Tempo da Quaresma e reflexão sobre a morte para nos abrir à alegria da ressurreição e da vida sem fim

TEMPO DE QUARESMA E REFLEXÃO SOBRE A MORTE PARA NOS ABRIR À ALEGRIA DA RESSURREIÇÃO E DA VIDA SEM FIM

A Quaresma também deve ser um tempo de reflexão sobre a morte. Uma reflexão pacífica, livre de perturbações ou medos, pior da rejeição da própria ideia de morte. Medite sobre a morte, para nós, cristãos, significa pensar e refletir, com serenidade e confiança, ao que nos espera depois desta passagem: a ressurreição para a vida. Porque com Cristo Senhor todos nós morremos e com Ele todos ressuscitaremos.

— Ministério litúrgico —

Autor
Simone Pifizzi

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As regras gerais para a organização do ano litúrgico eles sancionam e explicam:

«O objetivo do tempo da Quaresma é preparar a celebração da Páscoa. Com efeito, a liturgia quaresmal prepara tanto os catecúmenos como os fiéis para a celebração do mistério pascal., através da memória do batismo e da prática da penitência" [cf.. n. 27].

 

 

Ninguém pode escapar disso a atual força de atração da Quaresma que todos os anos se apresenta inalterada na sua substância profunda, embora significativamente mitigado. A Quaresma continua a ser o período litúrgico espiritualmente mais rico e apostolicamente mais fecundo de todo o ano litúrgico.: «Eis o tempo, aqui é o dia da salvação" [II Coríntios 5,2].

No discurso de 3 Março 1965, Papa Paulo VI resumiu os motivos de interesse da Quaresma:

«É incalculável o progresso moral e civil ao qual este recorrente e poderoso exercício ascético e espiritual deu impulso e desenvolvimento. Uma referência ao que está acontecendo hoje vem à mente; podemos de fato lembrar como, apenas nos últimos anos, em obediência e em virtude da disciplina quaresmal, essas coleções foram promovidas, tornada possível por algum sacrifício penitencial, que vão aliviar a fome no mundo: uma abstinência sugerida pelo espírito da Quaresma, se traduz em valores econômicos, e isso se torna “pão para a fome no mundo”, para uma multidão de pobres, distante e desconhecido, que assim desfrutam da caridade que brota da observância da Quaresma... E o que diremos do sentido litúrgico da Quaresma? É o grande treino na graça do batismo e da penitência, é a grande chuva fecundante da Palavra de Deus, é a grande mediação preparatória para a Páscoa. Em nenhuma outra época do ano a espiritualidade da Igreja é mais rica, mais emocionado, mais lírico, mais atraente, mais benéfico: aqueles que o estudam descobrem que é estupendo; aqueles que experimentam sentem que é humano; quem vive isso, e, "o deus divino".

Quaresma tem um caráter duplo que encontramos descrito em Santo Conselho em que desta vez se fala em indicar:

«O duplo caráter do tempo quaresmal que, especialmente através da memória ou preparação do batismo e através da penitência, prepara os fiéis para celebrar o mistério pascal, ouvindo com mais frequência a palavra de Deus e com dedicação à oração, ser colocado em maior evidência tanto na liturgia como na catequese litúrgica. Portanto um) os elementos batismais da liturgia quaresmal deveriam ser utilizados mais abundantemente e, se apropriado, alguns deles são retirados da tradição anterior; b) o mesmo se diz dos elementos penitenciais. Quanto à catequese então, ser instilado nas almas dos fiéis, juntamente com as consequências sociais do pecado, aquela característica da penitência que detesta o pecado porque é uma ofensa a Deus; nem deve ser esquecido o papel da Igreja na ação penitencial e a oração pelos pecadores deve ser incentivada”. [cf.. n. 109].

Para o batismo, o mistério pascal de Cristo tornou-se o mistério pascal do cristão. Na verdade, através do batismo fomos incluídos, enxertados e vitalmente incorporados em Cristo e na Igreja, tornando-nos assim protagonistas responsáveis ​​da história da salvação que agora se realiza no mundo. Para despertar em nós a consciência batismal, a Igreja, durante a Quaresma, seguindo o Evangelho de João, ele nos apresenta o mistério pascal através do simbolismo da água, de luz e vida, que resulta dos três importantes episódios evangélicos da mulher samaritana, do cego de nascença e da ressurreição de Lázaro. São temas especificamente adequados para nos ajudar a redescobrir a natureza gradual do movimento de adesão a Cristo. Na verdade, a mulher samaritana reconheceu o Messias assim que esqueceu a sede física e admitiu outra, mais verdadeiro e profundo [cf.. GV 4, 1-42]. O homem que nasceu cego, da visão da luz natural passa à luz sobrenatural que salva [cf.. GV 9, 1-40]. Lázaro é chamado de volta à vida depois que Jesus afirma solenemente a necessidade da fé: «Quem acredita em mim, mesmo que ele esteja morto ele viverá" [cf.. GV 11, 1-53]. Estes três elementos fundamentais ajudam-nos a compreender a história da salvação eminentemente ligada a estes três sinais: água, luz e vida.

