Quão fácil é a abstinência de carne como penitência – Quão fácil é a abstinência de carne como prática penitencial – Quão fácil é a abstinência de carne como penitência
Quão fácil é abstinência de carne como penitência
Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sandes com mortadela do que pedir um robalo a oitenta euros o quilo. Não porque a disciplina eclesial tenha se tornado obsoleta, mas porque a realidade social transformou. A abstinência continua sendo um sinal, mas o sinal corre o risco de ficar vazio se o seu significado profundo não for compreendido.
— Ministério litúrgico —
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Autor
Simone Pifizzi
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Não por morder a ironia florentina, mas a verdade: Eu às vezes me pergunto, com sincera curiosidade - que penitências quaresmais podem ser propostas aos vegetarianos e veganos se eles próprios ainda não comem carne. Talvez abstinência de soja? Ou da salada orgânica? A pergunta pode fazer você sorrir, mas esconde outro, muito mais sério: o que realmente significa fazer penitência?

Abstinência de carne não surge de uma dietética eclesiástica nem de uma antiga desconfiança teológica em relação ao bife. Tem as suas raízes numa tradição ascética que sempre compreendeu o valor simbólico e pedagógico da alimentação.. Nas sociedades antigas, a carne não era um alimento comum, mas um sinal de celebração, de abundância, de alegria. Desistir significava tirar voluntariamente o que era considerado precioso. Não se tratava de mortificar o corpo, mas educar o desejo.
A Igreja salvou esta disciplina não como um fim em si mesma, mas como sinal concreto de uma atitude interior: a conversão. Como lembrou São Leão Magno, «O jejum quaresmal não consiste apenas na abstinência de alimentos, mas sobretudo no afastamento do pecado» (Falar 39, 2). A penitência cristã nunca foi um exercício punitivo, mas um caminho de liberdade. Você desiste de algo lícito para se lembrar de que nem tudo que é lícito é necessário, e que a felicidade não depende da posse mas sim da ordem do coração.
Com a mudança dos tempos, no entanto, as percepções também mudam. Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sandes com mortadela do que pedir um robalo a oitenta euros o quilo. Não porque a disciplina eclesial tenha se tornado obsoleta, mas porque a realidade social transformou. A abstinência continua sendo um sinal, mas o sinal corre o risco de ficar vazio se o seu significado profundo não for compreendido.
A questão não é a carne: é liberdade. A penitência não consiste em mudar o cardápio, mas mudando de tamanho. Não é a privação como um fim em si, nem um exercício de voluntarismo ascético. É uma renúncia ordenada a um bem para adquirir um bem maior. É tirar algo do consumo para devolvê-lo à fé, à esperança e à caridade. Porque «onde está o seu tesouro, seu coração também estará lá" (MT 6,21): a penitência move o tesouro para reorientar o coração. E talvez, em nosso tempo, as penitências mais difíceis não passam necessariamente pelo prato. Desistir do bife pode ser relativamente simples; desistir da tela ligada por horas pode ser muito menos. Desligue seu telefone, limitar o uso de mídias sociais, evite o entretenimento como um fim em si mesmo, preservar o silêncio num mundo que vive de ruído contínuo: estas são privações que tocam os nervos em carne viva.
Para a maioria, é mais difícil evitar notificações e comentários que dá um maldito bife florentino. E ainda, se a penitência tem por objetivo educar o desejo e fortalecer a liberdade interior, é exatamente aí que o desafio acontece. São Paulo expressou isso com imagens atléticas:
«Eu trato o meu corpo com severidade e o reduzo à escravidão, porque quando você, depois de pregar para outros, Eu mesmo serei desclassificado" (1 CR 9,27).
O paulino não é desprezo pelo corpo, mas a disciplina da liberdade. Penitência cristã não é empobrecimento, mas um investimento. Não produz esterilidade, mas fecundidade. Desistir de algo pelo amor de Deus significa criar espaço para Deus agir. É um gesto que reduz o supérfluo para realçar o essencial. E o essencial, para o cristão, não é o sacrifício em si, mas a comunhão com Cristo.
A Quaresma é precisamente isto: um caminho penitencial que culmina na Semana Santa e se abre à alegria da Ressurreição. Não é um período de tristeza ritual, mas um tempo de preparação. Atravessamos o deserto para chegar à Páscoa. Desistimos de algo temporário para nos lembrar que estamos destinados ao eterno.
Abstinência de carne, Naquela hora, não é uma relíquia disciplinar nem um formalismo alimentar. É um sinal. E como todo sinal, pede para ser compreendido. Se continuar a ser um gesto externo, é reduzido a uma prática vazia. Se se tornar um ato consciente, se transforma em uma escola de liberdade. Quer seja carne, de telas ou outros hábitos arraigados, a questão continua a mesma: Eu sou o mestre dos meus desejos ou sou governado por eles? A penitência serve para responder a esta questão com um ato concreto. Porque a verdadeira mortificação é não renunciar ao que não nos custa nada, mas aprender a dizer “não” ao que nos domina, poder dizer um “sim” maior a Deus. E esse “sim” não acaba em quarenta dias. É a antecipação de uma Páscoa que nunca terá fim.
