graça não reside na matéria como numa força autônoma, mas é sempre um presente de Deus, que também pode usar sinais sensíveis para alcançar o homem.

ao longo dos séculos, A relação com as relíquias teve vários desenvolvimentos, nem sempre isento de ambigüidades. Em alguns períodos houve uma certa espetacularização, com exposições que correm o risco de atrair mais curiosidade do que devoção. Também hoje não é difícil encontrar situações em que o corpo do santo, reduzido a um esqueleto exibido em urnas elaboradas, torna-se objeto de atenção que pode facilmente deslizar para o mórbido ou folclórico. Infelizmente estamos vivenciando isso hoje em dia com a exposição dos ossos de São Francisco de Assis, antes do qual há mais fotografias tiradas com telemóveis do que frases. Aqui é necessário um discernimento sério.. Se a relíquia perder a referência à santidade e à vida da graça, se não estiver inserido num contexto de fé e catequese, corre o risco de se tornar objeto de interesse puramente estético ou cultural. De sinal de glória futura pode se tornar um simples vestígio do passado.

Cabe então pergunte qual o significado que a veneração das relíquias pode ter hoje, especialmente aqueles que consistem em restos corporais. A resposta não pode ser outra senão aquela que a tradição da Igreja sempre deu.: Fazem sentido na medida em que se referem a Cristo e à sua obra de salvação. O santo não é venerado por si mesmo, mas porque a graça de Deus se manifestou nele. A relíquia é, portanto, memória concreta da santidade, testemunho da Encarnação e lembrança da ressurreição da carne. Fale com o crente não sobre a morte, mas da vida; não de um passado fechado, mas de um futuro prometido. Por esta razão a Igreja, enquanto guarda cuidadosamente esses testemunhos, também é chamado a educar os fiéis no seu significado autêntico. Sem treinamento adequado, o risco de mal-entendido está sempre presente.

Venerar relíquias significa, em última análise, reconhecer que a salvação realizada por Cristo diz respeito ao homem como um todo e que a própria matéria é chamada a participar na glória de Deus. Neste sentido podem ser entendidas como uma extensão concreta da lógica da Encarnação na história da Igreja.. Somente sob esta condição a sua presença retém um valor espiritual autêntico.; de outra forma, relíquias esvaziadas de sentido e reduzidas a objetos de curiosidade ou de devoção incompreendida correm o risco de dar vida à caricatura justa e realista do Irmão Cipolla imaginada por Giovanni Boccaccio¹.

Florença, 20 Marchar 2026

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¹ Giovanni Boccaccio (1313–1375) Ele foi um escritor italiano do século XIV e uma figura central da cultura medieval tardia e pré-humanista.. Seu trabalho mais conhecido, ele Decamerão, É uma coleção de cem histórias. Entre eles, A história do irmão Cipolla apresenta ironicamente o abuso de falsas relíquias, oferecendo uma crítica satírica de certas práticas devocionais do final da Idade Média.

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Como é possível que Jesus desceu ao inferno após sua morte? – Como é possível que Jesus desceu ao inferno após sua morte? – Como é possível que Jesus tenha descido ao inferno após sua morte??

italiano, inglês, espanhol

 

COMO É POSSÍVEL QUE JESUS ​​​​DESCEU AO INFERNO APÓS SUA MORTE?

Quando professamos que ele “desceu ao inferno”, confessamos que não há lugar da existência humana - nem mesmo a morte - em que Cristo não tenha entrado para trazer a luz da salvação.

— Ministério litúrgico —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Não é incomum, hoje, ouça os fiéis — e às vezes até alguns padres — recitam o Símbolo dos Apóstolos sem compreender seu significado mais profundo.

Entre as expressões que mais geram confusão há aquele que proclama: "ele desceu ao inferno". Para alguns é uma fórmula obscura, para outros uma imagem simbólica, para outros ainda de uma linguagem arcaica agora incompreensível. De Fato, estas palavras preservam uma das passagens mais solenes do mistério pascal. Eles não descrevem um pequeno detalhe da fé cristã, mas proclamam a verdade da morte de Cristo e da sua vitória sobre a própria morte. Compreendê-los significa entrar mais profundamente no coração da fé da Igreja.

Este símbolo está ligado de modo particular à liturgia batismal, em que o catecúmeno professa a fé da Igreja antes de ser imerso no mistério da morte e ressurreição de Cristo. Portanto, não é apenas uma fórmula doutrinária, mas uma profissão de fé que nasce da vida sacramental da Igreja. Por isso encontra um lugar privilegiado no tempo da Quaresma e no tempo da Páscoa, períodos em que a liturgia convida os fiéis a redescobrir a graça do seu Batismo. De modo muito particular o Credo Apostólico regressa na Vigília Pascal, quando a assembleia cristã renova as promessas batismais e proclama mais uma vez a fé recebida dos Apóstolos.

Entre suas declarações mais significativas há um que muitas vezes levanta questões: "ele desceu ao inferno". Muitos crentes pronunciam estas palavras sem se concentrarem no seu significado, enquanto outros os interpretam de acordo com categorias modernas que acabam por alterar o seu significado autêntico. De Fato, esta expressão contém um mistério central da fé cristã. Quando o Credo dos Apóstolos afirma que Cristo “desceu ao inferno”, ele pretende antes de tudo proclamar a realidade de sua morte. O Filho de Deus não passou por uma morte simbólica ou aparente. Como todo homem, Jesus também conheceu a morte na sua realidade mais concreta: a separação entre a alma e o corpo.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que Jesus conheceu a morte como todos os homens e chegou à morada dos mortos com sua alma (cf.. CCC 632). Esta morada dos mortos é o que a Sagrada Escritura chama Seol em hebraico e Ade em grego.

Na linguagem moderna, a palavra "submundo" é facilmente associado ao Inferno dos condenados, mas o Símbolo da fé não significa isso. Na linguagem bíblica, Seol indica o reino dos mortos, a condição em que se encontravam aqueles que haviam deixado esta vida antes da redenção operada por Cristo. Por esta razão o Catecismo especifica que Jesus não desceu ao inferno para libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação., mas para libertar os justos que o precederam (cf.. CCC 633). A tradição cristã indicou muitas vezes esta morada dos justos com a expressão “seio de Abraão”., referindo-se à parábola evangélica do rico e do pobre Lázaro (cf.. LC 16, 22). Aqui estavam os justos da Antiga Aliança - Abraão, Moisés, os profetas e todos aqueles que viveram na esperança das promessas divinas - esperando pela redenção.

Cristo anuncia a salvação aos justos, A Sagrada Escritura menciona este mistério nas palavras do Apóstolo Pedro:

«Cristo foi anunciar a salvação até aos espíritos que estavam presos» (1 PT 3, 19) «Por esta razão a boa notícia foi anunciada também aos mortos» (1 PT 4, 6).

A tradição da Igreja sempre compreendeu estes textos como uma referência à descida de Cristo à morada dos mortos, onde o Senhor anuncia a salvação aos justos da Antiga Aliança. Cristo entra no reino da morte não como um prisioneiro, mas como Salvador. Este mistério é contemplado com particular intensidade na liturgia do Sábado Santo, quando a Igreja permanece em silêncio diante do túmulo do Senhor. É o dia de grande silêncio. Cristo descansa no túmulo segundo a carne, enquanto sua alma desce à morada dos mortos para anunciar a salvação aos justos que o precederam.

Uma famosa homilia antiga no Sábado Santo, proclamado na Liturgia das Horas, descreve este evento com força extraordinária:

«Eu sou o seu Deus que através de você me tornei seu filho. Acordar, você que dorme, e ressuscitar dos mortos, e Cristo te iluminará".

Por isso a Igreja contempla a descida ao inferno não como um episódio marginal, mas como parte integrante do mistério pascal. O Filho de Deus quis partilhar plenamente a condição humana, até mesmo entrando no reino da morte, para abrir o caminho da vida a todos. Quando na noite de Páscoa a Igreja proclama a ressurreição do Senhor, anuncia que nenhuma região da história humana permaneceu alheia à redenção. Cristo passou pela morte para quebrar suas correntes e conduzir à luz aqueles que aguardavam a promessa. Por esta razão a fé cristã pode proclamar com certeza que Cristo é o Senhor dos vivos e dos mortos. A sua Páscoa não diz respeito apenas ao presente da Igreja, mas toda a história da humanidade.

Quando professamos que ele “desceu ao inferno”, confessamos que não há lugar da existência humana - nem mesmo a morte - em que Cristo não tenha entrado para trazer a luz da salvação.

Florença, 7 Março 2026

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COMO É POSSÍVEL QUE JESUS ​​DESCEU AO INFERNO APÓS SUA MORTE?

Quando professamos que «ele desceu ao inferno», confessamos que não há lugar na existência humana — nem mesmo na morte — em que Cristo não tenha entrado para trazer a luz da salvação.

— Pastoral Litúrgica —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Hoje não é raro ouvir os fiéis – e às vezes até alguns padres – recitam o Credo dos Apóstolos sem compreender seu significado mais profundo. Entre as expressões que mais frequentemente geram confusão está aquela que proclama: «ele desceu ao inferno». Para alguns, parece ser uma fórmula obscura, para outros uma imagem simbólica, e para outros ainda uma expressão arcaica que se tornou difícil de entender. Na realidade, estas palavras contêm uma das passagens mais solenes do mistério pascal. Eles não descrevem um detalhe secundário da fé cristã, mas proclamar a verdade da morte de Cristo e Sua vitória sobre a própria morte. Compreendê-los significa entrar mais profundamente no coração da fé da Igreja.

Este Credo está particularmente ligado à liturgia batismal, em que o catecúmeno professa a fé da Igreja antes de ser imerso no mistério da morte e ressurreição de Cristo. Portanto, não é apenas uma fórmula doutrinária, mas uma profissão de fé que nasce da vida sacramental da Igreja. Por isso encontra um lugar privilegiado nos tempos da Quaresma e da Páscoa, períodos em que a liturgia convida os fiéis a redescobrir a graça do seu Batismo. De forma muito especial o Credo Apostólico regressa durante a Vigília Pascal, quando a assembleia cristã renova as promessas batismais e proclama mais uma vez a fé recebida dos Apóstolos.

Entre suas afirmações mais significativas é aquele que muitas vezes levanta questões: «ele desceu ao inferno». Muitos fiéis pronunciam estas palavras sem refletir sobre o seu significado, enquanto outros os interpretam de acordo com categorias modernas que acabam por alterar o seu sentido autêntico. Na realidade, esta expressão contém um mistério central da fé cristã. Quando o Credo dos Apóstolos afirma que Cristo «desceu ao inferno», antes de tudo, proclama a realidade de sua morte. O Filho de Deus não passou por uma morte simbólica ou aparente. Como todo ser humano, Jesus experimentou verdadeiramente a morte na sua realidade mais concreta: a separação da alma do corpo.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que Jesus experimentou a morte como todos os homens e que Sua alma chegou à morada dos mortos (cf. CCC 632). Esta morada dos mortos é o que a Sagrada Escritura chama Seol em hebraico e Hades em grego.

Na linguagem moderna a palavra “inferno” é facilmente associado ao Inferno dos condenados, mas o Credo não significa isso. Em linguagem bíblica Seol indica o reino dos mortos, a condição em que foram encontrados aqueles que deixaram esta vida antes da redenção realizada por Cristo. Por isso o Catecismo esclarece que Jesus não desceu ao inferno para libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos que O precederam (cf. CCC 633). A tradição cristã referiu-se muitas vezes a esta morada dos justos como o “seio de Abraão”., recordando a parábola evangélica do rico e do pobre Lázaro (cf. Página 16, 22). Havia os justos da Antiga Aliança – Abraão, Moisés, os profetas e todos aqueles que viveram na esperança das promessas divinas – aguardando a redenção.

Cristo proclama a salvação aos justos, A Sagrada Escritura alude a este mistério nas palavras do Apóstolo Pedro:

«Cristo foi proclamar a salvação até aos espíritos que estavam na prisão» (1 PT 3, 19) «Por esta razão o Evangelho foi pregado também aos mortos» (1 PT 4, 6).

A tradição da Igreja sempre entendeu esses textos como se referindo à descida de Cristo à morada dos mortos, onde o Senhor proclama a salvação aos justos da Antiga Aliança. Cristo entra no reino da morte não como um prisioneiro, mas como Salvador. Este mistério é contemplado com particular intensidade na liturgia do Sábado Santo, quando a Igreja se detém em silêncio diante do túmulo do Senhor. É o dia do grande silêncio. Cristo descansa no túmulo segundo a carne, enquanto Sua alma desce à morada dos mortos para proclamar a salvação aos justos que O precederam.

Uma famosa homilia antiga para o Sábado Santo, proclamado na Liturgia das Horas, descreve este evento com força extraordinária:

«Eu sou o seu Deus que por sua causa me tornei seu filho. Acordado, você que dorme, e ressuscitar dos mortos, e Cristo lhe dará luz».

Por esta razão a Igreja contempla a descida ao inferno não como um episódio marginal, mas como parte integrante do mistério pascal. O Filho de Deus quis participar plenamente da condição humana, até mesmo entrando no reino da morte, para abrir todo o caminho para a vida. Quando na noite de Páscoa a Igreja proclama a ressurreição do Senhor, anuncia que nenhuma região da história humana permaneceu intocada pela redenção. Cristo passou pela morte para quebrar suas correntes e conduzir à luz aqueles que aguardavam a promessa. Por esta razão a fé cristã pode proclamar com certeza que Cristo é o Senhor dos vivos e dos mortos. O seu mistério pascal não diz respeito apenas à vida presente da Igreja, mas toda a história da humanidade.

Quando professamos que «ele desceu ao inferno», confessamos que não há lugar na existência humana — nem mesmo na morte — em que Cristo não tenha entrado para trazer a luz da salvação.

Florença, 7 Março 2026

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COMO É POSSÍVEL QUE JESUS ​​​​DESCEU AO INFERNO APÓS SUA MORTE?

Quando professamos que ele “desceu ao inferno”, Confessamos que não há lugar na existência humana – nem mesmo na morte – onde Cristo não tenha entrado para trazer a luz da salvação..

— Pastoral litúrgica —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Não é incomum hoje ouvir fiéis — e às vezes até alguns padres — recitam o Símbolo dos Apóstolos sem compreender seu significado mais profundo. Entre as expressões que mais frequentemente geram confusão está aquela que proclama: "desceu ao inferno". Para alguns, é uma fórmula sombria, para outros uma imagem simbólica, e para outros mais do que uma linguagem arcaica que hoje é difícil de entender. Na verdade, Estas palavras contêm uma das passagens mais solenes do mistério pascal. Eles não descrevem um detalhe secundário da fé cristã, mas eles proclamam a verdade da morte de Cristo e sua vitória sobre a própria morte. Compreendê-los significa entrar mais profundamente no coração da fé da Igreja..

Este Símbolo está particularmente ligado à liturgia batismal, em que o catecúmeno professa a fé da Igreja antes de ser imerso no mistério da morte e ressurreição de Cristo. Não é, portanto, apenas uma fórmula doutrinária, mas uma profissão de fé que nasce da vida sacramental da Igreja. Por isso encontra um posicionamento privilegiado nos tempos litúrgicos da Quaresma e da Páscoa., períodos em que a liturgia convida os fiéis a redescobrir a graça do seu Batismo. De modo especial o Símbolo dos Apóstolos retorna na Vigília Pascal, quando a assembleia cristã renova as promessas batismais e proclama novamente a fé recebida dos Apóstolos.

Entre suas declarações mais densas de significado é aquele que muitas vezes levanta questões: "desceu ao inferno". Muitos fiéis pronunciam estas palavras sem se deterem no seu significado., enquanto outros os interpretam de acordo com categorias modernas que acabam por alterar o seu significado autêntico.. Na verdade, Esta expressão contém um mistério central da fé cristã. Quando o Credo dos Apóstolos afirma que Cristo “desceu ao inferno”, proclama sobretudo a realidade da sua morte. O Filho de Deus não sofreu uma morte simbólica ou aparente. como todo homem, Jesus também conheceu a morte na sua realidade mais concreta: a separação entre alma e corpo.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que Jesus conheceu a morte como todos os homens e que sua alma chegou à morada dos mortos (cf. CIC 632). Esta morada dos mortos é o que a Sagrada Escritura chama Seol em hebraico e Hades em grego.

Na linguagem moderna, a palavra "infernos" facilmente associado ao inferno dos condenados, mas o Símbolo da Fé não se refere a isso. Na linguagem bíblica o Seol indica o reino dos mortos, a condição daqueles que deixaram esta vida antes da redenção realizada por Cristo. Por esta razão, o Catecismo especifica que Jesus não desceu ao inferno para libertar os condenados ou para destruir o inferno da condenação., mas para libertar os justos que vieram antes dele (cf. CIC 633). A tradição cristã tem frequentemente indicado esta morada dos justos com a expressão “seio de Abraão”., relembrando a parábola evangélica do rico e do pobre Lázaro (cf. LC 16, 22). Havia os justos da Antiga Aliança – Abraão, Moisés, os profetas e todos aqueles que viveram na esperança das promessas divinas - esperando pela redenção.

Cristo anuncia a salvação aos justos, A Sagrada Escritura alude a este mistério nas palavras do apóstolo Pedro:

«Cristo foi anunciar a salvação aos espíritos que estavam presos» (1 Pe. 3, 19) “É por isso que a Boa Nova foi anunciada também aos mortos” (1 Pe. 4, 6).

A tradição da Igreja sempre entendeu estes textos como uma referência à descida de Cristo à morada dos mortos, onde o Senhor anuncia a salvação aos justos da Velha Aliança. Cristo entra no reino da morte não como um prisioneiro, mas como o Salvador. Este mistério é contemplado com particular intensidade na liturgia do Sábado Santo, quando a Igreja permanece em silêncio diante do túmulo do Senhor. É o dia de grande silêncio.
Cristo descansa no túmulo segundo a carne, enquanto sua alma desce à morada dos mortos para anunciar a salvação aos justos que o precederam.

Uma famosa homilia antiga para o Sábado Santo, proclamado na Liturgia das Horas, descreve este evento com força extraordinária:

«Eu sou o seu Deus que se tornou seu filho para você. Acorde você que dorme, ressuscitará dentre os mortos e Cristo te iluminará".

É por isso que a Igreja contempla a descida ao inferno. não como um episódio marginal, mas como parte integrante do mistério pascal. O Filho de Deus quis partilhar plenamente a condição humana, até mesmo entrando no reino da morte, para abrir o caminho da vida a todos. Quando na noite de Páscoa a Igreja proclama a ressurreição do Senhor, anuncia que nenhuma região da história humana ficou de fora da redenção. Cristo passou pela morte para quebrar suas correntes e conduzir à luz aqueles que esperavam pela promessa. É por isso que a fé cristã pode proclamar com certeza que Cristo é Senhor dos vivos e dos mortos.. A sua Páscoa não diz respeito apenas ao presente da Igreja, mas para toda a história da humanidade.

Quando professamos que ele “desceu ao inferno”, Confessamos que não há lugar na existência humana – nem mesmo na morte – onde Cristo não tenha entrado para trazer a luz da salvação..

Florença, 7 Marchar 2026

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Quão fácil é a abstinência de carne como penitência – Quão fácil é a abstinência de carne como prática penitencial – Quão fácil é a abstinência de carne como penitência

italiano, inglês, espanhol

 

Quão fácil é abstinência de carne como penitência

Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sandes com mortadela do que pedir um robalo a oitenta euros o quilo. Não porque a disciplina eclesial tenha se tornado obsoleta, mas porque a realidade social transformou. A abstinência continua sendo um sinal, mas o sinal corre o risco de ficar vazio se o seu significado profundo não for compreendido.

— Ministério litúrgico —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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artigo em formato de impressão PDF – formato de impressão do artigo – artigo em formato impresso

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Não por morder a ironia florentina, mas a verdade: Eu às vezes me pergunto, com sincera curiosidade - que penitências quaresmais podem ser propostas aos vegetarianos e veganos se eles próprios ainda não comem carne. Talvez abstinência de soja? Ou da salada orgânica? A pergunta pode fazer você sorrir, mas esconde outro, muito mais sério: o que realmente significa fazer penitência?

Abstinência de carne não surge de uma dietética eclesiástica nem de uma antiga desconfiança teológica em relação ao bife. Tem as suas raízes numa tradição ascética que sempre compreendeu o valor simbólico e pedagógico da alimentação.. Nas sociedades antigas, a carne não era um alimento comum, mas um sinal de celebração, de abundância, de alegria. Desistir significava tirar voluntariamente o que era considerado precioso. Não se tratava de mortificar o corpo, mas educar o desejo.

A Igreja salvou esta disciplina não como um fim em si mesma, mas como sinal concreto de uma atitude interior: a conversão. Como lembrou São Leão Magno, «O jejum quaresmal não consiste apenas na abstinência de alimentos, mas sobretudo no afastamento do pecado» (Falar 39, 2). A penitência cristã nunca foi um exercício punitivo, mas um caminho de liberdade. Você desiste de algo lícito para se lembrar de que nem tudo que é lícito é necessário, e que a felicidade não depende da posse mas sim da ordem do coração.