Elemento Água. É fácil ver uma teologia da água nas Escrituras. Dada a necessidade de saciar a sede de um povo nómada como Israel, a água torna-se sinal da providência de Deus para com o seu povo, enquanto sua privação, um castigo. A água é usada pelos profetas como sinal dos tempos messiânicos e da salvação que virá desses tempos. Mas a relação da água com o batismo é completamente singular: o Espírito pairando sobre as águas primordiais, a inundação [cf.. GN 1, 1-2], o Mar Vermelho [cf.. É 14,15-15,1] Eu estou, segundo os Padres da Igreja, todas as prefigurações do Batismo.

Elemento de Luz. Antigamente o Batismo era chamado de "iluminação" e os batizados de "iluminados". A relação entre luz e batismo é destacada, bem como da passagem do cego de nascença, também da celebração da vigília pascal. O simbolismo da vela é muito evidente: Cristo vence as trevas. Pelo batismo nos tornamos filhos da luz: devemos caminhar como refletores da luz do Senhor.

Elemento da Vida. É o aspecto culminante desta catequese batismal. A nova vida é o primeiro elemento do batismo porque está na pessoa do próprio Cristo. Para entender isso, é preciso ter um conhecimento vivo da morte espiritual, da impotência de ressuscitar sozinho e da necessidade da intervenção divina: «Senhor, se você estivesse aqui, meu irmão não teria morrido!» [cf.. GV 11, 1-57]. Até que consigamos despertar em nós o sentido da necessidade de sermos salvos, ou seja, "ressuscitado", teremos que nos acostumar amargamente a viver um cristianismo que, sem seu fundamento batismal, não terá nada parecido com a Páscoa. Toda a liturgia batismal consiste num mistério de morte e ressurreição: l'uomo, para encontrar seu significado autêntico, deve necessariamente passar por uma luta em que alguém deve morrer. A força mortal do pecado é gradualmente atenuada, superado pela mortificação voluntária, que nos faz produzir em nós o mistério da morte de Cristo. Aquele que assim consegue morrer, através da própria morte ele conhecerá e terá vida. A Quaresma começa precisamente apresentando-nos Cristo na batalha contra Satanás [cf.. MT 4, 1-11]; uma luta que cresce até chegar à morte na cruz. Mas é precisamente na aceitação voluntária e obediente da morte que Cristo alcança a vitória sobre a própria morte e nos introduz na novidade de vida..

Analisemos agora o caráter penitencial. No passado, a disciplina penitencial da Quaresma, com suas práticas severas, serviu ao cristão como um momento de expiação pelos pecados. O rito das cinzas é uma clara alusão a esta. Pecadores públicos viveram longos dias em dura penitência. O rigor do jejum atingiu limites que nos eram inconcebíveis! Hoje, mesmo com a mitigação de práticas externas, a necessidade sempre permanece urgente, o dever da penitência, como nos lembra a liturgia quaresmal:

«que a mesa seja modesta e frugal / deixe a língua e o coração serem sóbrios / irmãos, é hora de ouvir / a voz do Espírito" [Ver. Hino de louvor].

Jejum verdadeiro é a renúncia daquilo que atrapalha o nosso caminho em direção a Deus e torna menos generoso o nosso serviço a Deus e aos nossos irmãos. A Quaresma deve demonstrar a tensão de um povo penitente que implementa em si o aspecto mortificante do mistério pascal. A nossa penitência tira o seu motivo e o seu significado do baptismo que nos faz morrer com Cristo antes de ressuscitarmos com ele., e nos relaciona com a confissão, onde a morte morre e a vida ressuscita, preparando-nos para a Eucaristia. A penitência ajuda-nos a ver a vida cristã num conceito mais unitário e a perceber que cada ato que praticamos é sempre manifestação e realização do mistério pascal.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, no decreto sobre o Apostolado dos Leigos, nos lembra que com penitência e aceitação espontânea das dificuldades e dores da vida, com a qual nos conformamos com Cristo sofredor, podemos alcançar todos os homens e contribuir para a sua salvação [apostolado, 16].

Quaresma deveria ser também um momento de reflexão sobre a morte. Uma reflexão pacífica, livre de perturbações ou medos, pior da rejeição da própria ideia de morte. Medite sobre a morte, para nós, cristãos, significa pensar e refletir, com serenidade e confiança, ao que nos espera depois desta passagem: a ressurreição para a vida. Porque com Cristo Senhor todos nós morremos e com Ele todos ressuscitaremos. Este é o cerne do mistério pascal que encontramos durante o precioso período da Quaresma.

Florença, 18 Março 2023

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Jesus e o cego de nascença, das trevas à luz rumo a um caminho de conversão

Homilética dos Padres da ilha de Patmos

JESUS ​​E O NASCIMENTO DO CEGO, DAS TREVAS À LUZ PARA UM CAMINHO DE CONVERSÃO

O cego de nascença contou-lhe: "Eu acredito, homem!». E ele se prostrou diante dele. Jesus então disse: “Eu vim a este mundo para julgar, para que os que não veem vejam e os que veem fiquem cegos".