Florença, 23 fevereiro 2026
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Quão fácil é abstinência de carne como prática penitencial
Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sanduíche de mortadela do que pedir um robalo a oitenta euros o quilo.. Não porque a disciplina eclesial tenha se tornado obsoleta, mas porque a realidade social mudou. A abstinência continua sendo um sinal, no entanto, o sinal corre o risco de se tornar vazio se não for compreendido no seu significado mais profundo.
— Pastoral Litúrgica —
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Autor
Simone Pifizzi
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Não por aguda ironia florentina, mas na verdade: às vezes eu me pergunto, com sincera curiosidade, que penitências quaresmais podem ser propostas aos vegetarianos e veganos se eles já não comem carne. Talvez abstinência de soja? Ou de salada orgânica? A pergunta pode provocar um sorriso, mas esconde outro, muito mais sério: o que realmente significa fazer penitência?
Abstinência de carne não surge da dietética eclesiástica nem de alguma antiga suspeita teológica em relação ao bife. Está enraizado numa tradição ascética que sempre compreendeu o valor simbólico e pedagógico da alimentação. Nas sociedades antigas, a carne não era um alimento comum, mas um sinal de celebração, abundância, e alegria. Renunciar a isso significava abster-se voluntariamente do que era considerado precioso. Não se tratava de mortificar o corpo, mas sobre educar o desejo.
A Igreja preservou esta disciplina não como um fim em si mesma, mas como sinal concreto de uma disposição interior: conversão. Como recordou São Leão Magno, “O jejum quaresmal não consiste apenas na abstinência de alimentos, mas sobretudo no afastamento do pecado” (Falar 39, 2). A penitência cristã nunca foi um exercício punitivo, mas um caminho para a liberdade. Renunciamos a algo lícito para nos lembrarmos de que nem tudo o que é lícito é necessário, e que a felicidade não depende da posse mas sim da ordem do coração.
Com o passar do tempo, no entanto, as percepções também mudam. Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sanduíche de mortadela do que pedir um robalo a oitenta euros o quilo.. Não porque a disciplina eclesial tenha se tornado obsoleta, mas porque a realidade social mudou. A abstinência continua sendo um sinal, no entanto, o sinal corre o risco de se tornar vazio se não for compreendido no seu significado mais profundo.
A questão não é carne; é liberdade. A penitência não consiste em mudar o cardápio, mas ao mudar a medida. Não é privação por si só, nem um exercício de voluntarismo ascético. É uma renúncia ordenada a um bem para adquirir um bem maior. É retirar algo do consumo para restaurá-lo à fé, ter esperança, e caridade. Pois “onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração” (MT 6:21): a penitência desloca o tesouro para reorientar o coração. E talvez, em nosso próprio tempo, as penitências mais difíceis não passam necessariamente pelo prato. Renunciar a um bife pode ser relativamente simples; renunciar a uma tela ligada por horas pode ser muito mais difícil. Desligando o telefone, limitar o uso de mídias sociais, abster-se de entretenimento por si só, preservando o silêncio em um mundo que vive em constante ruído: estas são privações que tocam os nervos expostos.
Para muitos – talvez para a maioria – é mais difícil abster-se de notificações e comentários do que de um bife florentino mal passado. Mas se a penitência visa educar o desejo e fortalecer a liberdade interior, é precisamente aí que reside o desafio. São Paulo expressou isso com imagens atléticas:
“Eu disciplino meu corpo e o mantenho sob controle, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não seja desqualificado” (1 CR 9:27).
As palavras de Paulo não expressam desprezo pelo corpo, mas a disciplina da liberdade. Penitência cristã não é empobrecimento, mas investimento. Não produz esterilidade, mas fecundidade. Renunciar a algo por amor a Deus significa criar espaço para Deus agir. É um gesto que reduz o supérfluo para fazer emergir o essencial.. E para o cristão, o essencial não é o sacrifício em si, mas a comunhão com Cristo.
A Quaresma é precisamente isto: um caminho penitencial que culmina na Semana Santa e se abre à alegria da Ressurreição. Não é uma época de tristeza ritual, mas um tempo de preparação. Atravessa-se o deserto para chegar à Páscoa. Renunciamos a algo temporário para lembrar que estamos destinados à eternidade.
Abstinência de carne, então, não é uma relíquia disciplinar nem um formalismo dietético. É um sinal. E como todo sinal, pede para ser compreendido. Se continuar a ser um gesto exterior, torna-se uma prática vazia. Se se tornar um ato consciente, se transforma em uma escola de liberdade. Quer se trate de carne, telas, ou outros hábitos arraigados, a questão continua a mesma: sou senhor dos meus desejos, ou sou governado por eles? A penitência nos ajuda a responder a essa pergunta com um ato concreto. Pois a verdadeira mortificação não é renunciar ao que não nos custa nada, mas aprender a dizer “não” ao que nos domina, para dizer um “sim” maior a Deus. E esse “sim” não acaba depois de quarenta dias. É a antecipação de uma Páscoa que não conhecerá pôr do sol.