Com a mudança dos tempos, no entanto, as percepções também mudam. Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sandes com mortadela do que pedir um robalo a oitenta euros o quilo. Não porque a disciplina eclesial tenha se tornado obsoleta, mas porque a realidade social transformou. A abstinência continua sendo um sinal, mas o sinal corre o risco de ficar vazio se o seu significado profundo não for compreendido.

A questão não é a carne: é liberdade. A penitência não consiste em mudar o cardápio, mas mudando de tamanho. Não é a privação como um fim em si, nem um exercício de voluntarismo ascético. É uma renúncia ordenada a um bem para adquirir um bem maior. É tirar algo do consumo para devolvê-lo à fé, à esperança e à caridade. Porque «onde está o seu tesouro, seu coração também estará lá" (MT 6,21): a penitência move o tesouro para reorientar o coração. E talvez, em nosso tempo, as penitências mais difíceis não passam necessariamente pelo prato. Desistir do bife pode ser relativamente simples; desistir da tela ligada por horas pode ser muito menos. Desligue seu telefone, limitar o uso de mídias sociais, evite o entretenimento como um fim em si mesmo, preservar o silêncio num mundo que vive de ruído contínuo: estas são privações que tocam os nervos em carne viva.

Para a maioria, é mais difícil evitar notificações e comentários que dá um maldito bife florentino. E ainda, se a penitência tem por objetivo educar o desejo e fortalecer a liberdade interior, é exatamente aí que o desafio acontece. São Paulo expressou isso com imagens atléticas:

«Eu trato o meu corpo com severidade e o reduzo à escravidão, porque quando você, depois de pregar para outros, Eu mesmo serei desclassificado" (1 CR 9,27).

O paulino não é desprezo pelo corpo, mas a disciplina da liberdade. Penitência cristã não é empobrecimento, mas um investimento. Não produz esterilidade, mas fecundidade. Desistir de algo pelo amor de Deus significa criar espaço para Deus agir. É um gesto que reduz o supérfluo para realçar o essencial. E o essencial, para o cristão, não é o sacrifício em si, mas a comunhão com Cristo.

A Quaresma é precisamente isto: um caminho penitencial que culmina na Semana Santa e se abre à alegria da Ressurreição. Não é um período de tristeza ritual, mas um tempo de preparação. Atravessamos o deserto para chegar à Páscoa. Desistimos de algo temporário para nos lembrar que estamos destinados ao eterno.

Abstinência de carne, Naquela hora, não é uma relíquia disciplinar nem um formalismo alimentar. É um sinal. E como todo sinal, pede para ser compreendido. Se continuar a ser um gesto externo, é reduzido a uma prática vazia. Se se tornar um ato consciente, se transforma em uma escola de liberdade. Quer seja carne, de telas ou outros hábitos arraigados, a questão continua a mesma: Eu sou o mestre dos meus desejos ou sou governado por eles? A penitência serve para responder a esta questão com um ato concreto. Porque a verdadeira mortificação é não renunciar ao que não nos custa nada, mas aprender a dizer “não” ao que nos domina, poder dizer um “sim” maior a Deus. E esse “sim” não acaba em quarenta dias. É a antecipação de uma Páscoa que nunca terá fim.

Florença, 23 fevereiro 2026

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Quão fácil é abstinência de carne como prática penitencial

Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sanduíche de mortadela do que pedir um robalo a oitenta euros o quilo.. Não porque a disciplina eclesial tenha se tornado obsoleta, mas porque a realidade social mudou. A abstinência continua sendo um sinal, no entanto, o sinal corre o risco de se tornar vazio se não for compreendido no seu significado mais profundo.

— Pastoral Litúrgica —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Não por aguda ironia florentina, mas na verdade: às vezes eu me pergunto, com sincera curiosidade, que penitências quaresmais podem ser propostas aos vegetarianos e veganos se eles já não comem carne. Talvez abstinência de soja? Ou de salada orgânica? A pergunta pode provocar um sorriso, mas esconde outro, muito mais sério: o que realmente significa fazer penitência?

Abstinência de carne não surge da dietética eclesiástica nem de alguma antiga suspeita teológica em relação ao bife. Está enraizado numa tradição ascética que sempre compreendeu o valor simbólico e pedagógico da alimentação. Nas sociedades antigas, a carne não era um alimento comum, mas um sinal de celebração, abundância, e alegria. Renunciar a isso significava abster-se voluntariamente do que era considerado precioso. Não se tratava de mortificar o corpo, mas sobre educar o desejo.

A Igreja preservou esta disciplina não como um fim em si mesma, mas como sinal concreto de uma disposição interior: conversão. Como recordou São Leão Magno, “O jejum quaresmal não consiste apenas na abstinência de alimentos, mas sobretudo no afastamento do pecado” (Falar 39, 2). A penitência cristã nunca foi um exercício punitivo, mas um caminho para a liberdade. Renunciamos a algo lícito para nos lembrarmos de que nem tudo o que é lícito é necessário, e que a felicidade não depende da posse mas sim da ordem do coração.

Com o passar do tempo, no entanto, as percepções também mudam. Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sanduíche de mortadela do que pedir um robalo a oitenta euros o quilo.. Não porque a disciplina eclesial tenha se tornado obsoleta, mas porque a realidade social mudou. A abstinência continua sendo um sinal, no entanto, o sinal corre o risco de se tornar vazio se não for compreendido no seu significado mais profundo.

A questão não é carne; é liberdade. A penitência não consiste em mudar o cardápio, mas ao mudar a medida. Não é privação por si só, nem um exercício de voluntarismo ascético. É uma renúncia ordenada a um bem para adquirir um bem maior. É retirar algo do consumo para restaurá-lo à fé, ter esperança, e caridade. Pois “onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração” (MT 6:21): a penitência desloca o tesouro para reorientar o coração. E talvez, em nosso próprio tempo, as penitências mais difíceis não passam necessariamente pelo prato. Renunciar a um bife pode ser relativamente simples; renunciar a uma tela ligada por horas pode ser muito mais difícil. Desligando o telefone, limitar o uso de mídias sociais, abster-se de entretenimento por si só, preservando o silêncio em um mundo que vive em constante ruído: estas são privações que tocam os nervos expostos.

Para muitos – talvez para a maioria – é mais difícil abster-se de notificações e comentários do que de um bife florentino mal passado. Mas se a penitência visa educar o desejo e fortalecer a liberdade interior, é precisamente aí que reside o desafio. São Paulo expressou isso com imagens atléticas:

“Eu disciplino meu corpo e o mantenho sob controle, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não seja desqualificado” (1 CR 9:27).

As palavras de Paulo não expressam desprezo pelo corpo, mas a disciplina da liberdade. Penitência cristã não é empobrecimento, mas investimento. Não produz esterilidade, mas fecundidade. Renunciar a algo por amor a Deus significa criar espaço para Deus agir. É um gesto que reduz o supérfluo para fazer emergir o essencial.. E para o cristão, o essencial não é o sacrifício em si, mas a comunhão com Cristo.

A Quaresma é precisamente isto: um caminho penitencial que culmina na Semana Santa e se abre à alegria da Ressurreição. Não é uma época de tristeza ritual, mas um tempo de preparação. Atravessa-se o deserto para chegar à Páscoa. Renunciamos a algo temporário para lembrar que estamos destinados à eternidade.

Abstinência de carne, então, não é uma relíquia disciplinar nem um formalismo dietético. É um sinal. E como todo sinal, pede para ser compreendido. Se continuar a ser um gesto exterior, torna-se uma prática vazia. Se se tornar um ato consciente, se transforma em uma escola de liberdade. Quer se trate de carne, telas, ou outros hábitos arraigados, a questão continua a mesma: sou senhor dos meus desejos, ou sou governado por eles? A penitência nos ajuda a responder a essa pergunta com um ato concreto. Pois a verdadeira mortificação não é renunciar ao que não nos custa nada, mas aprender a dizer “não” ao que nos domina, para dizer um “sim” maior a Deus. E esse “sim” não acaba depois de quarenta dias. É a antecipação de uma Páscoa que não conhecerá pôr do sol.

Florença, 23 fevereiro 2026

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Quão fácil é abstinência de carne como penitência

Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sanduíche de mortadela do que pedir um robalo que custa oitenta euros o quilo. Não porque a disciplina da igreja se tornou obsoleta, mas porque a realidade social mudou. A abstinência ainda é um sinal, mas o signo corre o risco de ficar vazio se não for compreendido no seu significado mais profundo.

— Pastoral litúrgica —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Não por causa da aguda ironia florentina, mas na verdade: às vezes eu me pergunto, com sincera curiosidade, Que penitências quaresmais podem ser propostas aos vegetarianos e veganos se ainda não comem carne?. Talvez retirada de soja? Ou salada orgânica? A pergunta pode trazer um sorriso, mas contém outro muito mais sério: O que realmente significa fazer penitência??

A abstinência de carne não nasce de uma dieta eclesiástica nem de uma antiga desconfiança teológica em relação ao bife. Tem as suas raízes numa tradição ascética que sempre compreendeu o valor simbólico e pedagógico da alimentação.. Nas sociedades antigas, a carne não era um alimento comum, mas um sinal de festa, de abundância e alegria. Desistir significava retirar-se voluntariamente do que era considerado precioso.. Não se tratava de mortificar o corpo, mas educar o desejo.

A Igreja preservou esta disciplina não como um fim em si mesma, mas como sinal concreto de uma disposição interior: a conversão. Como lembrou São Leão Magno, «O jejum quaresmal não consiste apenas na abstinência de alimentos, mas sobretudo no afastamento do pecado”. (Falar 39, 2). A penitência cristã nunca foi um exercício punitivo, mas um caminho de liberdade. Você desiste de algo lícito para se lembrar de que nem tudo que é lícito é necessário., e que a felicidade não depende da posse, mas da ordem do coração.

Com o passar do tempo, no entanto, as percepções também mudam. Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sanduíche de mortadela do que pedir um robalo que custa oitenta euros o quilo. Não porque a disciplina da igreja se tornou obsoleta, mas porque a realidade social mudou. A abstinência ainda é um sinal, mas o signo corre o risco de ficar vazio se não for compreendido no seu significado mais profundo.

A questão não é a carne: é liberdade. Penitência não é mudar o cardápio, mas ao mudar a medida. Não é privação em si., nem exercício de voluntarismo ascético. É uma renúncia ordenada a um bem para adquirir um bem maior.. É subtrair algo do consumo para devolvê-lo à fé, à esperança e à caridade. Porque "onde está o seu tesouro?", "Seu coração também estará lá." (MT 6,21): A penitência move o tesouro para reorientar o coração. e talvez, em nosso tempo, as penitências mais difíceis não passam necessariamente pelo prato. Desistir do bife pode ser relativamente fácil; Desistir de uma tela ligada por horas pode ser muito mais difícil. Desligue o telefone, limitar o uso de redes sociais, abster-se de entretenimento vazio, guardando o silêncio em um mundo que vive em constante ruído: Estas são privações que tocam nervos sensíveis.

Para muitos - talvez a maioria - É mais difícil abster-se de notificações e comentários do que de um bom bife florentino. Porém, Se a penitência visa educar o desejo e fortalecer a liberdade interior, É precisamente aí que o desafio é jogado. São Paulo expressou isso com imagens atléticas:

«Eu castigo o meu corpo e escravizo-o, para que, tendo pregado para outros, "Eu mesmo fui desclassificado." (1 CR 9,27).

A Paulina não é desprezo pelo corpo, mas a disciplina da liberdade. Penitência cristã não é empobrecimento, mas investimento. Não produz esterilidade, mas fertilidade. Abrir mão de algo pelo amor de Deus significa criar espaço para Deus agir.. É um gesto que reduz o supérfluo para realçar o essencial. e o essencial, para o cristão, não é o sacrifício em si, mas a comunhão com Cristo.

A Quaresma é precisamente isto: um caminho penitencial que culmina na Semana Santa e se abre à alegria da Ressurreição. Não é um período de tristeza ritual, mas um tempo de preparação. Você atravessa o deserto para chegar à Páscoa. Abdica-se de algo temporário para lembrar que estamos destinados à eternidade.

Abstinência de carne, então, Não é uma relíquia disciplinar nem um formalismo dietético. É um sinal. E como todo sinal, pede para ser compreendido. Se continuar a ser um gesto externo, é reduzido a uma prática vazia. Se se tornar um ato consciente, torna-se uma escola de liberdade. Quer seja carne, de telas ou outros costumes arraigados, a questão continua a mesma: Sou senhor dos meus desejos ou sou governado por eles?? A penitência serve para responder a essa pergunta com um ato concreto. Porque a verdadeira mortificação é não renunciar ao que não nos custa nada, mas aprender a dizer “não” àquilo que nos domina, poder dizer um “sim” maior a Deus. E esse “sim” não se esgota em quarenta dias. É a antevisão de uma Páscoa que nunca terá fim..

Florença, 23 Fevereiro 2026

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O racional, entre símbolo, história e mal-entendidos estéticos – A justificativa: entre símbolo, história, e mal-entendidos estéticos – O racional: entre símbolo, história e mal-entendidos estéticos

italiano, inglês, espanhol

 

O RACIONAL: ENTRE SÍMBOLO, HISTÓRIA E Equívocos ESTÉTICOS

É bom dizer isso claramente, mesmo ao custo de decepcionar algum entusiasmo ingênuo: muitas vestimentas litúrgicas cristãs derivam de roupas civis, honoríficos pré-cristãos ou religiosos. La casula deriva da fita romana, a dalmática de uma vestimenta de origem oriental, a estola dá sinais de distinção civil.

— Ministério litúrgico —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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artigo em formato de impressão PDF – Artigo Formato de impressão – artigo em formato impresso

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Uma das tentações mais difundidas em certos ambientes eclesiais é parar no aparato externo da liturgia, vestimentas transformadoras, cores e formas em objetos de contemplação estética, às vezes até de satisfação de identidade.

Ontem, na celebração das Vésperas na Festa da Conversão de São Paulo, na Basílica Ostiense, o Sumo Pontífice Leão XIV usou-o pela primeira vez em seu pontificado, o racional. O risco - já amplamente verificável em vários mídia social —, é ceder ao entusiasmo fervoroso pelo que “se vê”, acompanhado, no entanto, por um conhecimento muitas vezes muito aproximado - se não completamente ausente - da génese histórica, do significado simbólico e da função teológica desses mesmos elementos que são tão fascinantes.

O racional cai totalmente nesta categoria: vestimenta muito rara, evocado com tons quase mitológicos, às vezes citado como emblema de uma liturgia “mais autêntica”, mas na realidade pouco conhecido na sua origem e no seu significado profundo. Precisamente por isso presta-se bem a uma reflexão que vai além da estética e recupera a dimensão simbólica e histórica da liturgia. Mas o que é racional? O termo racional indica uma vestimenta litúrgica usada sobre a casula ou capa, geralmente de forma retangular ou ligeiramente arqueada, ricamente decorado, usado no peito e preso nos ombros. Esta não é uma vestimenta de uso universal na Igreja Latina, nem um elemento constitutivo da celebração eucarística.

Usado em alguns contextos específicos, especialmente na esfera episcopal, com particular referência a certas Igrejas locais - nomeadamente a de Eichstätt e, de uma forma diferente, de Cracóvia -. O uso do racional nunca foi normativo para toda a Igreja, nem mesmo necessário para a validade ou legalidade do rito.

De origem bíblica, o próprio nome racional refere-se explicitamente ao peitoral do sumo sacerdote do Antigo Testamento, descrito no livro do Êxodo (É 28,15-30). Aquele babador - chamado A força da sentença (ḥōžen ha-imicpāṭ) “peitoral do julgamento” – carregava doze pedras preciosas, símbolo das doze tribos de Israel, e foi um sinal de responsabilidade sacerdotal em trazer o povo diante de Deus.

Cristianismo Nascente, como ele fez com muitos elementos do mundo antigo, ele não rejeitou símbolos pré-existentes, mas ele os assumiu e os transfigurou. A liturgia cristã não nasceu num vácuo cultural, está inserido na história, assume forma, idiomas, símbolos - mesmo vindos do mundo pagão ou judaico - e os leva de volta a Cristo. Nesta perspectiva, o racional não é um ornamento decorativo, mas um sinal teológico: lembra o ministério de responsabilidade, de discernimento e julgamento exercido não em nome próprio, mas diante de Deus e para o bem do povo.

É bom dizer isso claramente, mesmo ao custo de decepcionar algum entusiasmo ingênuo: muitas vestimentas litúrgicas cristãs derivam de roupas civis, honoríficos pré-cristãos ou religiosos. A casula deriva de saia romana, a dalmática de uma vestimenta de origem oriental, a estola dá sinais de distinção civil. Isso nunca foi um problema para a Igreja.

A liturgia nunca foi uma “reconstrução arqueológica” de uma era pura e incontaminada. Sempre foi, em vez de, uma obra de inculturação e transfiguração. O que muda não é a própria forma externa, mas o significado que a Igreja lhe atribui. Até o racional é colocado nesta linha: não é um resquício de um passado idealizado, mas um sinal que fazia sentido em certos contextos eclesiais e que hoje conserva sobretudo um valor histórico e simbólico, não regulatório.

Do ponto de vista estritamente litúrgico, o racional nunca foi uma vestimenta de uso comum, nem universal. A sua utilização sempre esteve ligada a concessões particulares, tradições locais ou privilégios específicos, nunca a uma prescrição geral da Igreja Latina. Esses dados são essenciais para evitar um erro recorrente: confundir o que é simbolicamente sugestivo com o que é teologicamente necessário. A liturgia não cresce através da acumulação de elementos externos, mas para clareza do sinal e fidelidade à sua função primária: tornar visível a ação salvadora de Cristo.

Quando o racional - como outras vestimentas raras ou obsoletas - é tomado como bandeira de identidade por certas formas de esteticismo ou como prova de uma suposta superioridade litúrgica, caímos em um profundo mal-entendido. A liturgia não é um museu, nem um palco. É a ação da Igreja, não é auto-representação de um gosto. Conheça a história das vestimentas, o seu desenvolvimento e o seu significado autêntico não empobrecem a liturgia: liberta-o das leituras ideológicas e devolve-o à sua verdade mais profunda.

Portanto o racional não é um fetiche litúrgico nem um símbolo de uma era de ouro perdida. É um sinal histórico, teológico e simbólico que fala de responsabilidade, de discernimento e serviço. Entendido em seu contexto, enriquece a compreensão da liturgia; isolado e absolutizado, isso empobrece. A verdadeira tradição não consiste em multiplicar ornamentos, mas em guardar o significado. E o significado da liturgia, ontem como hoje, não é estética, mas Cristo.

Florença, 26 Janeiro 2026

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A JUSTIFICATIVA: ENTRE SÍMBOLO, HISTÓRIA, E MAL-ENTENDIMENTOS ESTÉTICOS

Deve ser afirmado claramente, mesmo correndo o risco de decepcionar algum entusiasmo ingênuo: muitas vestimentas litúrgicas cristãs derivam de civilizações pré-cristãs., honorífico, ou vestimentas religiosas. A casula deriva da paenula romana, a dalmática de uma vestimenta de origem oriental, e o roubo de marcas de distinção civil.

— Pastoral Litúrgica —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Uma das tentações mais difundidas em certos círculos eclesiais é parar no aparato externo da liturgia, vestimentas transformadoras, cores, e se transforma em objetos de contemplação estética e, às vezes, até mesmo de autocomplacência impulsionada pela identidade.

 

Ontem, durante a celebração das Vésperas da Festa da Conversão de São Paulo, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, o Sumo Pontífice Leão XIV usou a lógica pela primeira vez em seu pontificado. O risco – já claramente observável em várias plataformas de redes sociais – é dar lugar a um entusiasmo fervoroso pelo que “é visto”, acompanhado, no entanto, por um conhecimento muitas vezes altamente aproximado - quando não totalmente ausente - da gênese histórica, significado simbólico, e função teológica daqueles mesmos elementos que tão fortemente fascinam.

A justificativa pertence totalmente a esta categoria: uma vestimenta muito rara, evocado em termos quase mitológicos, às vezes citado como emblema de uma liturgia “mais autêntica”, mas na realidade pouco conhecido em sua origem e significado mais profundo. Justamente por esse motivo, presta-se bem a uma reflexão que vai além da estética e recupera a dimensão simbólica e histórica da liturgia. Mas o que, na verdade, é a razão? O termo racional designa uma vestimenta litúrgica usada sobre a casula ou a capa, geralmente retangular ou ligeiramente curvado, ricamente decorado, usado no peito e preso nos ombros. Não é uma vestimenta de uso universal na Igreja Latina, nem é um elemento constitutivo da celebração eucarística.

Tem sido usado em certos contextos específicos, especialmente na esfera episcopal, com particular referência a certas Igrejas locais – mais notavelmente Eichstätt e, de uma forma diferente, Cracóvia. O uso da justificativa nunca foi normativo para toda a Igreja, nem nunca foi necessário para a validade ou licitude do rito.

De origem bíblica, o próprio nome racional refere-se explicitamente à couraça do sumo sacerdote do Antigo Testamento, descrito no Livro do Êxodo (Ex 28:15–30). Esse peitoral - chamado A força da sentença (Hošem ha-mišpno), “peitoral do julgamento” – trazia doze pedras preciosas, simbolizando as doze tribos de Israel, e significou a responsabilidade sacerdotal de levar o povo diante de Deus.