 

Autor:
Gabriele Giordano M. Scardocci, o.p.

 

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Caros Leitores da Ilha de Patmos,

algumas pinturas renascentistas nasceram da coloração que escureceu o preto para produzir diferentes tons de branco e amarelo. É a passagem das trevas para a luz. Isso também acontece em nossas vidas e no Evangelho de hoje nos leva a refletir sobre o pecado e a nossa conversão.

 

para abrir o Lectio clique na imagem

 

O primeiro momento narrativo foca no pecado. Seguindo a tradição judaica de retribuição clássica, os discípulos, vendo o homem nascer cego, eles perguntam qual é a causa da cegueira. Para a teoria clássica da retribuição, a deficiência vem de um pecado anterior, cometido pela mesma pessoa ou pelos pais. Mas Jesus quebra e contradiz esta teoria:

«Jesus respondeu: “Nem ele pecou nem seus pais, mas é para que nele se manifestem as obras de Deus. Devemos fazer as obras daquele que me enviou enquanto é dia; então chega a noite, quando ninguém pode mais operar. Enquanto eu estiver no mundo, Eu sou a luz do mundo".

O cego de nascença é assim para que as obras de Deus se manifestem. E portanto, de uma maneira, sinal e manifestação de que Deus está entre os homens e age. assim, uma pessoa, em si não é pecado, mas ele comete pecados. Agora o pecado, de acordo com a definição clássica, é «uma palavra, um ato ou desejo contrário à Lei eterna".

O período da Quaresma é também um momento propício para a redescoberta do conceito e da ideia do próprio pecado, que é algo que dificilmente atribuímos a nós mesmos. Mais facilmente dizemos que cometemos um erro, bobagem, um erro humano. Vamos tentar refletir sobre isso em um momento forte de revisão de nossas vidas, este deveria ser este período de Quaresma. Somos todos filhos pecadores de Deus e agradecemos ao Senhor que nos ama como somos. Com o Sacramento da Confissão purificamos os nossos pecados e todos voltamos com a graça com que trabalhamos com Deus. É por isso que Jesus nos diz que este cego nasceu assim, sem ter cometido um pecado real que levou à cegueira; isto é para que nele se manifestem as obras de Deus. Jesus então convida aqueles que o enviam para realizar as obras, isto é, o Pai Eterno. Em primeiro lugar, diremos que o cego de nascença é aquele que passa fisicamente das trevas para a luz. Simbolicamente, o cego, é ele quem passa da cegueira espiritual à fé. Isto acontece precisamente através de Jesus. Jesus convida e transmite a quem o escuta – plausivelmente discípulos e apóstolos – o convite a realizar as obras de luz com Ele e com o Pai. Ele nos envia a todos para sermos velas acesas no fogo da verdade em Sua chama e Sua luz. O que acontece após a cura milagrosa é um número complexo de ações, de interrogatórios e perguntas. Perguntas que os fariseus se fazem e que fazem ao cego, para seus pais, porque nada os convence, não aceitar que alguém reconheça Jesus como fonte de verdade e luz. Na escuridão fria de crenças rígidas, de ídolos e sombras ideais da verdade de Cristo. Por esta razão, eles afugentam o agora ex-cego que milagrosamente recuperou a visão. Eles não querem ver quem pode questioná-los, porque na verdade, o verdadeiramente cego, são eles.

O cego de nascença contou-lhe: "Eu acredito, homem!». E ele se prostrou diante dele. Jesus então disse: “Eu vim a este mundo para julgar, para que os que não veem vejam e os que veem fiquem cegos".

Jesus vai ao encontro do cego curado novamente. eu farisei, mesmo que eles o tenham expulsado, acompanhe o diálogo entre os dois. O cego curado faz sua profissão de fé: «Sim, Senhor, acredito em Ti». E então ele se prostra, de acordo com o gesto judaico tradicional: prostração para mostrar a presença de Deus, como o Sumo Sacerdote fez no Santo dos Santos do Templo de Jerusalém. Jesus então lhe diz:

«Eu vim para julgar, para que aqueles que vêem não vejam e aqueles que vêem fiquem cegos”..

Desta forma ele também repreende os fariseus, contornando sua armadilha. Mas a frase forte de Jesus, no julgamento também é importante para nós. Na verdade, Jesus vem julgar não no sentido de condenar pessoas e pecadores, mas para que a sua luz não seja apenas uma revelação de fé em Deus. Também porque sob o seu amoroso e sábio julgamento, cada um de nós também pode abrir um vislumbre da verdade sobre nós mesmos, voltando a reconhecer todos os dons brilhantes que Deus lhe deu.

Pedimos ao Senhor a graça de realizar um ato de humildade e reconhecer-nos como pecadores, redescobrir ao mesmo tempo que somos obras-primas-presentes, com talentos e peculiaridades que podemos oferecer a Ele, aos outros e à Igreja num ato de amor.

 

santa maria novela em Florença, 19 Março 2023

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