Florença, 23 fevereiro 2026
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Quão fácil é abstinência de carne como penitência
Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sanduíche de mortadela do que pedir um robalo que custa oitenta euros o quilo. Não porque a disciplina da igreja se tornou obsoleta, mas porque a realidade social mudou. A abstinência ainda é um sinal, mas o signo corre o risco de ficar vazio se não for compreendido no seu significado mais profundo.
— Pastoral litúrgica —
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Autor
Simone Pifizzi
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Não por causa da aguda ironia florentina, mas na verdade: às vezes eu me pergunto, com sincera curiosidade, Que penitências quaresmais podem ser propostas aos vegetarianos e veganos se ainda não comem carne?. Talvez retirada de soja? Ou salada orgânica? A pergunta pode trazer um sorriso, mas contém outro muito mais sério: O que realmente significa fazer penitência??
A abstinência de carne não nasce de uma dieta eclesiástica nem de uma antiga desconfiança teológica em relação ao bife. Tem as suas raízes numa tradição ascética que sempre compreendeu o valor simbólico e pedagógico da alimentação.. Nas sociedades antigas, a carne não era um alimento comum, mas um sinal de festa, de abundância e alegria. Desistir significava retirar-se voluntariamente do que era considerado precioso.. Não se tratava de mortificar o corpo, mas educar o desejo.
A Igreja preservou esta disciplina não como um fim em si mesma, mas como sinal concreto de uma disposição interior: a conversão. Como lembrou São Leão Magno, «O jejum quaresmal não consiste apenas na abstinência de alimentos, mas sobretudo no afastamento do pecado”. (Falar 39, 2). A penitência cristã nunca foi um exercício punitivo, mas um caminho de liberdade. Você desiste de algo lícito para se lembrar de que nem tudo que é lícito é necessário., e que a felicidade não depende da posse, mas da ordem do coração.
Com o passar do tempo, no entanto, as percepções também mudam. Hoje pode ser mais penitencial comer uma simples sanduíche de mortadela do que pedir um robalo que custa oitenta euros o quilo. Não porque a disciplina da igreja se tornou obsoleta, mas porque a realidade social mudou. A abstinência ainda é um sinal, mas o signo corre o risco de ficar vazio se não for compreendido no seu significado mais profundo.
A questão não é a carne: é liberdade. Penitência não é mudar o cardápio, mas ao mudar a medida. Não é privação em si., nem exercício de voluntarismo ascético. É uma renúncia ordenada a um bem para adquirir um bem maior.. É subtrair algo do consumo para devolvê-lo à fé, à esperança e à caridade. Porque "onde está o seu tesouro?", "Seu coração também estará lá." (MT 6,21): A penitência move o tesouro para reorientar o coração. e talvez, em nosso tempo, as penitências mais difíceis não passam necessariamente pelo prato. Desistir do bife pode ser relativamente fácil; Desistir de uma tela ligada por horas pode ser muito mais difícil. Desligue o telefone, limitar o uso de redes sociais, abster-se de entretenimento vazio, guardando o silêncio em um mundo que vive em constante ruído: Estas são privações que tocam nervos sensíveis.
Para muitos - talvez a maioria - É mais difícil abster-se de notificações e comentários do que de um bom bife florentino. Porém, Se a penitência visa educar o desejo e fortalecer a liberdade interior, É precisamente aí que o desafio é jogado. São Paulo expressou isso com imagens atléticas:
«Eu castigo o meu corpo e escravizo-o, para que, tendo pregado para outros, "Eu mesmo fui desclassificado." (1 CR 9,27).
A Paulina não é desprezo pelo corpo, mas a disciplina da liberdade. Penitência cristã não é empobrecimento, mas investimento. Não produz esterilidade, mas fertilidade. Abrir mão de algo pelo amor de Deus significa criar espaço para Deus agir.. É um gesto que reduz o supérfluo para realçar o essencial. e o essencial, para o cristão, não é o sacrifício em si, mas a comunhão com Cristo.
A Quaresma é precisamente isto: um caminho penitencial que culmina na Semana Santa e se abre à alegria da Ressurreição. Não é um período de tristeza ritual, mas um tempo de preparação. Você atravessa o deserto para chegar à Páscoa. Abdica-se de algo temporário para lembrar que estamos destinados à eternidade.
Abstinência de carne, então, Não é uma relíquia disciplinar nem um formalismo dietético. É um sinal. E como todo sinal, pede para ser compreendido. Se continuar a ser um gesto externo, é reduzido a uma prática vazia. Se se tornar um ato consciente, torna-se uma escola de liberdade. Quer seja carne, de telas ou outros costumes arraigados, a questão continua a mesma: Sou senhor dos meus desejos ou sou governado por eles?? A penitência serve para responder a essa pergunta com um ato concreto. Porque a verdadeira mortificação é não renunciar ao que não nos custa nada, mas aprender a dizer “não” àquilo que nos domina, poder dizer um “sim” maior a Deus. E esse “sim” não se esgota em quarenta dias. É a antevisão de uma Páscoa que nunca terá fim..
Florença, 23 Fevereiro 2026
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