Cristianismo primitivo, como aconteceu com muitos elementos do mundo antigo, não rejeitou os símbolos pré-existentes, mas os assumiu e os transfigurou. A liturgia cristã não surge num vácuo cultural; está enxertado na história, assume formas, idiomas, e símbolos - incluindo aqueles extraídos do mundo pagão ou judaico - e os reorienta em direção a Cristo. Nesta perspectiva, a justificativa não é um ornamento decorativo, mas um sinal teológico: lembra o ministério de responsabilidade, discernimento, e julgamento exercido não em nome próprio, mas diante de Deus e para o bem do povo.

Também deve ser afirmado claramente, mesmo ao custo de decepcionar algum entusiasmo ingênuo: muitas vestimentas litúrgicas cristãs derivam de civilizações pré-cristãs., honorífico, ou vestimentas religiosas. A casula deriva da paenula romana, a dalmática de uma vestimenta de origem oriental, e o roubo de marcas de distinção civil. Isto nunca constituiu um problema para a Igreja.

A liturgia nunca foi uma “reconstrução arqueológica” de uma idade pura e incontaminada. Em vez de, sempre foi um trabalho de inculturação e transfiguração. O que muda não é a forma externa como tal, mas o significado que a Igreja lhe atribui. A justificativa também pertence a esta linha: não é um resquício de um passado idealizado, mas um sinal que fazia sentido em contextos eclesiais específicos e que hoje conserva sobretudo um valor histórico e simbólico, não é normativo.

Do ponto de vista estritamente litúrgico, a lógica nunca foi uma vestimenta de uso comum ou universal. Seu emprego sempre esteve vinculado a concessões particulares, tradições locais, ou privilégios específicos, nunca a uma prescrição geral da Igreja Latina. Este dado é fundamental para evitar um erro recorrente: confundir o que é simbolicamente evocativo com o que é teologicamente necessário. A liturgia não cresce através da acumulação de elementos externos, mas através da clareza do sinal e da fidelidade à sua função primária: tornar visível a acção salvífica de Cristo.

Quando a justificativa — como outras vestimentas raras ou obsoletas — é considerada uma bandeira identitária por certas formas de esteticismo ou como prova de uma alegada superioridade litúrgica, cai-se num profundo mal-entendido. A liturgia não é um museu, nem um palco. É a ação da Igreja, não a auto-representação de um gosto. Conhecendo a história das vestimentas, seu desenvolvimento, e o seu significado autêntico não empobrece a liturgia: liberta-o das leituras ideológicas e restaura-o à sua verdade mais profunda.

A justificativa, assim sendo, não é um fetiche litúrgico nem um símbolo de uma era de ouro perdida. É um histórico, teológico, e sinal simbólico que fala de responsabilidade, discernimento, e serviço. Entendido dentro de seu contexto, enriquece a compreensão da liturgia; isolado e absolutizado, isso empobrece. A verdadeira tradição não consiste em multiplicar ornamentos, mas na salvaguarda do significado. E o significado da liturgia, ontem como hoje, não é estética, mas Cristo.

Florença, 26 Janeiro 2026

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O RACIONAL: ENTRE SÍMBOLO, HISTÓRIA E Equívocos ESTÉTICOS

Vale a pena dizer isso claramente, mesmo correndo o risco de desiludir algum entusiasmo ingênuo: muitas vestimentas litúrgicas cristãs vêm de vestimentas civis, honoríficos pré-cristãos ou religiosos. A cassulla deriva do painel romano, a dalmática de uma vestimenta de origem oriental e a estola de sinais de distinção civil.

— Pastoral litúrgica —

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AutorSimone Pifizzi

Autor
Simone Pifizzi

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Uma das tentações mais difundidas em certos ambientes eclesiais é parar no aparelho externo da liturgia, transformando paramentos, cores e formas em objetos de contemplação estética e, às vezes, até mesmo complacência de identidade.

Ayer, durante a celebração das Vésperas na Festa da Conversão de São Paulo, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, O Sumo Pontífice Leão XIV usou o racional pela primeira vez em seu pontificado. O risco – já amplamente verificável em diversas redes sociais – é ceder ao entusiasmo fervoroso pelo que “se vê”., acompañados, no entanto, de um conhecimento muitas vezes muito aproximado – se não totalmente ausente – da génese histórica, do significado simbólico e da função teológica desses mesmos elementos que tanto fascinam.

O racional se enquadra totalmente nesta categoria: um enfrentamento muito raro, evocado com tons quase mitológicos, às vezes citado como emblema de uma liturgia “mais autêntica”, mas na realidade pouco conhecido na sua origem e no seu significado profundo. Justamente por esse motivo, presta-se a uma reflexão que vai além da estética e recupera a dimensão simbólica e histórica da liturgia. Mas qual é o racional? O termo racional é usado para designar uma vestimenta litúrgica usada sobre a casula ou capa de chuva., geralmente de forma retangular ou ligeiramente curvada, ricamente decorado, colocado no peito e preso aos ombros. Não é uma vestimenta de uso universal na Igreja Latina, nem de elemento constitutivo da celebração eucarística.

Seu uso tem ocorrido em alguns contextos específicos, especialmente na esfera episcopal, com especial referência a algumas Igrejas locais - nomeadamente a de Eichstätt e, de várias maneiras, o de Cracóvia -. O uso do racional nunca foi normativo para toda a Igreja, muito menos necessário para a validade ou legalidade do rito.

De origem bíblica, o próprio nome racional refere-se explicitamente ao peitoral do sumo sacerdote do Antigo Testamento, descrito no livro do Êxodo (Ex 28,15-30). Esse peitoral - chamado A força da sentença (ḥōžen ha-imicpāṭ), “peitoral do julgamento” – carregava doze pedras preciosas, símbolo das doze tribos de Israel, e foi um sinal da responsabilidade sacerdotal de levar o povo diante de Deus.

Cristianismo Nascente, como ele fez com muitos elementos do mundo antigo, não rejeitou símbolos pré-existentes, mas ele os assumiu e os transfigurou. A liturgia cristã não nasce num vácuo cultural: está inserido na história, assume formas, línguas e símbolos — também vindos do mundo pagão ou judaico — e os traz de volta a Cristo. Nesta perspectiva, o racional não é um ornamento decorativo, mas um sinal teológico: envia para o ministério de responsabilidade, de discernimento e julgamento exercido não em nome próprio, mas diante de Deus e para o bem do povo.

Também é importante dizer isso claramente, mesmo ao custo de desiludir algum entusiasmo ingênuo: muitas vestimentas litúrgicas cristãs vêm de vestimentas civis, honoríficos pré-cristãos ou religiosos. A cassulla deriva do painel romano, a dalmática de uma vestimenta de origem oriental e a estola de sinais de distinção civil. Isso nunca representou um problema para a Igreja.

A liturgia nunca foi uma “reconstrução arqueológica” de um tempo puro e incontaminado. Sempre foi, em vez de, uma obra de inculturação e transfiguração. O que muda não é a própria forma externa, mas o significado que a Igreja lhe atribui. O racional também está situado nesta linha: não como um resíduo de um passado idealizado, mas como um sinal que fazia sentido em determinados contextos eclesiais e que hoje conserva, sobretudo, um valor histórico e simbólico., não normativo.

Do ponto de vista estritamente litúrgico, o racional nunca foi uma face de uso comum ou universal. A sua utilização sempre esteve ligada a concessões particulares, tradições locais ou privilégios específicos, nunca a uma prescrição geral da Igreja Latina. Esta informação é essencial para evitar um erro recorrente: confundir o que é simbolicamente sugestivo com o que é teologicamente necessário. A liturgia não cresce por acumulação de elementos externos, mas para clareza do sinal e fidelidade à sua função primária: tornar visível a ação salvadora de Cristo.

Quando o racional — como outras vestimentas raras ou em desuso — é assumida como padrão de identidade por certas formas de esteticismo ou como prova de uma alegada superioridade litúrgica, há um profundo mal-entendido. A liturgia não é um museu nem um palco. É a ação da Igreja, não-auto-representação de um gosto. Conheça a história das paredes, o seu desenvolvimento e o seu significado autêntico não empobrecem a liturgia: Liberta-o das leituras ideológicas e devolve-o à sua verdade mais profunda..

O racional, portanto, não é um fetiche litúrgico nem um símbolo de uma era de ouro perdida. É um sinal histórico, teológico e simbólico que fala de responsabilidade, discernimento e serviço. Entendido no contexto, enriquece a compreensão da liturgia; isolado e absolutizado, empobrece ela. A verdadeira tradição não consiste em multiplicar ornamentos, mas em guardar o significado. E o significado da liturgia, ontem como hoje, não é a estética, mas Cristo.

Florença, 26 Janeiro 2026

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Os Padres da Ilha de Patmos

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A liturgia como catequese viva. Porque não é um lago para ser fortalecido – A liturgia como catequese viva. Por que não é uma piscina estagnada a ser preservada – A liturgia como catequese viva. Por que não é um lago que deveria congelar

 

italiano, inglês, espanhol

 

A LITURGIA COMO CATEQUESE VIVA. PORQUE NÃO É UM LAGO A SER CONFIRMADO

Como lembrou São João Paulo II, fazendo seu próprio ditado famoso de Gustav Mahler, Tradição não é preservação de cinzas, mas a tutela do fogo. Uma liturgia que não cresce e se desenvolve nas suas formas é uma liturgia que deixa de ser uma linguagem viva de fé.

— Ministério litúrgico —

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Autor
Simone Pifizzi

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artigo em formato de impressão PDF – formato de impressão do artigo – artigo em formato impresso

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Nos últimos anos temos assistido à proliferação de grupos e ambientes que fazem da liturgia - e em particular da celebração eucarística - não o lugar da unidade eclesial, mas um terreno de conflito ideológico. Não se trata simplesmente de uma questão de sensibilidades diferentes ou de preferências rituais legítimas., mas sim um uso instrumental da liturgia como elemento estético, identidade ou como bandeira ideológica. Em muitos casos, este fenómeno é promovido por grupos estritamente leigos que, em vez de expressar uma fé eclesial madura, eles projetam fragilidades pessoais na liturgia, desconfortos internos e necessidades de autoconfiança de identidade.

Precisa ser dito claramente: usar o Sacrifício Eucarístico como instrumento de divisão é um fato eclesial gravíssimo, porque atinge o próprio coração da vida da Igreja. A liturgia nunca foi concebida como um lugar de autodefinição subjetiva, mas como espaço onde a Igreja se acolhe do mistério que celebra. Quando a liturgia se inclina para fins estranhos à sua natureza, é esvaziado e reduzido ao que nunca foi.

A liturgia é um ato público da Igreja, não é iniciativa privada nem linguagem de grupo. O Concílio Vaticano II expressou claramente esta verdade ao afirmar que a liturgia é «o ápice para o qual tende a ação da Igreja e, juntos, a fonte de onde emana toda a sua virtude" (Santo Conselho, n. 10). Não é um acessório da vida eclesial, mas o lugar onde a Igreja se manifesta como Corpo de Cristo.

Usar a liturgia para dividir significa contradizer a sua natureza mais profunda. A liturgia não foi criada para expressar identidades particulares, mas para gerar comunhão. Santo Agostinho já recordava aos fiéis que o que se celebra no altar é aquilo que eles próprios são chamados a tornar-se.: «Seja o que você vê e receba o que você é» (Falar 272). Quando a liturgia se transforma em instrumento de oposição, não é a Igreja que fala, mas o ego eclesial de indivíduos ou grupos.

A liturgia como catequese viva. Um dos aspectos mais negligenciados por aqueles que reduzem a liturgia a uma questão estética é a sua dimensão catequética intrínseca. A liturgia não é apenas celebração, mas também uma forma primária de transmissão da fé. Antes mesmo dos catecismos e das formulações doutrinárias, a Igreja educada na fé celebrando.

Os Padres da Igreja eles estavam plenamente conscientes disso. São Cirilo de Jerusalém, em seu Catequeses mistagógicas, ele não explicou os Sacramentos antes de sua celebração, mas a partir da experiência litúrgica, porque é o mistério celebrado que gera a compreensão da fé. A Liturgia, na verdade, ele não ensina apenas através de palavras, mas através do conjunto de sinais: convidados, silêncios, postura, ritmos, linguagens simbólicas (São Cirilo de Jerusalém, Catequese mistagógica eu, 1).

Reduzindo a liturgia à estética significa esvaziá-lo de sua função formativa e transformá-lo em objeto a ser contemplado em vez de mistério a ser vivenciado. Assim deixa de ser catequese viva e passa a ser uma experiência autorreferencial, incapaz de gerar uma fé adulta e eclesial.

Substância e acidentes é uma distinção teologicamente essencial e deve ser muito bem esclarecida, porque na raiz de muitos desvios litúrgicos está a confusão - por vezes deliberada - entre estes dois elementos. Teologia sacramental, desde a Idade Média, ele sempre distinguiu claramente esses dois níveis.

A substância é sobre o que faz do Sacramento o que ele é: o Sacrifício de Cristo, a presença real, a forma sacramental desejada pelo Senhor e salvaguardada pela Igreja. Esta dimensão é imutável, porque não depende de contingências históricas, mas da ação salvadora de Cristo.

Acidentes, em vez de, eles incluem os elementos externos da celebração: a língua, formas rituais, a disciplina, as estruturas comemorativas. Eles não são apenas mutáveis, mas eles devem mudar, porque a liturgia está inserida na história e é chamada a falar a homens e mulheres concretos. O próprio Concílio de Trento, muitas vezes evocado de forma inadequada, reconheceu a autoridade da Igreja para dispor dos ritos "salvar e integrar a substância dos sacramentos" (Concílio de Trento, sessão. XXI).

Elevar um idioma, como latim, ou um ritual histórico, como o Missal de São Pio V, na categoria de artigos de fé é um grave erro teológico. Não porque esses elementos sejam inúteis, mas porque pertencem à ordem dos acidentes e não à da substância. Confundir estes níveis significa absolutizar o que está historicamente determinado e relativizar o que é essencial.

A história da liturgia testemunha que a Igreja nunca concebeu o culto como uma realidade imóvel. Nos primeiros séculos coexistiram diferentes ritos; a disciplina sacramental sofreu profundas transformações; as formas celebrativas mudaram em resposta às novas necessidades pastorais e culturais. Tudo isso aconteceu sem que a fé da Igreja desaparecesse, precisamente porque a distinção entre substância e acidentes sempre foi salvaguardada.

Pensar na liturgia como uma realidade a ser “congelada” significa adotar uma visão museal da Igreja, estranho à sua natureza. Como lembrou São João Paulo II, fazendo seu próprio ditado famoso de Gustav Mahler, Tradição não é preservação de cinzas, mas a tutela do fogo. Uma liturgia que não cresce e se desenvolve nas suas formas é uma liturgia que deixa de ser uma linguagem viva de fé.

A liturgia não é uma arma ideológica, não é um refúgio estético, não é um terreno de reivindicações de identidade. É o lugar onde a Igreja recebe a sua forma do mistério que celebra. Quando a liturgia divide, não é a liturgia que está em crise, mas as pessoas que a utilizam para preencher vazios internos ou para construir identidades alternativas à comunhão eclesial.

Florença, 12 Janeiro 2026

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A LITURGIA COMO CATEQUESE VIVA. POR QUE NÃO É UMA PISCINA ESTAGNADA PARA SER PRESERVADA

Como recordou São João Paulo II, tornando seu um ditado conhecido de Gustav Mahler, Tradição não é preservação de cinzas, mas a salvaguarda do fogo. Uma liturgia que não cresce e não se desenvolve nas suas formas é uma liturgia que deixa de ser linguagem viva de fé.

— Pastoral Litúrgica —

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Autor
Simone Pifizzi

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Nos últimos anos, tem havido uma notável proliferação de grupos e ambientes que fazem da liturgia — e em particular da celebração eucarística — não o lugar da unidade eclesial, mas um campo de confronto ideológico. Isto não é simplesmente uma questão de diferentes sensibilidades ou preferências rituais legítimas., mas sim de um uso instrumental da liturgia como recurso estético, elemento formador de identidade ou como bandeira ideológica. Em muitos casos, este fenómeno é promovido por grupos estritamente leigos que, em vez de expressar uma fé eclesial madura, projetar na liturgia as fragilidades pessoais, desconfortos internos, e necessidades de autoconfiança baseada na identidade.

Isto deve ser afirmado claramente: usar o Sacrifício Eucarístico como meio de divisão é um assunto eclesialmente muito sério, porque atinge o próprio coração da vida da Igreja. A liturgia nunca foi concebida como um espaço de autodefinição subjetiva, mas como lugar onde a Igreja se acolhe do mistério que celebra. Quando a liturgia se volta para fins estranhos à sua natureza, é esvaziado e reduzido a algo que nunca foi.

A liturgia é um ato público da Igreja, não é uma iniciativa privada nem a linguagem de um grupo. O Concílio Vaticano II expressou esta verdade com clareza, afirmando que a liturgia é “o ápice para o qual se dirige a atividade da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde flui todo o seu poder” (Santo Conselho, não. 10). Não é um acessório da vida eclesial, mas o lugar onde a Igreja se manifesta como Corpo de Cristo.

Usar a liturgia como instrumento de divisão significa contradizer sua natureza mais profunda. A liturgia não nasce para expressar identidades particulares, mas para gerar comunhão. Santo Agostinho já lembrava aos fiéis que o que se celebra no altar é aquilo que eles próprios são chamados a ser: “Seja o que você vê, e receba o que você é” (Falar 272). Quando a liturgia se transforma em instrumento de oposição, não é a Igreja que fala, mas o ego eclesial de indivíduos ou grupos.

A liturgia como catequese viva. Um dos aspectos mais negligenciados por quem reduz a liturgia a uma questão estética é a sua dimensão catequética intrínseca. A liturgia não é apenas celebração, mas também a forma primeira de transmissão da fé. Antes mesmo dos catecismos e das formulações doutrinárias, a Igreja educou os fiéis celebrando.

Os Padres da Igreja estavam plenamente conscientes disso. São Cirilo de Jerusalém, em seu Catequeses Mistagógicas, não explicou os Sacramentos antes de sua celebração, mas a partir da própria experiência litúrgica, porque é o mistério celebrado que gera compreensão da fé. De fato, a liturgia ensina não só através de palavras, mas através de todo o conjunto de signos: gestos, silêncios, posturas, ritmos, e linguagens simbólicas (São Cirilo de Jerusalém, Catequese Mistagógica eu, 1).

Reduzir a liturgia à estética significa esvaziá-lo de sua função formativa e transformá-lo em objeto a ser contemplado e não em mistério a ser vivido. Desta maneira, deixa de ser catequese viva e se torna uma experiência autorreferencial, incapaz de gerar uma fé madura e eclesial.

Substância e acidentes: uma distinção necessária. A distinção entre substância e acidentes é teologicamente indispensável e deve ser claramente explicada, porque na raiz de muitas distorções litúrgicas está a confusão — às vezes deliberada — entre estes dois elementos. Teologia sacramental, desde a Idade Média, sempre distinguiu claramente entre estes dois níveis.

Substância diz respeito ao que torna um sacramento o que é: o Sacrifício de Cristo, a verdadeira presença, a forma sacramental querida pelo Senhor e salvaguardada pela Igreja. Esta dimensão é imutável, porque não depende de contingências históricas, mas na ação salvadora de Cristo.

Acidentes, por outro lado, incluir os elementos externos da celebração: linguagem, formas rituais, disciplinas, e estruturas comemorativas. Esses elementos não são apenas mutáveis, mas deve mudar, porque a liturgia está inserida na história e é chamada a falar a homens e mulheres concretos. O próprio Concílio de Trento, muitas vezes invocado indevidamente, reconheceu a autoridade da Igreja para regular os ritos, “a substância dos sacramentos sendo preservada intacta” (Concílio de Trento, Sessão XXI).

Para elevar um idioma, como o latim, ou um rito histórico, como o Missal de São Pio V, à categoria de artigos de fé é um grave erro teológico. Não porque tais elementos careçam de valor, mas porque pertencem à ordem dos acidentes e não à da substância. Confundir estes níveis significa absolutizar o que está determinado historicamente e relativizar o que é essencial..

A história da liturgia mostra que a Igreja nunca concebeu o culto como uma realidade imóvel. Nos primeiros séculos, diferentes ritos coexistiam; a disciplina sacramental sofreu profundas transformações; formas celebrativas mudaram em resposta às novas necessidades pastorais e culturais. Tudo isso aconteceu sem que a fé da Igreja fosse diminuída, precisamente porque a distinção entre substância e acidentes sempre foi preservada.

Pensar na liturgia como algo a ser “congelado” é adotar uma visão museológica da Igreja, estranho à sua natureza. Como recordou São João Paulo II, tornando seu um ditado conhecido de Gustav Mahler, Tradição não é preservação de cinzas, mas a salvaguarda do fogo. Uma liturgia que não cresce e não se desenvolve nas suas formas é uma liturgia que deixa de ser linguagem viva de fé.

A liturgia não é uma arma ideológica, não é um refúgio estético, não é um terreno para reivindicações baseadas em identidade. É o lugar onde a Igreja recebe a sua forma do mistério que celebra. Quando a liturgia divide, não é a liturgia que está em crise, mas as pessoas que a utilizam para preencher vazios interiores ou para construir identidades alternativas à comunhão eclesial.

Florença, 12 Janeiro 2026

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A LITURGIA COMO CATEQUESE VIVA. POR QUE NÃO É UM LAGO QUE DEVE CONGELAR

Como lembrou São João Paulo II, adotando um famoso ditado de Gustav Mahler, Tradição não é preservação de cinzas, mas a guarda do fogo. Uma liturgia que não cresce nem se desenvolve nas suas formas é uma liturgia que deixa de ser uma linguagem viva de fé..

— Pastoral litúrgica —

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Autor
Simone Pifizzi

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Nos últimos anos Tem havido uma proliferação de grupos e ambientes que fazem da liturgia – e em particular da celebração eucarística – não o lugar da unidade eclesial., mas um campo de confronto ideológico. Não se trata simplesmente de uma questão de sensibilidades diversas ou de preferências rituais legítimas., mas sim um uso instrumental da liturgia como elemento estético, identidade ou como bandeira ideológica. Em muitos casos, Este fenómeno é promovido por grupos estritamente seculares que, mais do que expressar uma fé eclesial madura, projetar fragilidades pessoais na liturgia, desconfortos interiores e necessidades de autoafirmação identitária.

É necessário dizer isso claramente: Utilizar o Sacrifício Eucarístico como instrumento de divisão é um facto de extrema gravidade eclesial., porque atinge o próprio coração da vida da Igreja. A liturgia nunca foi concebida como um lugar de autodefinição subjetiva, mas como espaço no qual a Igreja recebe de si o mistério que celebra. Quando a liturgia for submetida a finalidades estranhas à sua natureza, é esvaziado e reduzido a algo que nunca foi.

A liturgia é um ato público da Igreja, não é uma iniciativa privada nem a linguagem de um grupo. O Concílio Vaticano II expressou claramente esta verdade quando afirmou que a liturgia é “o ápice para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde flui toda a sua força” (Santo Conselho, n. 10). Não é um acessório da vida eclesial, mas o lugar onde a Igreja se manifesta como Corpo de Cristo.

Use a liturgia para dividir significa contradizer sua natureza mais profunda. A liturgia não foi criada para expressar identidades particulares, mas para gerar comunhão. Santo Agostinho já lembrava aos fiéis que o que se celebra no altar é aquilo que eles são chamados a ser.: “Seja o que você vê e receba o que você é” (Falar 272). Quando a liturgia se torna instrumento de confronto, Não é a Igreja que fala, mas o ego eclesial de indivíduos ou grupos.

A liturgia como catequese viva. Um dos aspectos mais negligenciados por quem reduz a liturgia a uma questão estética é a sua dimensão catequética intrínseca.. A liturgia não é apenas celebração, mas também a primeira forma de transmissão da fé. Antes mesmo dos catecismos e das formulações doutrinárias, a Igreja educada na fé celebrando.

Os Padres da Igreja Eles estavam plenamente conscientes disso.. São Cirilo de Jerusalém, em seu catequese mistagógica, não explicou os Sacramentos antes de sua celebração, mas da experiência litúrgica, porque é o mistério celebrado que gera a compreensão da fé. A Liturgia, de fato, não ensina apenas através de palavras, mas através do conjunto de sinais: gestos, silêncios, posturas, ritmos e linguagens simbólicas (São Cirilo de Jerusalém, Catequese mistagógica eu, 1).

Reduzir a liturgia à estética Significa esvaziá-lo de sua função formativa e transformá-lo em objeto a ser contemplado e não em mistério a ser vivido.. Desta forma deixa de ser um catecismo vivo e passa a ser uma experiência autorreferencial., incapaz de gerar uma fé adulta e verdadeiramente eclesial.

Substância e acidentes: uma distinção essencial. A distinção entre substância e acidentes é teologicamente essencial e deve ser esclarecida com precisão., porque na raiz de muitas derivas litúrgicas está a confusão — às vezes deliberada — entre estes dois elementos. Teologia sacramental, desde a Idade Média, sempre distinguiu claramente estes dois níveis.

A substância refere-se àquilo que faz de um sacramento o que ele é: o Sacrifício de Cristo, a verdadeira presença, a forma sacramental querida pelo Senhor e guardada pela Igreja. Esta dimensão é imutável, porque não depende de contingências históricas, mas da ação salvadora de Cristo.

Os acidentes, em vez de, Eles incluem os elementos externos da celebração: a língua, formas rituais, as disciplinas, as estruturas comemorativas. Esses elementos não são apenas mutáveis, mas eles devem mudar, porque a liturgia está inserida na história e é chamada a falar a homens e mulheres específicos. O próprio Concílio de Trento, muitas vezes invocado indevidamente, reconheceu a autoridade da Igreja para dispor dos ritos, “salva e integra a substância dos sacramentos” (Concílio de Trento, XXI sessão).

Levante a língua, como latim, o un rito histórico, como o Missal de São Pio V, à categoria de artigos de fé constitui um grave erro teológico. Não porque tais elementos sejam inúteis, mas porque pertencem à ordem dos acidentes e não à da substância. Confundir estes planos significa absolutizar o que está historicamente determinado e relativizar o que é essencial..

A história da liturgia demonstra que a Igreja nunca concebeu o culto como uma realidade imóvel. Nos primeiros séculos, vários ritos coexistiram; a disciplina sacramental sofreu profundas transformações; As formas comemorativas mudaram em resposta às novas demandas pastorais e culturais. Tudo isso ocorreu sem que a fé da Igreja fosse prejudicada., precisamente porque a distinção entre substância e acidentes sempre foi salvaguardada.

Pensar a liturgia como uma realidade que deve ser “congelada” Significa adotar uma visão museal da Igreja, estranho à sua natureza. Como lembrou São João Paulo II, adotando um famoso ditado de Gustav Mahler, Tradição não é preservação de cinzas, mas a guarda do fogo. Uma liturgia que não cresce nem se desenvolve nas suas formas é uma liturgia que deixa de ser uma linguagem viva de fé..

A liturgia não é uma arma ideológica, Não é um refúgio estético, Não é um terreno de reivindicação de identidade. É o lugar onde a Igreja recebe a sua forma do mistério que celebra.. Quando a liturgia divide, Não é a liturgia que está em crise, mas as pessoas que a utilizam para preencher vazios interiores ou para construir identidades alternativas à comunhão eclesial.

Florença, 12 Janeiro 2026

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No sábado indo à missa – No sábado indo à missa – Indo à missa no sábado

 

italiano, espanhol, inglês.

 

NO SÁBADO VAI À MISSA

A concessão vem de longe e encontra a sua justificação tanto numa antiga prática litúrgica, e porque é ditado pela preocupação pastoral que deseja que todos os batizados possam cumprir o preceito de participação na Santa Missa e aproximar-se da mesa do Senhor.

— Ministério litúrgico —

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Autor
Simone Pifizzi

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.artigo em formato de impressão PDF – Artigo em PDF em formato impresso – Formato de impressão de artigo em PDF

 

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Precisamos voltar no tempo e para ser preciso em 1970, quando Gigliola Cinquetti, cantor de sucesso naquela época, ele cantou uma música que permaneceu famosa, por título: «Ir à missa no domingo».

Porque naquela época a participação na Missa ainda era um costume bem enraizado na cultura e na fé do povo cristão, pelo menos em Itália. Hoje, porém, constatamos com consternação o descontentamento que surgiu entre os batizados em relação à participação na Eucaristia dominical.. É algo que dói, especialmente sacerdotes, e os motivos são tantos que não é possível torná-los objeto de uma breve discussão como esta.

A Liturgia Cristã, tanto nos seus aspectos fundamentais como nos mais puramente rituais, sempre foi um assunto delicado, no entanto, às vezes de disputa. Para todo sempre, não só hoje. Para citar um exemplo marcante, todos nos lembramos das repreensões do apóstolo Paulo aos turbulentos coríntios em relação à sua participação desordenada na "Ceia do Senhor" (1CR 11,20-34).

Como então, ainda hoje os fiéis recorrem aos sacerdotes, em particular aqueles que cuidam das almas, pedir explicações ou mais informações sobre alguns dos aspectos que se referem à Liturgia. Entre estes, uma pergunta que ainda é feita às vezes, diz respeito à validade da Eucaristia de sábado à noite, comumente chamado: «Missa pré-feriado». Um termo que não é exatamente adequado como veremos, mas agora é normal, já que na verdade é uma celebração que acontece durante o período de férias, segundo as indicações que a Igreja deu aos fiéis para satisfazer as suas necessidades.

Não levamos isso em consideração aqui aqueles que são excessos ou abusos da celebração no dia de sábado. Nós sabemos disso, por exemplo, as chamadas Comunidades Neocatecumenais, celebram a Eucaristia apenas no sábado à noite e quase nunca juntos com o resto da comunidade paroquial. Nós lembramos, sobre isso, o que a Nota Pastoral do C.E.I. diz. O dia do Senhor, a 15 Julho 1984. Ou seja, o Domingo é também o dia da igreja, o dia da Igreja. Uma comunidade unida na fé e na caridade é o primeiro sacramento da presença do Senhor entre o seu povo. A celebração da Missa festiva deve, portanto, reunir toda a comunidade cristã em torno do Bispo ou de quem o representa legitimamente nas paróquias.:

«O grupo ou movimento, sozinho, Eu não sou a assembleia: eles fazem parte da assembléia dominical, assim como fazem parte da Igreja".

Critério pastoral fundamental é portanto necessário garantir uma celebração comunitária, que manifesta e realiza a participação ativa dos fiéis e a variedade de ministérios, na unidade daquele corpo místico que é a Igreja (cf.. não. 9 e 10).

Mas há aqueles também, como aqueles que contaríamos entre os conservadores, que torcem o nariz à celebração eucarística antecipada para a véspera de domingo, uma celebração ou solenidade. Deve-se lembrar que esta possibilidade de celebração noturna foi estabelecida antes do Concílio Vaticano II pelo Papa Pio XII com a constituição apostólica Cristo o Senhor a 1953 e então col Motu proprio Sagrada Comunhão a 1957, acompanhado de um comentário do Cardeal Alfredo Ottaviani que se expressou da seguinte forma:

«Assim amadureceu o fruto benéfico da Constituição Apostólica Cristo o Senhor a 6 Janeiro 1953, que já abriu as portas para uma possibilidade mais ampla de os fiéis se alimentarem do Pão da vida».

A razão pela qual esta possibilidade foi concedida era de uma natureza primorosamente pastoral. O Sumo Pontífice quis encontrar-se com aqueles que por motivos decisivos não puderam participar na celebração da manhã de domingo. Assim, retomando o costume judaico de começar o dia a partir do pôr do sol da noite anterior - como pode ser visto nesta famosa passagem bíblica de Gênesis 1,5b: «E era noite e era manhã, primeiro dia" — a comunidade cristã dos primeiros séculos celebrava os dias de solenidades e domingos a partir da noite anterior, com as "primeiras vésperas"; isto é, com a oração litúrgica ligada ao pôr do sol do dia anterior. Desta forma,, exemplificar, o dia litúrgico do domingo começa com as primeiras vésperas que são celebradas no sábado à noite. É por isso que desde 1953, graças à constituição apostólica do Papa Pio XII, no sábado à tarde foi possível celebrar além das primeiras vésperas, também a liturgia eucarística dominical, dando assim maior disponibilidade de tempo para cumprir o preceito festivo e poder celebrar o Dia do Senhor.

Na validade, assim, da Missa celebrada nas vésperas de sábado ou uma solenidade, não há nada do que reclamar. A regra que se aplica, como acontece com todas as outras coisas, é seguir o que a Igreja nos diz, uma vez que certas escolhas ou decisões são sempre o resultado de uma reflexão cuidadosa e ponderada. Desta forma, a possibilidade de celebrar a missa festiva nas vésperas de sábado tornou-se a norma da Igreja, como lemos no Código de Direito Canônico no cânone 1248, §1:

«Quem o assiste onde quer que seja celebrado no rito católico satisfaz o preceito de participar na Missa, ou no mesmo dia de feriado, ou nas vésperas do dia anterior".

Daqui resulta que a possibilidade de cumprimento do preceito festivo, também a partir das vésperas do dia anterior à festa, não está mais vinculado a uma faculdade concedida pela Santa Sé ao bispo e por ele aos párocos, para certas missas - as chamadas "missas pré-feriadas" - mas é um direito reconhecido a todos os fiéis e estende-se a qualquer missa celebrada nas vésperas de sábado ou vésperas de festa. Também encontramos as palavras do Código idênticas no Catecismo da Igreja Católica nos números 2180 com a premissa necessária: «Aos domingos e outros dias santos de preceito, os fiéis são obrigados a participar na missa».

Aos fiéis italianos os bispos na referida nota pastoral O dia do Senhor a 1984, dê a seguinte indicação: «Liturgicamente o um feriado começa com as primeiras vésperas do dia anterior à festa; assim no sábado à noite, do ponto de vista litúrgico, já é domingo" (n. 34).

Como é óbvio, o domingo é o dia por excelência para o cristão, dia que comemora a Ressurreição de Cristo e em si insubstituível. Na verdade, isto é o que diz o Catecismo sobre o número 2185: «Durante os domingos e outros feriados, os fiéis se absterão de dedicar-se a trabalhos ou atividades que impeçam o culto devido a Deus, a alegria própria do dia do Senhor, a prática das obras de misericórdia e o necessário relaxamento da mente e do corpo».

Com possibilidade de participar na celebração da noite de sábado evidentemente, algo do que o Catecismo indicou acima se perdeu, pelo menos três das quatro características do domingo cristão. Mãe, como pode ser visto, a concessão vem de longe e encontra a sua justificação tanto numa antiga prática litúrgica, e porque é ditado pela preocupação pastoral que deseja que todos os batizados possam cumprir o preceito de participação na Santa Missa e aproximar-se da mesa do Senhor.

Florença, 20 dezembro 2025

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NO SÁBADO VAI À MISSA

Esta concessão tem as suas raízes numa antiga práxis litúrgica e encontra a sua justificação tanto na tradição como na pastoral., que deseja que todos os batizados possam cumprir o preceito da participação na Santa Missa e aproximar-se da mesa do Senhor.

— Pastoral litúrgica —

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Autor
Simone Pifizzi

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Um famoso cantor italiano, Gigliola Cinquetti, Também conhecida em vários países da América Latina por suas canções traduzidas para o espanhol. (exemplo de uma música famosa: AQUI) realizado em 1971 uma música que ficou famosa: No domingo, quando for à missa.

Isto é explicado porque naquela época a participação na Santa Missa era ainda um costume profundamente enraizado na cultura e na fé do povo cristão., pelo menos na Itália. Olá, em vez de, Notamos com pesar o distanciamento que foi gerado entre muitos batizados no que diz respeito à participação na Eucaristia dominical. É uma realidade que causa sofrimento, especialmente entre os sacerdotes, e cujas causas são tão numerosas e complexas que não podem ser adequadamente abordadas numa breve reflexão como esta..

A Liturgia Cristã, tanto nos seus aspectos fundamentais como nos mais propriamente rituais, sempre foi uma área delicada e, em muitas ocasiões, motivo para discussão. É assim que sempre foi, não só em nossos dias. Apenas lembre-se, como um exemplo significativo, as severas advertências do apóstolo Paulo à turbulenta comunidade coríntia a respeito de sua participação desordenada na "Ceia do Senhor" (cf. 1 CR 11,20-34).

como então, Também hoje, os fiéis recorrem aos sacerdotes — especialmente aos que se dedicam à pastoral das almas — para pedir esclarecimentos ou maiores aprofundamentos sobre alguns aspectos relacionados com a Liturgia.. Entre essas consultas, Uma questão que às vezes ainda se levanta é a validade da Eucaristia celebrada no sábado à tarde., comumente chamada de "missa pré-festiva". Uma expressão não totalmente apropriada, como veremos, mas já em uso regular, já que na verdade é uma celebração que acontece dentro do período festivo, de acordo com as instruções que a Igreja deu aos fiéis para responder às suas necessidades.

O critério pastoral fundamental é, portanto, a exigência de garantir uma celebração comunitária que manifeste e realize a participação ativa dos fiéis e a diversidade dos ministérios, na unidade daquele Corpo místico que é a Igreja (cf. NN. 9 e 10).

Mas também há aqueles que — entre os quais poderíamos contar os chamados conservadores — manifestam o seu descontentamento na celebração eucarística antecipada do dia anterior ao domingo, para uma festa ou solenidade. Vale lembrar que esta possibilidade de celebração noturna foi instituída antes do Concílio Vaticano II pelo Papa Pio XII., através da Constituição Apostólica Cristo o Senhor a partir de 1953, e mais tarde com o Motu proprio Sagrada Comunhão a partir de 1957, acompanhado por um comentário do Cardeal Alfredo Ottaviani, que se expressou nestes termos:

«Assim amadureceu o fruto benéfico da Constituição Apostólica Cristo o Senhor a 6 Janeiro 1953, “que já abriu as portas para uma possibilidade mais ampla de os fiéis serem nutridos pelo Pão da vida”..

A razão pela qual esta possibilidade foi concedida era de natureza estritamente pastoral. O Sumo Pontífice quis sair ao encontro daqueles fiéis que, por motivos sérios, Eles não puderam participar da celebração da manhã de domingo. Por isso, retomando o uso judaico de começar o dia ao pôr do sol da tarde anterior - como pode ser visto na conhecida passagem bíblica de Gênesis 1:5b: «E houve a noite e houve a manhã: primeiro dia" -, A comunidade cristã dos primeiros séculos celebrava solenidades e domingos a partir da tarde anterior, com as chamadas "primeiras vésperas", isto é,, com a oração litúrgica ligada ao pôr do sol do dia anterior.

Então, como exemplo, O dia litúrgico de domingo começa com as Primeiras Vésperas celebradas no sábado à tarde. Por esta razão, de 1953, graças à Constituição Apostólica de Pio XII, foi possível celebrar no sábado à tarde — além das primeiras vésperas — também a liturgia eucarística dominical, oferecendo assim maior disponibilidade de tempo para cumprir a obrigação festiva e celebrar o Dia do Senhor.

No que diz respeito, portanto, à validade da Missa celebrada no sábado à noite ou na véspera de solenidade, não há objeção. A regra que rege, como em todos os outros assuntos, é seguir o que a Igreja indica, uma vez que certas decisões e disposições são sempre o resultado de uma reflexão cuidadosa e ponderada. Por isso, A possibilidade de celebrar a missa festiva no sábado à noite tornou-se norma da Igreja, como lemos no Código de Direito Canônico, no cânone 1248, §1:

«Quem a assiste onde quer que seja celebrada no rito católico cumpre o preceito de participar na missa., ou no mesmo dia da festa, quer na tarde do dia anterior".

Daqui decorre que a possibilidade de cumprimento do preceito festivo, até do vespro na véspera da festa, Já não está vinculada a uma faculdade concedida pela Santa Sé ao bispo e por ele aos párocos para determinadas celebrações - as chamadas "missas pré-festivas" -, mas constitui um direito reconhecido por todos os fiéis e estende-se a qualquer missa celebrada no sábado à noite ou na véspera de uma festa.. As palavras do Código de Direito Canônico também são reproduzidas de forma idêntica no Catecismo da Igreja Católica, no número 2180, com a premissa adequada:

«Domingo e outros dias santos de obrigação, “Os fiéis têm a obrigação de participar da missa”..

Aos fiéis italianos, os bispos, na citada Nota Pastoral O dia do Senhor a partir de 1984, oferecer a seguinte indicação: «Liturgicamente o um feriado começa com as primeiras vésperas do dia anterior à festa; Portanto, Sábado à tarde, do ponto de vista litúrgico, Já é domingo" (n. 34).

Como é evidente, Domingo é o dia por excelência para o cristão, o dia que comemora a Ressurreição de Cristo e que, em si mesmo, é insubstituível. Isto é o que o Catecismo afirma em números 2185:

«Os fiéis cristãos recordam a ressurreição do Senhor e cumprem o seu compromisso pascal com a Igreja no dia chamado Dia do Senhor ou Domingo., quando se reúnem em assembleia para ouvir a Palavra de Deus e participar da Eucaristia, comemorar a Paixão, a Ressurreição e a vinda gloriosa do Senhor Jesus, e dão graças a Deus que os transfigurou em seu Filho amado”.

Com possibilidade de participar na celebração da noite de sábado você perde, Evidentemente, algo que o Catecismo acaba de indicar, pelo menos três das quatro características do domingo cristão. Porém, como visto, Esta concessão tem as suas raízes numa antiga práxis litúrgica e encontra a sua justificação tanto na tradição como na pastoral., que deseja que todos os batizados possam cumprir o preceito da participação na Santa Missa e aproximar-se da mesa do Senhor.

Florença, 20 dezembro 2025

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VAI À MISSA NO SÁBADO

Esta concessão tem profundas raízes históricas e encontra a sua justificação tanto numa antiga prática litúrgica como numa preocupação pastoral que visa garantir que todos os baptizados sejam capazes de cumprir a obrigação de participar na Santa Missa e de se aproximarem da mesa do Senhor..

— Pastoral Litúrgica —

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Autor
Simone Pifizzi

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Dentro 1971, a conhecida cantora italiana Gigliola Cinquetti cantou uma música que se tornaria amplamente popular: Ir à missa no domingo (No domingo, Indo para a missa).

Naquela hora, a participação na missa foi ainda é um costume profundamente enraizado na cultura e na fé do povo cristão, pelo menos na Itália. Hoje, em vez de, observamos com consternação a crescente falta de amor entre os batizados pela participação na Eucaristia dominical. Isso é algo que causa sofrimento, especialmente aos sacerdotes, e as razões são tão numerosas que é impossível abordá-las adequadamente numa breve reflexão como esta.

Liturgia cristã, tanto nos seus aspectos fundamentais como nos mais estritamente rituais, sempre foi um tema delicado e, às vezes, até mesmo uma questão controversa - não apenas hoje, mas sempre. Como um exemplo marcante, todos nos lembramos das repreensões dirigidas pelo apóstolo Paulo aos turbulentos coríntios em relação à sua participação desordenada na “Ceia do Senhor” (cf. 1 CR 11:20–34).

Assim como naqueles tempos, ainda hoje os fiéis recorrem aos sacerdotes — especialmente aos que se dedicam à pastoral — para pedir explicações ou aprofundar alguns aspectos relacionados com a liturgia. Entre estes, uma questão que às vezes ainda se levanta diz respeito à validade da Eucaristia celebrada no sábado à noite, comumente chamada de “Missa antecipada” ou “Missa de sábado à noite”.

Esta terminologia, como veremos, não é totalmente preciso, embora tenha se tornado habitual, já que na realidade esta celebração ocorre dentro do próprio tempo festivo, segundo as indicações dadas pela Igreja para responder às necessidades dos fiéis.

Não consideraremos aqui os excessos ou abusos que possam ocorrer nas celebrações realizadas no sábado. É bem conhecido, por exemplo, que as chamadas Comunidades Neocatecumenais celebrem a Eucaristia exclusivamente no sábado à noite e apenas raramente em conjunto com o resto da comunidade paroquial. A respeito disso, vale a pena recordar o que afirmou a Conferência Episcopal Italiana na sua nota pastoral O dia do Senhor (O Dia do Senhor) do 15 julho 1984. O documento lembra que Domingo também é o dia da igreja, o dia da Igreja. Uma comunidade reunida na fé e na caridade é o primeiro sacramento da presença do Senhor no seu seio. Por esta razão, a celebração da Eucaristia dominical deverá reunir toda a comunidade cristã em torno do Bispo, ou em torno de quem o representa legitimamente nas paróquias:

“Um grupo ou um movimento, tomado por si mesmo, não é a assembleia; faz parte da assembléia dominical, assim como faz parte da Igreja”.

Um critério pastoral fundamental, assim sendo, é a necessidade de garantir uma celebração comunitária, aquele que manifesta e atualiza a participação ativa dos fiéis e a variedade de ministérios, dentro da unidade desse Corpo Místico que é a Igreja (cf. não. 9-10).

Há também aqueles — que poderíamos classificar entre os mais conservadores — que olham de soslaio para a celebração eucarística prevista para o dia anterior ao domingo, uma festa, ou uma solenidade. Deve ser lembrado, no entanto, que esta possibilidade de celebração noturna foi instituída antes do Concílio Vaticano II por Sua Excelência. Pio XII, primeiro com a Constituição Apostólica Cristo o Senhor dentro 1953, e mais tarde com o Motu proprio Sagrada Comunhão dentro 1957, acompanhado por um comentário do Cardeal Alfredo Ottaviani, que se expressou da seguinte forma:

“Assim, o fruto benéfico da Constituição Apostólica Cristo o Senhor do 6 Janeiro 1953 amadureceu, abrindo a porta para uma possibilidade mais ampla para os fiéis se alimentarem do Pão da Vida”.

A razão para conceder esta possibilidade era de natureza puramente pastoral. O Sumo Pontífice quis ir ao encontro das necessidades daqueles que, por razões convincentes, não puderam participar da celebração da manhã de domingo. Por isso, recorrendo à prática judaica de começar o dia ao pôr do sol da noite anterior - como pode ser observado na conhecida passagem bíblica do Gênesis 1:5b, E houve noite e houve manhã, o primeiro dia — a comunidade cristã dos primeiros séculos celebrava os domingos e as solenidades começando na noite anterior com o Primeiras Vésperas, isso é, com a oração litúrgica associada ao pôr do sol do dia anterior.

Desta maneira, para dar um exemplo, o dia litúrgico de domingo começa com as Primeiras Vésperas celebradas no sábado à noite. É por isso, começando em 1953, graças à Constituição Apostólica do Papa Pio XII, tornou-se possível celebrar não só as Primeiras Vésperas no sábado à tarde, mas também a própria liturgia eucarística dominical, proporcionando assim maior disponibilidade de tempo para cumprir o preceito festivo e celebrar o Dia do Senhor.

Quanto à validade da Missa celebrada na noite de sábado ou na vigília de solenidade, não há nada a objetar. A regra que se aplica – como em todos os outros assuntos – é seguir o que a Igreja ensina, uma vez que certas escolhas ou decisões são sempre fruto de uma reflexão cuidadosa e de uma consideração prudente. Desta maneira, a possibilidade de celebrar a missa festiva no sábado à noite tornou-se uma norma da Igreja, como lemos no Código de Direito Canônico, cânone 1248 §1:

“O preceito de participar na Missa é satisfeito por quem assiste a uma Missa celebrada em qualquer lugar de rito católico, quer no próprio dia da festa, quer na noite do dia anterior.”

Segue-se que a possibilidade de cumprir o preceito festivo a partir da noite do dia anterior à festa já não está vinculado a uma faculdade concedida pela Santa Sé ao bispo e por ele aos párocos para celebrações específicas — as chamadas “missas antecipadas” — mas é um direito reconhecido a cada fiel, e se estende a qualquer missa celebrada na noite de sábado ou na vigília de uma festa.

A redação do Código é reproduzido literalmente no Catecismo da Igreja Católica em nenhum. 2180, com a premissa necessária: Aos domingos e outros dias santos de guarda, os fiéis são obrigados a participar da missa.”

Aos fiéis italianos, os bispos, na citada Nota Pastoral O Dia do Senhor do 1984, dê a seguinte indicação:

“Liturgicamente, a um feriado começa com as Primeiras Vésperas do dia anterior à festa; assim sábado à noite, do ponto de vista litúrgico, já é domingo” (não. 34).

Como é óbvio, Domingo é o dia por excelência para o cristão, o dia que comemora a Ressurreição de Cristo e é, em si, insubstituível. Assim, o Catecismo afirma em nenhum. 2185:

«Aos domingos e outros dias santos de obrigação, os fiéis devem abster-se de se envolver em trabalhos ou atividades que dificultem o culto devido a Deus, a alegria própria do Dia do Senhor, a realização das obras de misericórdia, e o relaxamento adequado da mente e do corpo. Necessidades familiares ou serviços sociais importantes podem legitimamente dispensar a obrigação do descanso dominical. Os fiéis devem cuidar para que desculpas legítimas não conduzam a hábitos prejudiciais à religião, vida familiar, e saúde».

Como é evidente, O domingo continua sendo o dia cristão por excelência, o dia que comemora a Ressurreição de Cristo e é, pela sua própria natureza, insubstituível. Justamente por esse motivo, a Igreja ensina que aos domingos e outros dias santos de preceito os fiéis são chamados a abster-se de atividades que dificultem o culto devido a Deus, a alegria própria do Dia do Senhor, a prática de obras de misericórdia, e o descanso necessário da mente e do corpo.

Com a possibilidade de participar da celebração de sábado à noite, é claro que algo daquilo que caracteriza o domingo cristão pode ser diminuído - pelo menos três dos seus elementos definidores. No entanto, como vimos, esta concessão tem profundas raízes históricas e encontra a sua justificação tanto numa antiga prática litúrgica como numa preocupação pastoral que visa garantir que todos os baptizados sejam capazes de cumprir a obrigação de participar na Santa Missa e de se aproximar da mesa do Senhor.

Florença, 20 dezembro 2025

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Cotas rosa no altar são necessárias? Da teoideologia feminista à sabedoria pastoral do Sri Lanka – São necessárias «cotas rosa» no altar? Da teoideologia feminista à sabedoria pastoral do Sri Lanka – As “quotas rosa” são necessárias no altar?? Da teoideologia feminista à prudência pastoral no Sri Lanka

italiano, inglês, espanhol

 

TARIFAS ROSA NO ALTAR SÃO NECESSÁRIAS? DA TEO-IDEOLOGIA FEMINISTA À SABEDORIA PASTORAL DO SRI LANKA

O bispo pode permitir coroinhas, mas ele não pode forçar os párocos a usá-los. Os fiéis não ordenados “não têm direito” de servir no altar e permanece a obrigação de promover grupos masculinos de coroinhas, também pelo seu comprovado valor vocacional.

- Notícias da Igreja -

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Vendo crianças ao redor do altar alegra o coração e o espírito. É um sinal de vida numa Europa - a começar pela nossa Itália - onde a taxa de natalidade está estagnada há décadas e a idade média da população, e o clero, continua a subir. Num contexto tão frágil, a presença de crianças na igreja já é uma boa notícia, uma antecipação do futuro.

No vídeo: SE. Rev.ma Mons. Raymond Kingsley Wickramasinghe, Bispo de Galle (Sri Lanka)

Quando dois pais me pediram desculpas no final da Santa Missa para as duas crianças um tanto barulhentas, Respondeu: «Enquanto as crianças fizerem barulho nas nossas igrejas, isso significa que estamos sempre vivos". Eu não adicionei então, mas farei isso agora como um aparte na discussão: quando durante as sagradas liturgias não ouviremos mais as vozes das crianças, certamente ouviremos os muezzins que cantarão nos campanários de nossas igrejas transformadas em mesquitas, como já aconteceu em vários países do Norte da Europa. Os exemplos são conhecidos, vou só pegar alguns: em Hamburgo, a antiga Igreja Luterana Kapernaumkirche foi comprada e reaberta como Mesquita Al-Nour; em Amsterdã, o Fatih Moskee está localizado na antiga igreja católica de Santo Inácio; em Bristol, a Mesquita Jamia está localizada na antiga St.. Igreja de Catarina. Quanto ao chamado do muezim com alto-falantes, a cidade de Colônia começou em 2021 um projeto de cidade que permite o recall de sexta-feira, então estabilizou em 2024.

Nas últimas décadas, em algumas dioceses, o hábito de admitir meninas para servir no altar se estabeleceu. Prática que muitos bispos e párocos, mesmo que eu não a ame, eles toleraram ou mantiveram para não gerar polêmica. Ao longo dos anos, alguns deles, já adolescentes e jovens, continuaram a servir no altar, não sem constrangimento para alguns padres, incluíndo, que com extrema educação nunca permitiu que meninas e especialmente adolescentes servissem. Claro, não se trata de impedir as mulheres de certos serviços, mas pensar com sabedoria pastoral pedagógica: quantas vocações sacerdotais nasceram junto ao altar, no grupo de coroinhas? E como explicar a uma menina apaixonada pela liturgia que o ministério da Ordem não é, nem pode ser uma perspectiva aberta à sua condição feminina? Porque neste ponto a doutrina é muito clara: «Só um homem baptizado recebe validamente a sagrada ordenação» (Código de Direito Canônico 1983, posso. 1024); «A Igreja reconhece-se vinculada à escolha feita pelo próprio Senhor. Por esta razão a ordenação de mulheres não é possível”. (Catecismo da Igreja Católica, n. 1577); e o Santo Pontífice João Paulo II confirmou definitivamente que a Igreja “não tem autoridade” para conferir a ordenação sacerdotal às mulheres (Ordenação sacerdotal, 22 Posso 1994, n. 4).

Depois há um aspecto sócio-pedagógico bem conhecido de quem frequenta as sacristias: as menininhas, muitas vezes mais pronto, colegas diligentes e maduros, tendem a prevalecer em pequenos grupos; a experiência mostra que, onde o número de meninas no presbitério se torna significativamente maior, alguns meninos recuam, percebendo esse serviço como "uma coisa para meninas". O resultado paradoxal é que precisamente os sujeitos mais potencialmente vocacionais se distanciam do centro da celebração. Seria, portanto, apropriado perguntar: num Ocidente com uma elevada média de idade dos sacerdotes, seminários vazios ou número reduzido de seminaristas ao mínimo, com cada vez mais paróquias sem pároco, faz sentido abrir mão do que pode favorecer até mesmo algumas sementes de vocação para seguir a lógica – mundana e politicamente correta – das “cotas rosa clericais”?

Compreender “o que é possível” e sobretudo “o que é melhor”, o ponto de partida não são opiniões, mas normas litúrgicas. A liturgia não é um campo de experimentação sociológica: «Absolutamente nenhum, nem mesmo o padre, adicionar, remove ou altera qualquer coisa por sua própria iniciativa" (Santo Conselho, 22 §3). As funções dos ministros são delineadas com apelos precisos à sobriedade, papéis e limites (A Instituição Geral do Missal Romano, NN. 100; 107; 187-193). Do lado ministerial, o Santo Pontífice Paulo VI substituiu as antigas "ordens menores" pelos ministérios estabelecidos de leitor e acólito, então reservado para leigos (cf.. Alguns serviços, NN. I-IV). O Sumo Pontífice Francisco modificou o can. 230 §1, abrindo os ministérios estabelecidos de leitor e acólito também para as mulheres, mas estes não são identificados com o serviço dos coroinhas, que se enquadra na delegação temporária prevista pelo can. 230 §2 e diz respeito à ajuda no altar confiada de vez em quando aos leigos (crf. Pela moção adequada do Espírito do Senhor, 2021; CIC 1983, posso. 230 §1-2).

Dois textos da Santa Sé eles então definiram o perímetro com rara clareza. A Carta Circular da Congregação para o Culto Divino, dirigido aos Presidentes das Conferências Episcopais para a correta interpretação do cân.. 230 §2 (15 Março 1994, Protetor. 2482/93), reconheceu a possibilidade – a critério do bispo – de admitir também mulheres para servir no altar, especificando, no entanto, que “será sempre muito apropriado seguir a nobre tradição de ter coroinhas” e que nenhum direito subjetivo de servir decorre da admissão (cf.. Informação 30 [1994] 333-335). Alguns anos depois, a Cartas da mesma Congregação (27 julho 2001) esclareceram ainda que o bispo pode permitir coroinhas, mas não pode obrigar os párocos a usá-las; que os fiéis não ordenados “não têm direito” de servir no altar; que a obrigação de promover grupos masculinos de coroinhas permanece, também pelo seu comprovado valor vocacional. É “sempre muito apropriado” – afirma o documento – seguir a nobre tradição dos meninos no altar (Texto latino em Informação 37 [2001] 397-399; Trad.. isto. dentro Informação 38 [2002] 46-48).

Dentro desta foto, a pedagogia do altar brilha novamente: a proximidade do Mistério educa com a força dos sinais, introduz uma confiança filial com a Eucaristia e, para muitas crianças, foi de verdade “palestra” de discernimento. A Igreja que não tem o poder de conferir a Ordem às mulheres (Catecismo da Igreja Católica n.. 1577; Ordenação sacerdotal, 4) é chamado a salvaguardar com prudência os espaços que historicamente se revelaram férteis para o surgimento de vocações sacerdotais. Isso não desvaloriza a presença e o carisma feminino; ao contrário, liberta a comunidade da tentação de clericalizar os leigos e de laicizar o clero - e em particular as mulheres - empurrando-os simbolicamente para o presbitério, como se esse fosse o único lugar "que importa" (cf.. lembrete sobre o clericalismo em o evangelho da alegria, 102-104). Existem caminhos muito ricos para meninas e jovens, estabelecido e de fato: leitores estabelecidos ou, de acordo com os casos, praticada como leitura na celebração, canto e música sacra, serviço de sacristia, ministérios da Palavra e da caridade, catequese e, hoje, também o ministério estabelecido de catequista (Ministério antigo, 2021). São áreas em que o “génio feminino” oferece à Igreja uma contribuição decisiva sem gerar expectativas impossíveis quanto ao acesso ao sacerdócio (cf.. Ministério antigo, 2021; Senhor Espíritoeu, 2021; posso. 230 §1-2).

A experiência de outras Igrejas particulares lança mais luz sobre o assunto. No Sri Lanca, onde a idade média do clero é muito inferior à da Itália e os seminários estão povoados de vocações, o Arcebispo Metropolitano de Colombo, Cardeal Albert Malcolm Ranjith, indicou o uso de coroinhas como impróprio por razões pastorais e pedagógicas: nenhum deles, na verdade, como adultos poderão entrar no seminário; portanto, faz sentido preservar espaços educativos tipicamente masculinos ao redor do altar, sem tirar nada da rica participação feminina em outras áreas? Em outros contextos, como nos Estados Unidos, algumas dioceses e paróquias têm legitimamente mantido grupos de coroinhas exclusivamente masculinos, precisamente com base nos textos de 1994 ele nasceu em 2001. Não se trata de “excluir”, mas para valorizar uma prática que em certos lugares se revela mais fecunda para a pastoral vocacional (cf.. linhas diocesanas: Diocese de Lincoln – Nebraska; Fênix – Paróquia Catedral; outras realidades locais dos Estados Unidos da América).

Neste ponto, porém, alguém pede cotas rosa no presbitério, como se a representação simétrica fosse a prova decisiva da valorização da mulher. Uma lógica, o das cotas rosa, que, no entanto, pertence ao contexto sociopolítico; a liturgia não é um parlamento a ser representado proporcionalmente, é a ação de Cristo e da Igreja. O discernimento se aplica aqui, não a reivindicação. E o discernimento pede: num território com poucos sacerdotes e poucas vocações, qual escolha concreta melhor promove o crescimento dos futuros sacerdotes sem degradar a presença das mulheres? As respostas da Santa Sé não deixam mal-entendidos: admitir meninas é permitido quando apropriado, mas é apropriado e até necessário promover grupos masculinos de coroinhas, também em vista da pastoral vocacional (cf.. Informação 30 [1994] 333-335; Informação 37 [2001] 397-399; Informação 38 [2002] 46-48).

A tese também tem circulado nos últimos meses - retomado pelo teólogo Marinella Perroni, segundo o qual a escolha de Colombo constituiria um “silogismo” perfeito, mas “a ser rejeitado”, porque tornaria o grupo de coroinhas imune às diferenças e, portanto, prejudicial.

Assunto, a deste teólogo, que confunde engenharia social e liturgia de uma forma verdadeiramente superficial e grosseira. A liturgia não pretende representar todas as diferenças, mas servir o Mistério segundo normas comuns (cf.. Santo Conselho 22 §3). As fontes oficiais, como pode ser visto, eles se lembram de três coisas elementares: a capacidade de admitir meninas é possível, mas não cria direitos; o bispo pode autorizar, mas não imponha; e "permanece a obrigação" de promover grupos de homens também por razões vocacionais (cf.. Informação 37 [2001] 397-399; Trad.. isto. Informação 38 [2002] 46-48; quanto mais Carta circular a 15.03.1994, Protetor. 2482/93).

Em outras palavras: O Cardeal Albert Malcom Ranjith não exclui as mulheres: exerce a prudência pastoral precisamente prevista na lei e na prática. Confundir esta prudência com misoginia é pura ideologia, não discernimento. E se a vitalidade eclesial realmente dependesse de um incensário “rosa”, então dois milênios de mulheres santas, de mulheres médicas e mártires - sem nunca reivindicar o altar ministerial - valeria menos que uma parte: uma conclusão injusta em relação às mulheres e, além disso, irracional para a fé (cf.. Marinella Perroni: "Sri Lanka, mas porque a proibição das coroinhas favoreceria as vocações sacerdotais?», O Osservatore Romano dentro Mulheres Igreja Mundial, 1 fevereiro 2025).

Definitivamente, não são necessárias cotas no altar, precisamos de corações educados no Mistério. É legítimo - e por vezes apropriado - que algumas Igrejas em particular admitam meninas ao serviço; e é igualmente legítimo - e muitas vezes mais sensato - manter grupos masculinos de coroinhas quando isso beneficia a clareza dos sinais e a promoção das vocações. Não é uma rendição à “ordem masculina”, mas um ato de prudência pastoral ao serviço de toda a comunidade.

Se amamos garotas, oferecemos-lhes grandes ministérios e serviços segundo o Evangelho: Palavra, caridade, catequese, guarda e decoração da igreja e do altar, música, cantando... sem reduzir a sua dignidade a uma posição próxima ao turíbulo. Em vez, se amamos as crianças, guardemos com inteligência os espaços educativos que, durante séculos, ajudaram a Igreja a reconhecer e acompanhar o dom da vida sacerdotal.

Uma nota final como testemunho pessoal: Eu tinha nove anos quando, no final da Santa Missa, fui para casa dizer aos meus pais que queria ser padre. Que foi tida como uma das muitas fantasias típicas das crianças, capazes de dizer hoje que querem ser astronautas, amanhã os produtores de morango, os médicos antes de amanhã. E ainda, o que parecia uma fantasia, acabou não sendo assim: trinta e cinco anos depois recebi a Sagrada Ordem dos Sacerdotes. sim, a minha era uma vocação adulta, mas nasceu como uma criança, enquanto eu servia como coroinha no altar, aos nove anos.

a Ilha de Patmos, 8 Outubro 2025

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SÃO «QUOTAS ROSA» NO ALTAR NECESSÁRIAS? DA TEO‑IDEOLOGIA FEMINISTA À SABEDORIA PASTORAL DO SRI LANKA

Um bispo pode permitir coroinhas, mas ele não pode exigir que os pastores os usem. Os fiéis não ordenados «não têm direito» de servir no altar, e continua a existir a obrigação de promover grupos de coroinhas de rapazes, também pelo seu comprovado valor vocacional.

- realidade eclesial -

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Vendo crianças ao redor do altar alegra o coração e o espírito. É um sinal de vida numa Europa — a começar pela nossa Itália — onde a taxa de natalidade se mantém estável há décadas e a idade média da população, e do clero, continua subindo. Num contexto tão frágil, a presença de crianças na igreja já é uma boa notícia, uma antecipação do futuro.

No vídeo: Sua Excelência Monsenhor. Raymond Kingsley Wickramasinghe, Bispo de Galle (Sri Lanka)

Quando dois pais me pediram desculpas no final da Santa Missa para seus dois filhos barulhentos, Eu respondi: «Enquanto as crianças fizerem barulho nas nossas igrejas, significa que ainda estamos vivos». Eu não acrescentei então - mas faço-o agora de passagem - que quando já não ouvirmos as vozes das crianças nas nossas igrejas, certamente ouviremos as vozes dos muezzins cantando nos campanários de nossas igrejas transformadas em mesquitas, como já aconteceu em vários países do Norte da Europa.

Os exemplos são bem conhecidos, Mencionarei apenas alguns: em Hamburgo, a antiga Igreja Luterana Kapernaumkirche foi comprada e reaberta como Mesquita Al-Nour; em Amsterdã, o Fatih Moskee ocupa a antiga Igreja Católica de Santo Inácio («O Semeador»); em Bristol, a Mesquita Jamia fica na antiga St.. Igreja de Catarina. Quanto ao chamado amplificado do muezzin, a cidade de Colônia lançou em 2021 um piloto municipal permitindo a ligação de sexta-feira, que foi então estabilizado em 2024.

Nas últimas décadas, em não poucas dioceses tornou-se costume admitir também meninas para servir no altar. Muitos bispos e pastores, embora não goste da prática, tolerou ou manteve para evitar controvérsia. Ao longo dos anos, algumas dessas meninas tornaram-se adolescentes e jovens e continuaram servindo, não sem constrangimento para alguns sacerdotes – incluindo os abaixo assinados – que, com a maior cortesia, nunca permiti meninas, e especialmente mulheres jovens adolescentes, servir.

Para ser claro, não se trata de proibir às mulheres certos serviços, muito menos meninas. Trata-se de pensar com sabedoria pedagógica e pastoral: quantas vocações sacerdotais nasceram no altar, dentro de um grupo de coroinhas? E como explicar a uma jovem que ama a liturgia que o sacramento da Ordem não é, e não pode ser, um caminho aberto para ela como mulher? A doutrina é cristalina: «Só um homem batizado recebe validamente a ordenação sagrada» (cf. Código de Direito Canônico, posso. 1024); «A Igreja reconhece-se vinculada à escolha feita pelo próprio Senhor. Por esta razão a ordenação de mulheres não é possível» cf.. Catecismo da Igreja Católica, 1577); e São João Paulo II confirmou definitivamente que a Igreja «não tem autoridade alguma» para conferir a ordenação sacerdotal às mulheres (cf. Ordenação sacerdotal (1994), n. 4; CDF, A resposta para o problema (1995).

Há também uma vertente sociopedagógica conhecido por quem frequenta sacristias: meninas – muitas vezes mais prontas, mais diligentes e maduros do que seus colegas – tendem a assumir a liderança em pequenos grupos; a experiência mostra que onde o número de meninas no santuário excede claramente o de meninos, não são poucos os meninos que se retiram, perceber o serviço como «coisa de menina». O resultado paradoxal é que aqueles mais potencialmente receptivos a uma vocação se afastam do coração da celebração. Num Ocidente onde a idade média dos sacerdotes é elevada, seminários estão vazios ou reduzidos e paróquias estão sem párocos, faz sentido abrir mão do que pode fomentar até mesmo algumas vocações, a fim de seguir a lógica mundana das “cotas rosa clericais”?

Para entender não só «o que é permitido» mas acima de tudo «o que convém», devemos partir das normas litúrgicas. A liturgia não é um campo de experiências sociológicas: «Portanto, nenhuma outra pessoa, mesmo que ele seja um padre, pode adicionar, remover, ou mudar alguma coisa na liturgia por sua própria autoridade» (cf. Santo Conselho, 22 §3). As funções dos ministros são definidas com sóbria precisão (cf. Instrução Geral do Missal Romano). Quanto aos ministérios, São Paulo VI substituiu as antigas “ordens menores” pelos ministérios instituídos de leitor e acólito, então reservado para leigos cf. Alguns serviços, 1972). Papa Francisco modificou lata. 230 §1, abrindo os ministérios instituídos de leitor e acólito também às mulheres, mas estes não devem ser identificados com o serviço de coroinha, que pertence à delegação temporária de can. 230 § 2 e diz respeito à assistência no altar confiada caso a caso aos fiéis leigos (cf. Espírito do Senhor, 2021).

Dois textos da Santa Sé esclareceu o assunto com precisão incomum. A Carta Circular da Congregação para o Culto Divino aos Presidentes das Conferências Episcopais sobre a correta interpretação do cân.. 230 §2 (15 Março 1994, Protetor. 2482/93) reconheceu a possibilidade – a critério do bispo – de admitir meninas para servir no altar, ao mesmo tempo que sublinha que é “sempre muito apropriado” manter a nobre tradição dos rapazes como coroinhas, e que tal admissão não cria qualquer “direito” subjetivo de servir (Informação 30 (1994) 333–335). Alguns anos depois, a Cartas da mesma Congregação (27 julho 2001) esclarecido ainda mais: o bispo pode permitir coroinhas, mas não pode obrigar os pastores a usá-las; os fiéis não ordenados «não têm direito» de servir; e permanece a obrigação de promover os grupos masculinos também pelo seu valor vocacional (cf. Informação 37 (2001) 397–399; .Informação 38 (2002) 46–48).

A experiência de outras Igrejas locais também ilumina. No Sri Lanka – onde a idade média do clero diocesano é muito inferior à da Itália e os seminários são bem povoados – o Arcebispo Metropolitano de Colombo, Cardeal Albert Malcolm Ranjith, indicou a inoportunidade das coroinhas por razões pastorais e pedagógicas: nenhum deles, como adultos, pode entrar no seminário; portanto, faz sentido preservar espaços formativos caracteristicamente masculinos ao redor do altar, sem diminuir de forma alguma a participação feminina rica em outros lugares (veja sua indicação pastoral citada aqui: O leme).

Em outros contextos, como os Estados Unidos, algumas dioceses e paróquias têm legitimamente mantido grupos de coroinhas apenas para rapazes, precisamente com base na 1994 e 2001 textos. Isso não é “exclusão”, mas a promoção de uma prática que em certos lugares se revela mais fecunda para a pastoral vocacional (cf. Diocese de Lincoln (explicação política; e o 2011 decisão na Catedral dos Santos. Simão & Judas, Fênix - reportagem).

Nos últimos meses, esta tese foi retomada pela teóloga italiana Sra. Marinella Perroni, que argumenta que a escolha feita em Colombo segue um «silogismo» que pode ser logicamente claro, mas que deve, no entanto, ser rejeitado.

Ao fazer isso, no entanto, seu argumento desliza da liturgia para a engenharia social. A liturgia não é um espelho proporcional dos círculos sociais; é o culto a Deus pela Igreja segundo normas que salvaguardam a clareza dos sinais e a liberdade da graça (cf. Santo Conselho 22 §3). Documentos da Santa Sé, como mostrado acima, lembre-se de três pontos elementares: a faculdade de admitir meninas é possível, mas não cria direitos subjetivos; o bispo diocesano pode autorizar, mas não impor aos pastores; e permanece a obrigação de promover grupos de coroinhas de rapazes também por razões vocacionais (cf. Informação 30 (1994) 333–335; Informação 37 (2001) 397–399; Informação 38 (2002) 46–48). Confundir esta prudência com misoginia é ideologia, não discernimento (Veja o artigo de Perroni: "Sri Lanka, mas por que a proibição de coroinhas encorajaria as vocações sacerdotais?»- O Osservatore Romano, o órgão oficial da Santa Sé Original italianoversão em inglês).

Resumidamente, o altar não precisa de cotas; são necessários corações formados pelo Mistério. É legítimo – e às vezes oportuno – que algumas Igrejas particulares admitam meninas ao serviço; e é igualmente legítimo — e muitas vezes mais sensato — manter grupos de coroinhas masculinos onde isso sirva à clareza dos sinais e à promoção das vocações. Isto não é uma capitulação a uma “ordem masculina”, mas um ato de prudência pastoral ao serviço de toda a comunidade.

Uma nota pessoal final: Eu tinha nove anos quando, depois da Santa Missa, Fui para casa e disse aos meus pais que queria ser padre. Eles consideraram isso uma das muitas fantasias típicas das crianças, que hoje querem ser astronautas, amanhã produtores de morango, e no dia seguinte aos médicos. E ainda, o que parecia uma fantasia provou o contrário: trinta e cinco anos depois recebi a sagrada ordenação sacerdotal. sim, a minha era uma vocação adulta - mas nasci quando criança, enquanto servia como coroinha no altar.

da Ilha de Patmos, Outubro 8, 2025

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AS “TAXAS ROSA” SÃO NECESSÁRIAS NO ALTAR? DA TEO‑IDEOLOGIA FEMINISTA À SABEDORIA PASTORAL DO SRI LANKA

O bispo pode permitir que as coroinhas, mas não pode forçar os párocos a usá-los. Os fiéis não ordenados “não têm o direito” de servir no altar e permanece a obrigação de promover grupos masculinos de coroinhas., também pelo seu comprovado valor vocacional.

— Notícias eclesiásticas —

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Veja as crianças ao redor do altar alegra o coração e o espírito. É um sinal de vida numa Europa — a começar pela nossa Itália — onde a taxa de natalidade está estagnada há décadas e a idade média da população, e do clero, não para de aumentar. Num contexto tão frágil, A presença de crianças na igreja já é uma boa notícia, uma prévia do futuro.

No vídeo: Sua Excelência Monsenhor Raymond Kingsley Wickramasinghe, Bispo de Galle (Sri Lanka)

Quando, no final da Santa Missa, Dois pais me pediram desculpas por seus dois filhos barulhentos., Eu os tranquilizei dizendo: «Enquanto as crianças fizerem barulho nas nossas igrejas, Isso significa que ainda estamos vivos.". Eu não adicionei então - mas faço isso agora como um aparte -: quando não ouvimos mais as vozes das crianças em nossas igrejas, certamente ouviremos os muezzins cantando nos campanários de nossas igrejas convertidas em mesquitas, como já aconteceu em vários países do Norte da Europa. Os exemplos são conhecidos; Cito apenas alguns: em Hamburgo, a antiga Luterana Kapernaumkirche foi adquirida e reaberta como Mesquita Al-Nour; em Amsterdã, O Fatih Moskee tem sua sede na antiga igreja católica de Santo Inácio; uma Bristol, A Mesquita Jamia fica na antiga St.. Igreja de Catarina. Em relação ao chamado do muezim no alto-falante, a cidade de Colônia começou em 2021 um projeto municipal que permite a ligação às sextas-feiras, posteriormente estabilizado em 2024.

Nas últimas décadas, Muitas dioceses também admitiram meninas ao serviço do altar.. Muitos bispos e párocos, ainda não estou apreciando isso, toleraram ou mantiveram a prática para evitar controvérsia. À medida que os anos passam, alguns continuaram como adolescentes e jovens, não sem um certo constrangimento para alguns padres, incluindo quem escreve, que com a maior cortesia nunca permitiu que meninas - e especialmente adolescentes - servissem no altar. Vale a pena esclarecer isso: Não se trata de negar às mulheres certos serviços, mas pensar com sabedoria pastoral e pedagógica. Quantas vocações sacerdotais nasceram junto ao altar?, no grupo de coroinhas? E como explicar a uma jovem entusiasta da liturgia que o sacramento da Ordem não é — e não pode ser — uma perspectiva aberta à sua condição feminina?? A doutrina é muito clara: «Somente o homem batizado recebe validamente a ordenação sagrada» (cf. CIC 1983, posso. 1024); «A Igreja reconhece-se vinculada à eleição feita pelo próprio Senhor. Por esta razão, “A ordenação de mulheres não é possível”. (cf. CEC n.1577); e São João Paulo II confirmou definitivamente que a Igreja “não tem de forma alguma o poder” de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres (cf. Ordenação sacerdotal, 22 Poderia 1994, n. 4).

Há também um aspecto sócio-pedagógico muito conhecido por quem frequenta as sacristias: as meninas, muitas vezes mais cedo, diligente e maduro do que seus contemporâneos, tendem a prevalecer em pequenos grupos; a experiência mostra que, onde o número de meninas no presbitério se torna claramente maior, não são poucos os meninos que se retiram, percebendo aquele serviço como “coisa de menina”. O resultado paradoxal é que precisamente os sujeitos com maior potencial vocacional se afastam do centro da celebração.. Isso faz sentido, então, num Ocidente com uma média de idade sacerdotal elevada, seminários vazios ou reduzidos e paróquias sem sacerdote, renunciando ao que pode favorecer até mesmo alguns germes de vocação para seguir a lógica – mas politicamente correta – das “cotas clericais rosa”?

Para entender não apenas o que “pode ser”, mas acima de tudo o que é “conveniente”, o ponto de partida são as normas litúrgicas, não as opiniões. A liturgia não é um campo de experiências sociológicas: “De forma alguma isso permite que alguém, nem mesmo o padre, adicionar, remover ou alterar qualquer coisa por iniciativa própria" (cf. Santo Conselho 22 §3). As funções dos ministros são delineadas com sobriedade, com papéis e limites (cf. A Instituição Geral do Missal Romano [IGMR], NN. 100; 107; 187–193).

No campo dos ministérios, São Paulo VI substituiu as antigas “ordens menores” pelos ministérios instituídos do leitor e do acólito, então reservado para leigos (cf. Alguns serviços, NN. I–IV). Mais tarde, o Papa Francisco modificou a lata. 230 §1, abrindo esses ministérios instituídos também para mulheres, mas eles não se identificam com o serviço de coroinha, que pertence à delegação temporária prevista no can. 230 §2 (cf. Espírito do Senhor, 2021; CIC 1983, posso. 230 §1–2).

Dois textos da Santa Sé Eles então estabeleceram o perímetro com rara clareza. A Carta Circular da Congregação para o Culto Divino aos Presidentes das Conferências Episcopais sobre a correta interpretação do cânon. 230 §2 (15 Marchar 1994, Protetor. 2482/93) reconheceu a possibilidade – a critério do bispo – de admitir também meninas ao serviço do altar, especificando ao mesmo tempo que “é sempre muito apropriado” manter a nobre tradição dos coroinhas e que tal admissão não cria nenhum “direito” subjetivo de servir (cf. Informação 30 (1994) 333–335). Depois de alguns anos, las Cartas da mesma Congregação (27 Julho de 2001) eles esclareceram ainda mais: o bispo pode permitir que as coroinhas, mas você não pode forçar os párocos a usá-los; fiéis não ordenados “não têm direito” de servir; e a obrigação de promover grupos masculinos também permanece devido ao seu comprovado valor vocacional. (cf. Informação 37 (2001) 397–399; veja também a tradução italiana: Informação 38 (2002) 46–48).

A experiência de outras Igrejas particulares esclarece ainda mais a questão. No Sri Lanka — onde a idade média do clero diocesano é muito inferior à da Itália e os seminários são bem povoados —, o arcebispo metropolitano de Colombo, Cardeal Albert Malcolm Ranjith, apontou a inadequação dos coroinhas por razões pastorais e pedagógicas: nenhum deles, já adulto, você poderá entrar no seminário; portanto, faz sentido preservar espaços educativos tipicamente masculinos ao redor do altar, sem tirar nada da rica participação feminina em outras áreas (veja esta indicação pastoral citada aqui: O leme).

Em outros contextos, como nos Estados Unidos, Algumas dioceses e paróquias têm mantido legitimamente grupos de coroinhas exclusivamente masculinos, precisamente com base nos textos de 1994 e 2001. Isso não é "exclusão", mas a promoção de uma práxis que em alguns lugares parece mais fecunda para a pastoral vocacional (veja o Diocese de Lincoln (explicação política); e a decisão de 2011 na Catedral dos Santos Simão e Judas, Fênix - crônica jornalística).

Nestes meses, Esta tese foi retomada pela teóloga Marinella Perroni, que sustenta que a opção de Colombo responde a um trabalho impecável mas, na sua opinião, rejeitável. Porém, Seu argumento confunde liturgia com engenharia social. A liturgia não é um espelho proporcional dos pertences sociais; É o culto a Deus pela Igreja segundo normas que salvaguardam a clareza dos sinais e a liberdade da graça. (cf. Santo Conselho 22 §3). Os documentos da Santa Sé, como vimos, lembre-se de três pontos básicos: meninas podem ser admitidas, mas isso não cria direitos subjetivos; o bispo diocesano pode autorizá-lo, não imponha isso aos párocos; e permanece a obrigação de promover grupos masculinos de coroinhas também por razões vocacionais. (cf. Informação 30 (1994) 333–335; Informação 37 (2001) 397–399; Informação 38 (2002) 46–48). Tomar esse cuidado com a misoginia é ideologia, não discernimento. Veja o artigo de Perroni: "Sri Lanka, mas porque a proibição das coroinhas favoreceria as vocações sacerdotais?»- Original italianoversão em inglês.

Em última análise, no altar não há necessidade de taxas, mas corações educados pelo Mistério. É legítimo – e por vezes apropriado – que algumas Igrejas em particular admitam meninas ao serviço; e é igualmente legítimo – e muitas vezes mais prudente – manter grupos masculinos de coroinhas quando isso serve para a clareza dos sinais e para a promoção das vocações.. Não é uma rendição à “ordem masculina”, mas um ato de prudência pastoral ao serviço de toda a comunidade.

Uma nota pessoal como um testemunho: Eu tinha nove anos quando, no final da Santa Missa, Cheguei em casa dizendo aos meus pais que queria ser padre.. Eles consideraram isso uma das muitas fantasias infantis., poder dizer hoje que querem ser astronautas, Produtores de morango amanhã e médicos amanhã. S, no entanto, o que parecia uma fantasia não era: trinta e cinco anos depois recebi a sagrada ordenação sacerdotal. Sim, a minha era uma vocação adulta, mas nasceu como um menino, enquanto servia como coroinha.

Da ilha de Patmos, 8 outubro 2025

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Quando o pontífice romano morre. Curto excursus históricos-litrúrgicos-quando o pontífice romano morre. Uma breve excurso histórico-litrúrgico

Quando o pontífice romano morre. BREVE EXCURSÃO HISTÓRICO-LITURGICO

Cada Papa, em seu papel de vigário de Cristo, não pertence inteiramente a si mesmo; Isso é evidente em particular quando a morte chega. No passado recente, dificilmente, os Papas conseguiram morrer em paz, o silêncio, longe de olhares indiscretos ou rituais de preâmbulo. Um Papa quase nunca faleceu sozinho, mas, como um governante antigo, ele estava cercado por seus cortesãos.

— Ministério litúrgico —

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Autor
Simone Pifizzi

 

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artigo em formato de impressão PDF – Artigo em PDF Formato de impressão

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A morte do Romano Pontífice é um momento particular para a vida da Igreja Católica; uma passagem tecnicamente definida Sé Apostólica vaga, que traz consigo um conjunto de atos, de eventos e rituais que, por sua natureza, eles são únicos.

Não queremos fazer aqui um tratamento sistemático disso, mas sim tocar, também através do recurso à história, alguns aspectos litúrgicos e rituais que passaram diante dos nossos olhos por ocasião da morte do Papa Francisco.

Morrendo como Papa. A primeira estação

Cada Papa, em seu papel de vigário de Cristo, não pertence inteiramente a si mesmo; Isso é evidente em particular quando a morte chega. No passado recente, dificilmente, os Papas conseguiram morrer em paz, o silêncio, longe de olhares indiscretos ou rituais de preâmbulo. Um Papa quase nunca faleceu sozinho, mas, como um governante antigo, ele estava cercado por seus cortesãos. Aos primeiros sinais de agonia, na verdade, uma série de ações cerimoniais detalhadas foram postas em prática que acompanharam o Pontífice em direção ao seu fim terreno.

Primeira coisa primeiro todos os cardeais residentes em Roma foram notificados, bem como todos os titulares dos vários Dicastérios da Santa Sé; e uma procissão silenciosa começou em frente ao moribundo para lhe prestar suas últimas homenagens. A Unção dos Enfermos e o Viático foram administrados pelo Cardeal Vigário, enquanto cabia às penitenciárias e aos cônegos da Basílica Vaticana elevar as orações que acompanham a agonia, especialmente as litanias dos santos canonizados pelo Pontífice moribundo.

Ele deu seu último suspiro, a morte do Papa foi confirmada pelo médico; o Mestre da Câmara cobriu o rosto do falecido Pontífice com um véu branco e, enquanto as celebrações da SS começavam na capela privada. Missas pela sua alma, foi realizado um curativo inicial: a batina branca, o carretel e a mozzetta papal. Só neste momento foi apresentado o Cardeal Camerlengo que efetivamente, na vaga Sé Apostólica, assume a “regência” da Igreja. Escoltado pelos guardas suíços, realizou o ato de reconhecimento oficial da morte do Pontífice para toda a Igreja. O Camerlengo, entoou o Das profundezas, ela tirou o véu e bateu três vezes na testa do falecido, chamando-o pelo primeiro nome: «N. sei morto?»; no terceiro tiro, não recebendo resposta, ele anunciou: «O Papa está realmente morto». Este ritual não acontece mais hoje. A reforma desejada pelo Papa Francisco, estabelece que a confirmação oficial do óbito ocorra na capela, depois que o corpo do Papa já estiver composto.

Hoje esses rituais que podem até parecer “folcloristas” e que giravam em torno da agonia e morte do Papa deram lugar a momentos de oração eclesial, afirmar a fé em Deus a quem sempre pertencemos e em cujas mãos sempre estamos, vivo ou morto. O Papa que acaba de deixar este mundo e a Virgem Maria são recomendados a Deus Pai, com o canto de Oi Regina, somos convidados a mostrar o rosto de Jesus ao falecido Papa, bendito fruto do seu ventre. Tarefa do Cardeal Camerlengo, nesta fase, é quebrar o Anel do Pescador e anular o Selo Papal.

O corpo do Papa é embalsamado para permitir a conservação em dias de exibição pública. Era uma vez esse processo, que contemplava o uso de antigas técnicas de embalsamamento, também envolveu a remoção de vísceras, enquanto o coração do falecido Papa foi preservado numa urna no coro da Igreja da SS. Vicente e Atanásio na Fonte de Trevi. Acredita-se que esta prática ocorreu pela última vez por ocasião da morte de Leão XIII. Hoje, para evitar manipulação excessiva, métodos menos invasivos são usados.

O corpo do Papa, sob a supervisão do Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, ele está vestido com vestes pontifícias: as camisas, a casula vermelha, o pálio, a mitra branca com bordas douradas, o solidéu branco, um anel episcopal e a cruz peitoral. Vermelho é a cor litúrgica do “luto papal”, usado pelo Pontífice ainda durante sua vida, quando, por exemplo, ele preside o rito fúnebre. Como sabemos, é uma cor que lembra o sangue dos mártires e a presença viva do Espírito Santo; por esta razão o Papa, como sucessor de Pedro, está envolto em vestes vermelhas que simbolizam o seu serviço inteiramente dedicado a Cristo e à Igreja, no testemunho de fé.

Com a colocação do corpo do falecido no caixão - uma vez foi colocado em uma liteira, mas Francisco, reformando os ritos dos funerais papais, organizou de forma diferente - começa o Primeira Estação, que se passa no local onde morreu o Papa. É, portanto, um momento reservado às pessoas mais próximas dele, acompanhada pela oração do sufrágio.

Veja Pedro. A segunda estação

No dia e hora estabelecidos pelo Colégio Cardinalício, o corpo do falecido Pontífice é trasladado para a Basílica de São Pedro “onde exerceu muitas vezes o seu ministério de Bispo da Igreja em Roma e de Pastor da Igreja Universal” (Ordo Funeral do Romano Pontífice, mais tarde OERP, edição 2005, n. 68) receber a homenagem dos fiéis. Era uma vez o corpo do Papa exposto na Capela do Santíssimo Sacramento, sobre um catafalco reclinável que permitia aos fiéis tocar seus pés para o ato final de veneração. Hoje, mais significativamente, o caixão é colocado em frente ao altar da Confissão, no túmulo do apóstolo Pedro.

A procissão é acompanhado pelo canto de alguns salmos e cânticos evangélicos adequados à ocasião, enquanto na entrada da Basílica são cantadas as litanias dos santos. Por alguns dias, o corpo do Pontífice permanecerá exposto na basílica e receberá homenagens dos fiéis: «Perto do corpo, os fiéis elevarão incessantes orações a Deus pelo falecido Pontífice" (OERP, edição 2005, n.87).

Durante estes dias estão previstos vários momentos de oração comunitária, em particular a celebração da Eucaristia e da Liturgia das Horas.

E na minha carne verei Deus, meu salvador. A terceira estação: Missa fúnebre e sepultamento

A Santa Missa Fúnebre representa o momento culminante do funeral do Romano Pontífice. A Constituição Rebanho Dominic que regula as fases da Sé Apostólica Vaga, estabelece que este momento ocorre entre o 4º e o 6º dia da morte do Papa. São os Cardeais que estabelecem o local do funeral solene, mãe, dada a previsível participação do povo, geralmente acontecem na Praça de São Pedro.

Um dia antes do funeral o rito de fechar o caixão acontece, uma ocasião cheia de significado, pois é o momento em que o corpo do Papa é retirado daqui em diante da vista do povo de Deus. Depois de ler e assinar o Obra, um documento que recorda os principais acontecimentos e atos da vida do Pontífice, o rosto do Papa está coberto por um véu branco «na viva esperança de poder contemplar o rosto do Pai, juntamente com a Bem-Aventurada Virgem Maria e todos os Santos" (OERP, edição 2005, n95). Então o Obra e algumas moedas cunhadas durante o pontificado são colocadas no caixão antes do seu efetivo fechamento.

A missa fúnebre é presidida pelo Cardeal Decano e concelebrada pelos Cardeais e Patriarcas das Igrejas Orientais. Esses funerais não diferem, em sua estrutura principal, daqueles de qualquer cristão. Como primeira leitura, é proclamado um texto dos Atos dos Apóstolos (10,34-43); como resposta o Salmão 23 (“O Senhor é meu pastor”) seguido por uma passagem da Carta aos Filipenses (3,20–4,1) e a famosa passagem evangélica de João que recorda diretamente o ministério petrino: «Simone, você me ama? homem, você sabe que eu te amo" (GV 21,15-19).

Um elemento característico da liturgia fúnebre do Sumo Pontífice é representada porÚltima recomendação e despedida que corresponde à saudação que a comunidade dos crentes dirige ao seu irmão e ao Pastor da Igreja universal. No funeral do Papa esta saudação é feita:

– Da Igreja de Roma ao seu bispo, pela boca do Cardeal Vigário, invocando a Santíssima Virgem Maria A saúde do povo romano, os apóstolos, e mártires, eu papi, eu santi e sante romani;

– Das Igrejas Orientais, pela boca de um Patriarca unido aos demais representantes das Igrejas Orientais;

– De toda a Igreja Católica ao seu pastor, pela boca do Cardeal Decano.

Esta tríplice entrega da alma do falecido, termina com uma renovada profissão de fé, expresso por escola aquele, durante aspersão e incensação, canta:

"Eu acredito: O Senhor ressuscitou e vive,
e um dia eu também ressuscitarei com ele.
Posso te contemplar, meu Deus e meu Salvador.
Meus olhos se abrirão para sua luz,
e meu olhar repousará sobre ele.
Posso te contemplar, meu Deus e meu Salvador.
Eu mantenho essa esperança firme em meu coração:
Posso te contemplar, meu Deus e meu Salvador".

No final da celebração fúnebre, o caixão é recolhido e acompanhado até o cemitério. Enterro nas cavernas do Vaticano, sob a Basílica de São Pedro, tornou-se tradicional; no entanto, o Papa pode decidir de forma diferente, assim como o Papa Francisco, que escolheu ser sepultado em Santa Maria Maggiore.

Os novendiais

É tradição, também confirmado pela reforma desejada pelo Papa Francisco, que a partir da missa fúnebre haverá nove dias de celebrações eucarísticas em sufrágio do falecido Papa. Todo o povo de Deus está envolvido nestas celebrações, mesmo que sejam confiados a categorias específicas de pessoas: fiéis da Cidade do Vaticano, da Igreja de Roma, os Capítulos das Basílicas Papais, os membros da Cúria Romana, as Igrejas Orientais.

Toda a Igreja espalhada pelo mundo une na oração e fortalece a fé e a esperança; assim também a morte se torna um dom de graça e uma oportunidade para agradecer e bendizer ao Deus de toda consolação.

«Um Papa morre, outro é feito»

Este famoso ditado, que pode até parecer fatalista, E, na verdade, o que acontece depois da morte de cada Romano Pontífice. Poder-se-ia dizer que o Escritório vago é aquele momento poderoso em que o Pontificado entra numa espécie de “anonimato” para que o falecido pontífice e o seu sucessor eleito, porque eles pertencem a algo maior, eles parecem transmitir a alma do papel. É o que afirma o famoso poeta romano Giacchino Belli: o Papa morto dá o espírito da importante tarefa aos recém-eleitos. As formas externas do corpo ou mesmo do cérebro podem variar, mas esse será o legado, desde que procurado pelo eterno. Com versos ousados, mas significativo, o poeta diz: quase parece que o corpo do novo Papa cai do céu sem alma, mas apenas com fôlego vital. Porque dignidade, a alma do papel de cada pontífice é deixada a ele por aqueles que o precederam.

Agora deixo Ariel para o pai lendo poesia É passa-mano, publicado por Gioacchino Belli em 4 Outubro 1835:

"É papai, é Visceddio, Nosso Senhor,
Ele é um Pai eterno como o Pai Eterno.
Ciove não morre, o, ppe ddí mmejjo, mais,
Mas mais apenas do lado de fora.

Porque lá o corpo dele sai do governo,
A alma, pare a antiga honra no final,
Não vá para o paraíso, o inferno,
Passos subbitados no arco principal.

É assim que o cérebro muda um pouco,
O estômio, as orelhas, é naso, é pelo;
Ma é papai, in quant’ a Ppapa, é sempre isso.

E então cada corpo é distinto
Para essa indignidade, presente ccasca mesmo
Sem alma, e nun porta antro, que respiração".

Florença, 1° maio 2025

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QUANDO O PONTÍFICE ROMANO MORRE. UM BREVE EXCURSO HISTÓRICO-LITÚRGICO

Cada Papa, em seu papel como Vigário de Cristo, não pertence inteiramente a si mesmo; isto é particularmente evidente quando a morte chega. No passado recente, Os papas raramente conseguiram morrer em paz, em silêncio, longe de olhares indiscretos ou rituais de preâmbulo. Um Papa quase nunca faleceu sozinho, mas, como um antigo soberano, estava cercado por seus cortesãos.

— Pastoral Litúrgica —

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Autor
Simone Pifizzi

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A morte do Romano Pontífice é um momento especial na vida da Igreja Católica; uma passagem tecnicamente definida Vacant See, que traz consigo um conjunto de atos, eventos e ritos que, por sua natureza, são únicos em seu tipo.

Não queremos fazer um tratamento sistemático disso aqui, mas sim tocar, também recorrendo à história, sobre alguns aspectos litúrgicos e rituais que passaram diante dos nossos olhos por ocasião da morte do Papa Francisco.

Morrendo como Papa. A primeira etapa

Cada Papa, em seu papel como Vigário de Cristo, não pertence inteiramente a si mesmo; isto é particularmente evidente quando a morte chega. No passado recente, Os papas raramente conseguiram morrer em paz, em silêncio, longe de olhares indiscretos ou rituais de preâmbulo. Um Papa quase nunca faleceu sozinho, mas, como um antigo soberano, estava cercado por seus cortesãos. Aos primeiros sinais de agonia, na verdade, foi posta em prática uma série de ações cerimoniais meticulosas que acompanharam o Pontífice rumo ao seu fim terreno.

A primeira coisa a fazer: notificar todos os cardeais residentes em Roma, e todos os chefes dos vários Dicastérios da Santa Sé; uma procissão silenciosa diante do moribundo para prestar-lhe suas últimas homenagens. A Unção dos Enfermos e o Viático administrado pelo Cardeal Vigário, enquanto coube às penitenciárias e aos cónegos da Basílica Vaticana elevar as orações que o acompanham na sua agonia, especialmente as Ladainhas dos Santos canonizadas pelo pontífice moribundo.

Depois do último suspiro do Papa, sua morte é certificada pelo médico; o Mestre da Câmara cobriu o rosto do falecido Pontífice com um véu branco e, enquanto as celebrações das Santas Missas pela sua alma começavam na capela privada, foi realizada a primeira paramentação: a batina branca, o crochê e o mozzeta papal. Somente neste momento o Cardeal Camerlengo foi apresentado, quem de fato, na Sé Apostólica Vaga, assumiu o “regência” da Igreja. Escoltado pelos guardas suíços, realizou o ato de reconhecimento oficial da morte do Pontífice para toda a Igreja. O Camerlengo, tendo entoado o De Profundis, removeu o véu e bateu três vezes na testa do falecido, chamando-o pelo nome de batismo: «(Nome). você está morto??»; no terceiro golpe, não recebendo resposta, ele anunciou: “Verdadeiramente o Papa está morto”. Este rito não ocorre mais hoje. A reforma desejada pelo Papa Francisco estabelece que a certificação oficial do óbito ocorra na capela, depois que o corpo do Papa já estiver composto.

Hoje esses rituais que podem até parecer “folclóricos” em torno da agonia e morte do Papa deram lugar a momentos de oração eclesial, afirmar a fé em Deus a quem sempre pertencemos e em cujas mãos sempre estamos, esteja vivo ou morto. O Papa que acaba de deixar este mundo é recomendado a Deus Pai e à Virgem Maria, com o canto do Oi Regina, é convidado a mostrar ao falecido Papa o rosto de Jesus, o bendito fruto do seu ventre. A tarefa do Cardeal Camerlengo, nesta fase, é quebrar o Anel do Pescador e cancelar o Selo Papal.

O corpo do Romano Pontífice é embalsamado para permitir a sua preservação durante os dias de exibição pública. De uma vez, este processo, que envolveu o uso de antigas técnicas de embalsamamento, também incluiu a remoção das vísceras, enquanto o coração do falecido Papa foi preservado numa urna do coro da Igreja de São. Vincenzo e Atanasio na Fontana di Trevi. Acredita-se que esta prática tenha ocorrido pela última vez por ocasião da morte de Leão XIII. Hoje, para evitar manipulação excessiva, métodos menos invasivos são usados.

O corpo do Romano Pontífice, sob a supervisão do Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, está vestido com vestes pontifícias: o alva, a casula vermelha, o manto, a mitra branca com bordas douradas, o solidéu branco, um anel episcopal e a cruz peitoral. O vermelho é a cor litúrgica do “luto papal”, usado pelo Pontífice ainda em vida, por exemplo, quando ele preside o rito fúnebre. Como sabemos, é uma cor que lembra o sangue dos mártires e a presença viva do Espírito Santo; por esta razão o Papa, como sucessor de Pedro, está envolto em vestes vermelhas que simbolizam o seu serviço inteiramente consagrado a Cristo e à Igreja, no testemunho de fé.

Com o depoimento do corpo do falecido no catafalco — uma vez colocado em uma maca, mas Francisco, reformando os ritos dos funerais papais, providenciou de outra forma - a Primeira Estação começa, que se passa no local onde morreu o Papa. É, portanto, um momento reservado às pessoas mais próximas dele, acompanhado de orações de sufrágio.

Veja Pedro. A Segunda Etapa

No dia e hora estabelecidos pelo Colégio Cardinalício, o corpo do falecido Pontífice é transferido para São. Arquibasílica Papal de Pedro “onde exerceu frequentemente o seu ministério de Bispo da Igreja em Roma e Pastor da Igreja Universal” (Ordem dos Funerais Pontifícios Romanos, doravante, 2005 edição, n. 68) receber a homenagem dos fiéis. No passado, o corpo do Papa foi exposto na Capela do Santíssimo Sacramento, sobre um catafalco reclinável que permitia aos fiéis tocar seus pés para o ato final de veneração. Hoje, mais significativamente, o caixão é colocado em frente ao Altar da Confissão, em correspondência com o túmulo do apóstolo Pedro.

A procissão é acompanhado pelo canto de alguns salmos e hinos evangélicos adequados à ocasião, enquanto na entrada da Basílica são entoadas as litanias dos santos. Por alguns dias, o corpo do Pontífice ficará exposto na basílica e receberá a homenagem dos fiéis: “No corpo, os fiéis elevarão incessantes orações a Deus pelo falecido Pontífice” (Ordem dos Funerais do Romano Pontífices, 2005 edição, n.87).

Durante estes dias, estão previstos vários momentos de oração comunitária, em particular a celebração da Eucaristia e da Liturgia das Horas.

E na minha carne verei Deus, meu salvador. A Terceira Etapa: Missa fúnebre e sepultamento

A Missa Fúnebre é o momento culminante do funeral do Romano Pontífice. A Constituição Universi Dominici Gregis que regula as fases da Sé Apostólica Vaga, estabelece que este momento ocorre entre o 4º e o 6º dia após a morte do Papa. São os Cardeais quem estabelecem o local do funeral solene, mas, dada a previsível multidão de pessoas, geralmente estes acontecem em St.. Praça de Pedro.

Um dia antes do funeral, o rito de fechar o caixão acontece, uma ocasião cheia de significado, pois é o momento em que o corpo do Papa é retirado da vista do povo de Deus a partir de agora. Após a leitura e assinatura da Escritura, um documento que recorda os principais acontecimentos e atos da vida do Pontífice, o rosto do Papa está coberto por um véu branco “na fervorosa esperança de poder contemplar o rosto do Pai, juntamente com a Bem-Aventurada Virgem Maria e todos os Santos” (Ordem dos Funerais Pontifícios Romanos, 2005 edição, n95). Em seguida, a Escritura e algumas moedas cunhadas durante o pontificado são colocadas no caixão antes do seu efetivo fechamento..

A missa fúnebre é presidido pelo Cardeal Decano e concelebrado pelos Cardeais e Patriarcas das Igrejas Orientais. Esses funerais não diferem, em sua estrutura principal, daqueles de qualquer cristão. Como a primeira leitura, um texto dos Atos dos Apóstolos é proclamado (10:34-43); como um responsório, Salmo 23 (“O Senhor é meu pastor”), seguido por uma passagem da Carta aos Filipenses (3:20-4:1) e o famoso trecho evangélico de João que recorda diretamente o ministério petrino: “Simão, você me ama? Senhor, você sabe que eu te amo” (Jn 21:15-19).

Um elemento característico da liturgia fúnebre do Sumo Pontífice é representada pela Última Recomendação e Adeus que corresponde à saudação que a comunidade dos crentes dirige ao irmão e ao Pastor da Igreja universal. No funeral do Papa esta saudação é feita:

– Da Igreja de Roma ao seu Bispo, pela boca do Cardeal Vigário, invocando a Santíssima Virgem Maria A saúde do povo romano, os apóstolos, os mártires, os papas, os santos e santos romanos;

– Das Igrejas Orientais, pela boca de um Patriarca unido aos demais representantes das Igrejas Orientais;

– De toda a Igreja Católica ao seu pastor, pela boca do Cardeal Decano.

Esta tripla confiança da alma do falecido termina com uma renovada profissão de fé, expressa pelo coro que, durante a aspersão e incenso, canta:

"Eu acredito: O Senhor ressuscitou e vive,
e um dia eu também ressuscitarei com ele.
Para que eu possa te contemplar, meu Deus e meu Salvador.
Meus olhos se abrirão para sua luz,
e meu olhar repousará sobre ele.
Para que eu possa te contemplar, meu Deus e meu Salvador.
Eu mantenho essa esperança firme em meu coração:
Para que eu possa te contemplar, meu Deus e meu Salvador».

No final da celebração fúnebre, o caixão é recolhido e acompanhado até o local do sepultamento. Enterro nas Grutas do Vaticano, sob St.. Basílica de Pedro, tornou-se tradicional; no entanto, o Papa pode decidir de outra forma, como fez o Papa Francisco, que escolheu ser sepultado na Basílica Papal de São. Maria Maior.

Os novendiais

É uma tradição, também confirmado pela reforma desejada pelo Santo Padre Francisco, que a partir da missa fúnebre, seguem-se nove dias de celebrações eucarísticas em sufrágio do falecido Papa. Todo o povo de Deus está envolvido nestas celebrações, mesmo que sejam confiados a determinadas categorias do Povo de Deus: fiéis da Cidade do Vaticano, da Igreja de Roma, os Capítulos das Basílicas Papais, membros da Cúria Romana, as Igrejas Orientais.

Toda a Igreja em todo o mundo se une em oração e fortalece a fé e a esperança; assim também a morte se torna um dom de graça e uma oportunidade para agradecer e bendizer ao Deus de toda consolação.

«Quando morre um Papa, sempre se faz outro»

Este famoso ditado, que pode até parecer fatalista, é, na verdade, o que acontece depois da morte de cada Romano Pontífice. Poderíamos dizer que a Sé Vaga é aquele momento em que o Pontificado entra numa espécie de “anonimato” para que o falecido pontífice e o seu sucessor eleito, já que pertencem a algo maior, parecem transmitir a alma do papel.

Isto é o que o famoso poeta romano Gioacchino Belli declarado em 1835: o Papa morto entrega aos recém-eleitos o espírito da importante tarefa. As formas externas do corpo ou mesmo do cérebro podem variar, mas o legado será o mesmo, já que é querido pelo eterno. Com versos ousados, mas significativos, o poeta diz: quase parece que o corpo do novo Papa cai do céu sem alma, mas apenas com o sopro da vida. Porque a dignidade, a alma do papel de cada pontífice é deixada a ele por aqueles que o precederam.

Florença, 1º de maio 2025

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De poeira à água: O significado do símbolo austero das cinzas – De poeira à água: o significado do símbolo austero de cinzas

(Texto em inglês depois do italiano)

 

De poeira à água: O SIGNIFICADO DO SÍMBOLO AUSTERO DAS CINZAS

As cinzas sagradas que tradicionalmente se obtêm da queima dos ramos de oliveira benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior desempenham a sua função de porta de entrada para o período forte da Quaresma e já nos permitem vislumbrar o homem renovado por Cristo Ressuscitado e renascido nas águas do baptismo, como a liturgia nos faz reviver a Santa Vigília da noite de Páscoa.

— Ministério litúrgico —

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Autor
Simone Pifizzi

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artigo em formato de impressão PDF – Artigo em PDF Formato de impressão

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Ontem, com a Liturgia das Cinzas O tempo sagrado da Quaresma já começou para a Igreja. Um tempo que, conforme relatado nas normas do ano litúrgico e do calendário, Tem como objetivo preparar a Páscoa. A Liturgia Quaresmal orienta tanto os catecúmenos quanto os catecúmenos à celebração do mistério pascal, através dos diferentes graus de iniciação cristã, tanto os fiéis pela memória do batismo como pela penitência.

Como todos sabem o período sagrado da Quaresma começa com um símbolo definido como austero: receba cinzas em sua cabeça. No Antigo Testamento a cinza é um símbolo do que é temporário, perecível e como tal reduzido a pó, como lemos em Trabalho 10, 9; ou porque não vale nada (Geração 18, 27). Também no Antigo Testamento a cinza era um sinal de desolação e luto. Aqui estão os gestos de espalhar cinzas na cabeça (2Sam 13, 19), sente-se nas cinzas como Jó (Trabalho 2, 8), rolar nas cinzas (este 27, 30), alimente-se de cinzas como de pão (Vontade 102). Davi expiou seus pecados nas cinzas, Após a pregação de Jonas, os ninivitas cobriram a cabeça com cinzas. Cinzas eram usadas em ritos de purificação, quando uma vaca vermelha foi queimada cujas cinzas foram jogadas na água, usado para várias purificações rituais (Núm. 19, 1 e ssg). Acima de tudo, a cinza remete o pensamento às palavras que Deus dirigiu a Adão depois do pecado: "Pó, você é e ao pó retornará" (Geração 3,19); sublinham o castigo da morte e o nada da criatura formada a partir do pó da terra.

Na Idade Média, os penitentes públicos que tiveram que expiar os seus pecados e receber o Sacramento da Penitência como segundo batismo, apresentaram-se no início da Quaresma cobertos de cinzas e vestindo sacos. Na liturgia cristã, mesmo atualmente, a expressão que o sacerdote usa ao abençoar e impor as cinzas na quarta-feira que marca o início da Quaresma são estas: «Lembre-se que você é pó e ao pó retornará». aceito, a saber, o significado da dor, do luto pela morte como consequência do pecado e da fragilidade do homem. Daí surge o dever de reconhecer as próprias falhas e de se comprometer com uma vida saudável, como a fórmula alternativa da imposição das cinzas urge: "Converta-se e creia no Evangelho". A cinza, lembrando-nos que somos pó, ajuda-nos a revigorar o sentido da verdadeira consciência cristã que nos acusa de culpa e não nos dá paz até encontrarmos um remédio para a nossa inclinação para o mal.

A penitência se torna uma necessidade: devemos fazer penitência para nos denunciar ao céu e à terra que somos pessoas miseráveis. Temos a obrigação de implorar misericórdia e de demonstrar com algumas de nossas ações que repudiamos o mal feito e o mal que somos capazes de fazer. Longe de ser um sinal de superstição então, a cinza nos lembra uma verdade teológica bem resumida pelas palavras da bênção, o mais antigo, que pode ser usado na quarta-feira que começa a Santa Quaresma:

«Ó Deus que não queres a morte, mas a conversão dos pecadores, faz isso reconhecendo que nosso corpo retornará ao pó, o exercício da penitência obtém para nós o perdão dos pecados e uma vida renovada à imagem do Senhor ressuscitado. para Cristo, nosso Senhor. Amém".

O mesmo conceito também se expressa na fórmula renovada da bênção das cinzas que ele recita:

«Ó Deus que tem misericórdia de quem se arrepende e dá a tua paz a quem se converte, ouça com bondade paternal as orações do seu povo e abençoe estes seus filhos que receberão o austero símbolo das cinzas, para que através do itinerário espiritual da Quaresma cheguem completamente renovados para celebrar a Páscoa do seu Filho".

E também se repete na fórmula alternativa em que essas palavras são usadas:

«Ó Deus que não queres a morte dos pecadores, mas a conversão, ouça gentilmente nossa oração e abençoe essas cinzas que estamos prestes a receber sobre nossas cabeças, reconhecendo que somos pó e ao pó voltaremos. Que o exercício da penitência quaresmal nos obtenha o perdão dos pecados e uma vida renovada à imagem do teu Filho ressuscitado, que vive e reina para todo o sempre. Amém".

As orações, acima lembre-se, apresentam-nos, portanto, a perspectiva correcta para olhar o sinal das cinzas impostas às cabeças de quem inicia com boa vontade o caminho quaresmal. É essencialmente um gesto de humildade, O que isso significa: Eu me reconheço por quem eu sou, uma criatura frágil, feito de terra e destinado à terra, mas também feito à imagem de Deus e destinado a Ele. Pó, sim, mas amei, moldado pelo amor de Deus, animado por seu sopro vital e capaz de reconhecer sua voz e, portanto, responder a ele; grátis e, Por causa disso, também capaz de desobedecê-lo, cedendo à tentação do orgulho e da auto-suficiência. Aqui está o pecado, doença mortal logo começou a poluir a terra abençoada que é o ser humano. Criado à imagem do Santo e do Justo, o homem perdeu a inocência e agora só pode voltar a ser justo graças à justiça de Deus, a justiça do amor que, como escreve São Paulo:

“Ela se manifestou pela fé em Cristo” (RM 3,22).

Apenas a segunda leitura da Liturgia da Palavra na Quarta-feira de Cinzas, contém o apelo de Paulo para se reconciliar com Deus (cf. 2CR 5,20), através de um dos seus famosos paradoxos que conduz toda a reflexão sobre a justiça ao mistério de Cristo. São Paulo escreve:

«Aquele que não conheceu pecado [isto é, seu Filho se fez homem] Deus o fez pecar por nós, para que nele nos tornássemos justiça de Deus" (2CR 5,21).

No coração de Cristo, isto é, no centro de sua Pessoa divino-humana, todo o drama da liberdade foi representado em termos decisivos e definitivos. Deus levou seu plano de salvação às suas consequências extremas, permanecendo fiel ao seu amor mesmo à custa de entregar o seu Filho unigênito à morte e morte de cruz. Aqui a justiça divina se desenrola, profundamente diferente do humano: «Graças à ação de Cristo, podemos entrar na justiça "maior", que é o do amor" (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma, 2010)

Santa Quaresma, embora comece com o gesto austero das cinzas que nos faz baixar a cabeça, No entanto, amplia nosso horizonte e nos direciona para a vida eterna, pois nesta terra estamos em peregrinação:

«Não temos uma cidade estável aqui em baixo, mas vamos em busca do futuro" (EB 13,14).

Enquanto a Quaresma nos faz compreender a relatividade dos bens desta terra e, portanto, nos torna capazes de renúncias necessárias, também nos dá a liberdade de fazer o bem, abrir a terra à luz do Céu, na presença de Deus entre nós.

Assim as cinzas sagradas que são tradicionalmente obtidos a partir da queima dos ramos de oliveira benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior, desempenham a sua função de porta de entrada para o período forte da Quaresma e já nos permitem vislumbrar o homem renovado por Cristo Ressuscitado e renascido nas águas do baptismo, como a liturgia nos faz reviver a Santa Vigília da noite de Páscoa.

Florença, 6 Março 2025

Início da Quaresma

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DA POEIRA À ÁGUA: O SIGNIFICADO DO SÍMBOLO AUSTERO DAS CINZAS

As cinzas sagradas que tradicionalmente se obtêm da queima dos ramos de oliveira benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior desempenham a sua função de porta de entrada para o período forte da Quaresma e já nos permitem vislumbrar o homem renovado por Cristo Ressuscitado e renascido nas águas do baptismo, como a liturgia nos faz reviver na Santa Vigília da noite pascal

— pastoral litúrgica —

Autor
Simone Pifizzi

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Ontem, com a Liturgia das Cinzas, o tempo sagrado da Quaresma começou para a Igreja. Um tempo que, de acordo com o que está indicado nas normas e no calendário do ano litúrgico, tem como objetivo preparar a Páscoa. A Liturgia Quaresmal orienta tanto os catecúmenos, através dos diferentes graus de iniciação cristã, e os fiéis pela memória do batismo e pela penitência na celebração do mistério pascal.

Como todos sabem, o período sagrado da Quaresma começa com um símbolo definido como austero: recebendo cinzas na cabeça. No Antigo Testamento, cinzas são um símbolo do que é temporário, perecível e como tal reduzido a pó, como lemos em Trabalho 10:9; ou porque não vale nada (Geração 18:27). Também no Antigo Testamento, cinzas eram um sinal de desolação e luto. Aqui estão então os gestos de aspergir cinzas na cabeça (2Sam 13:19), sentado nas cinzas como Jó (Trabalho 2:8), rolando em cinzas (este 27:30), comendo cinzas como pão (Ps 102). Davi expiou seus pecados nas cinzas, os ninivitas depois da pregação de Jonas cobriram suas cabeças com cinzas. Cinzas eram usadas em ritos de purificação, quando uma vaca vermelha foi queimada e suas cinzas foram jogadas na água usada para as diversas purificações rituais (Núm. 19:1aff). Sobretudo, cinzas trazem à mente as palavras que Deus dirigiu a Adão depois de seu pecado: “Você é pó, e ao pó você retornará” (Geração 3:19); sublinham o castigo da morte e o nada da criatura formada a partir do pó da terra.

Na Idade Média, penitentes públicos que tiveram que expiar seus pecados e receber o Sacramento da Penitência como um segundo batismo apareceram no início da Quaresma cobertos de cinzas e vestindo panos de saco. Hoje, Na liturgia cristã, a expressão que o sacerdote usa ao abençoar e impor as cinzas na quarta-feira que marca o início da Quaresma são estas:

«Lembre-se que você é pó e ao pó retornará».

Aquilo é, Eu aceito o significado da dor, do luto pela morte como consequência do pecado e da fragilidade do homem. Daí surge o dever de reconhecer as próprias falhas e comprometer-se com uma vida saudável, conforme exortado pela fórmula alternativa para a imposição das cinzas:

«Converta-se e acredite no Evangelho».

A cinza, nos lembrando que somos pó, ajuda-nos a revigorar o sentido da verdadeira consciência cristã que nos acusa de culpa e não nos dá paz até encontrarmos um remédio para a nossa inclinação para o mal.

A penitência se torna uma necessidade: devemos fazer penitência para nos denunciar ao céu e à terra que somos pessoas miseráveis. Temos a obrigação de implorar misericórdia e de demonstrar com algumas de nossas ações que repudiamos o mal feito e o mal que somos capazes de fazer. Longe de ser um sinal de superstição, a cinza nos lembra uma verdade teológica bem resumida pelas palavras da bênção, o mais antigo, que pode ser usado na quarta-feira que inicia a Santa Quaresma:

«Ó Deus que não queres a morte, mas a conversão dos pecadores, conceda que, ao reconhecer que nosso corpo retornará ao pó, o exercício da penitência obtém para nós o perdão dos pecados e uma vida renovada à imagem do Senhor ressuscitado. Através de Cristo, nosso Senhor. Amém" (Do ritual romano)

O mesmo conceito também é expresso na fórmula renovada da bênção das cinzas que diz:

«Ó Deus que tem misericórdia de quem se arrepende e dá a tua paz a quem se converte, ouça com bondade paterna as orações do seu povo e abençoe estes seus filhos que receberão o símbolo austero das cinzas, para que através do itinerário espiritual da Quaresma cheguem completamente renovados para celebrar a Páscoa do teu Filho».

E também se repete na fórmula alternativa em que essas palavras são usadas:

«Ó Deus que não queres a morte dos pecadores, mas a conversão, ouça gentilmente nossa oração e abençoe essas cinzas que estamos prestes a receber sobre nossas cabeças, reconhecendo que somos pó e ao pó voltaremos. Que o exercício da penitência quaresmal nos obtenha o perdão dos pecados e uma vida renovada à imagem do teu Filho ressuscitado, que vive e reina para todo o sempre. Amém".

As orações mencionadas acima apresenta-nos, portanto, a perspectiva correta para olhar o sinal das cinzas colocadas na cabeça de quem inicia com boa vontade o caminho quaresmal. É essencialmente um gesto de humildade, que significa: Eu me reconheço pelo que sou, uma criatura frágil, feito de terra e destinado à terra, mas também feito à imagem de Deus e destinado a Ele. Pó, sim, mas amei, moldado pelo amor de Deus, animado por seu sopro vital e capaz de reconhecer sua voz e, portanto, responder a ele; grátis e, por esse motivo, também capaz de desobedecê-lo, cedendo à tentação do orgulho e da auto-suficiência. Aqui está o pecado, uma doença mortal que logo começou a poluir a terra abençoada que é o ser humano. Criado à imagem do Santo e do Justo, o homem perdeu a inocência e agora só pode voltar a ser justo graças à justiça de Deus, a justiça do amor que, como escreve São Paulo:

«foi manifestado através da fé em Cristo» (ROM 3:22).

Precisamente a segunda leitura da Liturgia da Palavra sobre as Cinzas Quarta-feira contém o apelo de Paulo para se reconciliar com Deus (Vejo 2 CR 5:20), através de um dos seus famosos paradoxos que conduz toda a reflexão sobre a justiça ao mistério de Cristo. São Paulo escreve:

«Porque ele o fez pecado por nós, que não conheceu pecado; para que nele possamos ser feitos justiça de Deus» (2 CR 5:21).

No coração de Cristo, isso é, no centro da sua Pessoa divino-humana, todo o drama da liberdade foi representado em termos decisivos e definitivos. Deus levou seu plano de salvação às consequências extremas, permanecendo fiel ao seu amor mesmo à custa de entregar o seu Filho unigênito à morte e morte de cruz. Aqui a justiça divina é revelada, profundamente diferente da justiça humana:

«Graças à ação de Cristo, podemos entrar no “maior” justiça, que é o do amor» (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma, 2010)

Santa Quaresma, embora comece com o gesto austero das cinzas que nos fazem inclinar a cabeça, no entanto, amplia o nosso horizonte e nos orienta para a vida eterna, já que nesta terra estamos em peregrinação:

«Pois aqui não temos cidade duradoura, mas buscamos aquele que está por vir» (Hebraico 13:14).

Enquanto a Quaresma nos faz compreender a relatividade dos bens desta terra e, portanto, nos torna capazes de renúncias necessárias, também nos dá a liberdade de fazer o bem, abrir a terra à luz do Céu, à presença de Deus entre nós.

Assim as cinzas sagradas que são tradicionalmente obtidos a partir da queima dos ramos de oliveira benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior desempenham a sua função de porta de entrada para o período forte da Quaresma e já nos permitem vislumbrar o homem renovado por Cristo Ressuscitado e renascido nas águas do baptismo, como a liturgia nos faz reviver na Santa Vigília da noite pascal.

Florença, 6 Março 2025

Início da Quaresma

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Os Padres da Ilha de Patmos

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«Não vou ao concerto, Eu não sou um príncipe da Renascença", disse o Santo Padre, No entanto, isso não significa eliminar o pior do desleixo

«NÃO VOU AO CONCERTO, NÃO SOU UM PRÍNCIPE DA RENASCIMENTO" DISSE O SANTO PADRE, NO ENTANTO, ISSO NÃO SIGNIFICA LIMPAR O PIOR DO DESLAZIMENTO

Nossos sábios professores nos alertaram desde tenra idade sobre vários perigos insidiosos, nos conscientizando de que o inconformismo dos conformistas existe, qual é o pior conformismo; o desprezo do clericalismo pelos clérigos, o que então se traduz no pior clericalismo; o fascismo dos antifascistas, que acaba se manifestando como uma forma violenta de neofascismo ainda pior que a dos Vinte Anos Fascistas.

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Autor
Simone Pifizzi

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artigo em formato de impressão PDF

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Onze anos se passaram desde então, era junho de 2013 quando o Santo Padre Francisco deixou o assento vazio no centro da sala Paulo VI, enquanto convidados e autoridades ouviam por um tempo’ o «Grande concerto de música clássica do Ano da Fé» proibido, tudo na ausência, em vez de presença, papa. Alguns dias antes, falando com núncios de todo o mundo, o Santo Padre denunciou a “mundanidade espiritual” que é a “lepra” da Igreja, “ceder ao espírito do mundo” que “expõe nós pastores ao ridículo”, aquela “espécie de burguesia de espírito e de vida que nos empurra a assentar, buscar uma vida confortável e pacífica". O facto é que nunca ninguém anunciou o que aconteceu ao Arcebispo Rino Fisichella quando todos, Todos 17,30, eles estavam esperando o pontífice entrar na sala: «O Santo Padre não poderá estar presente devido a uma tarefa urgente e urgente» (cf.. Gian Guido Vecchi, Corriere della Sera, WHO).

Vou tentar ser breve, mas não porque faltem argumentos, muito pelo contrário: haveria muitos tópicos e, se em alguns casos simplesmente não podemos permanecer em silêncio, é bom ser muito comedido.

Quem entre nós teve a graça de ter professores autênticos - e cada um de nós, Padres da Ilha de Patmos, pela graça divina, ele os tinha - ele pôde aprender o que talvez alguém não tenha tido a oportunidade de aprender antes em Buenos Aires como religioso, depois como padre jesuíta, finalmente como bispo. Finalmente chegou ao trono sagrado um 77 anos, Não é fácil mudar sua visão e perspectiva como pessoa idosa, para que isso acontecesse seria necessário que o Espírito Santo pousasse na cabeça do escolhido não como uma pomba, mas como um condor andino.

Nossos sábios professores eles nos alertaram desde tenra idade sobre vários perigos insidiosos, nos conscientizando de que o inconformismo dos conformistas existe, qual é o pior conformismo; o desprezo do clericalismo pelos clérigos, o que então se traduz no pior clericalismo; o fascismo dos antifascistas, que acaba se manifestando como uma forma violenta de neofascismo ainda pior que a dos Vinte Anos Fascistas.

Algumas pessoas pensam que expor “nós pastores ao ridículo” são apenas os desfiles desses personagens, chamado renda & atacadores, que estetizam a sagrada liturgia de forma exagerada e por vezes exasperante? Ninguém nega a existência do elemento do ridículo nesses assuntos, se quisermos até grotesco, mas o ridículo tem muitas faces, portanto, não deve ser considerado menos ridículo do que o Cardeal Sebastião Francisco, Bispo de Diocese de Penang na Malásia você celebra a Santa Missa sentado à mesa com outros concelebrantes e eleva o Corpo de Cristo com a cabeça coberta pelo solidéu vermelho; tudo quando até nós, na época éramos coroinhas, sabíamos que o bispo fica com a cabeça descoberta diante do Santíssimo Sacramento exposto e que durante as liturgias, até que a Eucaristia fosse colocada dentro do sacrário, ele não cobre a cabeça novamente (cf.. Cerimonial dos Bispos, NN. 153-166). Está aqui, está claro, não se trata de ser hipercrítico, porque as fotos que documentam tudo são verdadeiramente perturbadoras.

Cardeal Sebastião Francisco, que certamente será um homem santo, ha 72 anos. Se o Pontífice que reina felizmente não atingir o seu centenário, ele entrará no conclave como eleitor, onde se encontrará diante de irmãos cardeais de tendências específicas, mas sobretudo dos países ricos, capazes de sustentar Igrejas locais inteiras nos países pobres, quem vai apontar para o saco de dinheiro com um dedo, com outro dedo indicarão o candidato para escrever no cartão.

Isso acontece quando você cai no inconformismo dos conformistas, em desprezo pelo clericalismo dos clérigos, no fascismo dos antifascistas. Mas a beleza, se lindo queremos chamá-lo, tudo ainda está por vir. E que Deus nos ajude!

Florença, 1setembro 2024

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